Assistir a um filme de terror não é um problema. Assistir a um filme de terror espírita é o pior dos pesadelos. A ansiedade e os sustos durante a exibição são os mesmo que o de um público padrão. Meu comportamento infantil e irracional nos momentos subsequentes não.
Espelhos completamente ignorados. Luzes acesas em todos os cômodos que estejam dentro do campo de visão. Companhia humana, se disponível. Televisão sintonizada nos canais mais coloridos e alegres possíveis. E uma distração qualquer. Um pacote imbecil para um espectador cagão.
Ser cético e descrente não adianta. É muita pretensão acreditar que seríamos os únicos a ocupar esse plano. E um grande desapontamento o conceito de que viraremos pó após o inevitável dia. Minha rinite não toleraria a ideia. Então dispenso uma alergia pela eternidade.
A filmografia do capeta eu praticamente desconheço. Porque, confesso, fico bastante impressionado. Algumas vezes até corro riscos, mas a experiência sempre acaba em arrependimento. Numa das últimas vezes em que tive a infeliz ideia de tomar sustos por opção própria para finalidades recreativas, estendi mentalmente a aventura por um mês. Emily Rose me acompanhou por um bom tempo, principalmente às 3h da manhã.
Eis que hoje me deparo com um daqueles momentos em que não havia opção. “Atividade Paranormal” é um dos filmes da temporada mais comentados na Internet e todo mundo está morrendo de curiosidade para assistir – inclusive meus amigos. Mérito de uma bem sucedida estratégia de marketing (obrigado, publicitários).
Juntamo-nos em um grupo de treze pessoas para assistir a tão bem falada trama. Número não muito adequado para os supersticiosos e impressionados (incluo-me neste último). Mas a companhia compensava e a oportunidade latente seria a única para que eu pudesse ter uma percepção própria da história. Se a escolha dependesse de mim, teríamos obviamente assistido a algo inteiramente concreto e humano. Se possível com locações durante o dia.
Felizmente a história, como todos que assistem vêm afirmando, é pobre em sustos. Não deixa de ser interessante, mas não assusta nem ao mais cagão dos espectadores (eu). Há alguns momentos – ou melhor, UM momento – bastante intenso, mas, no conjunto, a obra deixa a desejar. O que foi um alívio, relativamente falando.
Diante de um filme patético, o término da exibição foi marcado por risadas coletivas. Mas para não fazer feio no clube dos impressionados, mesmo em um contexto desprovido de taquicardia e gritos histéricos, resgatei minha típica sensação do espectador cagão de “estamos sendo observados”. A história não poderia ser a única coisa patética da noite.
Solitariamente recolhido em casa continuo a repassar algumas cenas em meu maldito cinema mental. Apenas uma das medidas do pacote citado no inicio deste texto faz falta ao se tratar da cabeça imaginativa de um cético que acredita em atividades paranormais. Dormir seria a opção mais adequada para acabar com esse comportamento ridículo. Mas o relato é mais intenso enquanto na companhia dos inúmeros vultos e sons inexistentes que minha mente cria neste momento.
Se servir de consolo, pelo menos ninguém puxou meu pé… ainda.






Sou uma pessoa que se interessa bastante por cinema. Mas não sei o suficiente para ser um crítico de qualidade. Mesmo assim, tenho a liberdade para comentar sobre os filmes os quais e vi, e se gostei ou não dos mesmos.


