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Eu tambem vou!

Maio 9, 2008

Ah, e so pra constar! Eu tambem vou no show do Lenny Kravitz e da Alanis. Ingressos tambem adquiridos! :)

Nao desgrudo mais da Jeje! hehehe

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Shit Happens

Maio 9, 2008

Nem tudo sao flores nessa vida. Infelizmente. Todo mundo me dizia que as coisas estavam bastante rapidas pra mim. Que eu tava resolvendo tudo super tranquilamente. Que eu havia sido abencoado em receber uma super boas vindas na imigracao irlandesa. Tudo tava certo demais.

Pois no domingo deu merda, e a coisa foi federal. A minha host family, agora carinhosamente apelidada por mim de familia monstra, simplesmente teve um surto psicotico e me correu da simpatica casa localizada nas pregas do cu do mundo; do antro amaldicoado pelo fedor a nicotina etc. Blah…

Depois de um longo dia de passeios e MUITA caminhada atraves das ruas e pracas de Dublin, cheguei em “casa” e fui direto pro banho. O problema foi que a agua estava gelada. Entao, pacientemente, pedi para que o casal monstro ligasse o aquecimento. Eles, ja alcoolizados, me negaram o pedido.

Eu nao poderia deixar por menos, reclamei. “Ja tomaste banho hoje!”, me disseram. “To pagando pra ta aqui!”, repliquei. Chingamentos, gritos, sapateados e uma total perda de controle foi o que recebi como treplica.

Nao mais contente com aquela mao de vaquice, chamei um taxi e parti rumo a casa da Jeje.

Alias, a Jeje ta sendo um anjo na minha vida. Alem de me alimentar, e me dar um cantinho provisorio para morar, ta me guiando nos passeios e nas burocracias da Irlanda.

Agora, praticamente um Homeless, to me virando nos 30 pra conseguir um apartamento. Conheci uns guris super gente boa na escola que tambem tao querendo dividir um espaco. Entao, estamos na busca. Mas nao ta facil. O que mais tem por ai e espelunca…

Mas, pra compensar esse pequeno problema do nomadismo, uma otima noticia: consegui um emprego! Sim! Sou o mais novo sub-empregado da Europa! Uhuuu! :p

Ta certo que vou me tornar praticamente escravo do trabalho, porque minha escala e das 10 da noite as 5 da manha. O meu despertador ja ta ate configurado pra tocar “Retirantes” diariamente. Em compensacao, vou trabalhar num lugar que paga acima da media dos outros lugares, o que vai me possibilitar juntar uma graninha a mais pras minhas viagens pelo mundo. Eeeee!

Ou seja, shit happens. Mas sempre tem algo que compensa.

Foda agora vai ser arranjar tempo pra catar ape.

Pra apartamento eu encontrar, virar-me nos 30, 40 e 50 eu precisarei.

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First Impressions

Abril 28, 2008

Da janela do avião pude confirmar o que li em algumas comunidades do Orkut: a Irlanda é um fazendão!

Impressionante! Lá de cima eu só via áreas verdes. Claro que essa visualização foi limitada! O aeroporto é um pouco afastado da cidade, então não cheguei a sobrevoar a parte realmente urbana.

Da parte “rural”, achei interessante as divisórias das propriedades. Se há cercas, não pude ver lá de cima, mas todas as divisões de terra são feitas com árvores. Até as de áreas cultivadas.

Da parte urbana, o mais legal são os prédios antigos, de mil-e-lá-vai-cacetada, e a estrutura da cidade, super mega organizada e limpa. Mas limpa porque, apesar dos Irishs serem porcos, há sempre um “trator” de limpeza sobre as calçadas, evitando o acúmulo de lixo.

Dublin é uma cidade nublada e fria, que está dividida em bairros (vou chamar de bairros) numerados de 1 a 24, fora outras localidades com outros nomes. Ao norte estão os bairros ímpares, e ao sul, os pares.

Eu, atualmente, moro no Dublin 24. Coisa de 50 minutos de Dublin 1, o centro da cidade.

Os primeiros “bairros” são bem próximos uns dos outros. Já os de maior número, ficam super distantes. São conjuntos de casas IGUAIS aglomeradas e rodeadas por imensas áreas verdes, onde os Irish praticam esportes, caminham e passeiam com os seus cães. Aliás, um esporte MUITO praticado aqui é o futebol. Febre total!

Sobre a zona ímpar não posso falar muito porque ainda não estive por lá. Minha vidinha ainda se resume ao caminho escola/centro - casa, devido a distância. Mas já estou procurando um lugar mais ao centro pra morar.

Durante minha primeira semana aqui, ao contrário da normalidade, abriu um puta sol. Já cheguei iluminando geral a vida das pessoas! hehehe

E engraçado que, com o mínimo de sol e calor, os Irish já se pelam. Eu, acostumado com o frio, ando de manta e casaco. Eles, mais acostumados ainda, põe regata. Mal abriu meio raio de sol, já tá todo mundo de pernas e braços expostos.

Se bem que se o uniforme feminino de alguns colégios é uma SAIA, é porque realmente eles não sentem tanto frio assim.

Sobre a brasilidade irlandesa devo dizer que… é grande! Tem muito brasileiro aqui! Aliás, tem muito estrangeiro. Dublin não deveria se chamar Dublin, deveria se chamar Babel!

E o mais irônico disso tudo é que o povo que mora aqui tá sempre reclamando. Odeia! Principalmente os brasileiros. Sentem saudades do Brasil, reclamam que as coisas não são fáceis. Sempre tem neguinho querendo te colocar pra baixo! Mas na primeira oportunidade o cara tá renovando o visto e pagando mais um ano de curso. Há pessoas que tão há milênios aqui! Os orientais batem o recorde, com 5, 6 e até 7 anos de permanência no país.

Isso é bom e ruim. É ruim porque tu não te vês obrigado todo o tempo a te comunicar em inglês. O lado bom é que não nos sentimos tão sozinhos, sempre há alguém com quem contar. E isso o povo brasileiro tem de legal, todo mundo é muito unido e todo mundo se ajuda.

Enfim… Minhas primeiras impressões foram essas: Dublin é fria e nublada, há todos os idiomas possíveis - principalmente o português -, as pessoas aqui não sentem frio, e o sol sempre se mostra quando eu saio na rua. :)

É um pouco diferente do que imaginei. Mas pra começar, tá bom! Esperemos cenas dos próximos capítulos!

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Host Family

Abril 26, 2008

Cheguei na casa eram aproximadamente 16 horas no horário local. A mulher de estatura baixa, um pouco acima do peso, me recebeu com um cumprimento tímido e um singelo beijo no rosto. Ela era loira, com cabelos na altura do pescoço. Laura é seu nome.

Logo que entrei, ela apontou para cima das escadas, indicando onde seria meu quarto. Eu, naquele estado de semi-zumbidês, tive vontade de chorar. Subir um mala de 33,9 kg sozinho, em uma escada apertada, não é uma coisa muito interessante de se fazer após cerca de 15 horas quase ininterruptas de viagem.

Durante o século em que subia a mala, pude perceber um senhor grisalho na cozinha, tomando alguma bebida quente e assistindo televisão. Na minha carta de hospedagem constava apenas o nome de Laura. Não esperava que houvesse outro morador na casa. Fiquei curioso. Mas não a ponto de ir lá naquele momento. Tinha outras intenções primárias, como organizar minhas coisas e descansar um pouco.

Ao subir as escadas, vi uma morena de estatura média, parada em frente a porta de um dos quartos disponíveis naquele andar. Seu nome, descobri logo em seguida, era Lillian, uma baiana que fazia intercâmbio e estudava na mesma escola a qual eu iria freqüentar.

Assim que cheguei, fui apresentado a ela. Conversamos e descemos para confraternizar com o casal que nos acolhia. Logo de cara, fui orientado sobre as regras da residência, onde tal coisa se encontraria, que horas seria o café da manhã, a janta, etc.

O casal, foi muito simpático. Jimmy, o grisalho que havia visto anteriormente, era o marido de Laura.

Durante o tempo que conversávamos, Laura me preparava uma sopa quente. Eu, amarelo-esverdeado de fome, engoli tudo com umas fatias de pão.

Com a barriga cheia e o cérebro reinicializado, pude prestar mais atenção aos detalhes. A casa era linda! Muito arrumada, muito limpa. Em muito boas condições, mesmo! O grande problema se mostrou quando meu olfato começou a funcionar novamente: o cheiro a cigarro. Foi assim que descobri que os Irlandeses fumam PRA CARALHO! TUDO na casa fedia a cigarro! Com exceção, graças a Deus, dos quartos, que ficam fechados.

Mas esse reconhecimento de território não durou muito. Logo que cheguei fui convidado, por Lillian, a ir num aniversário de um pessoal brasileiro que mora aqui. No trajeto, já pude ver um pouco da cidade, saber quais ônibus deveria pegar, e como deveria fazer para andar por aqui. Comecei a me situar logo no primeiro dia.

Ao voltarmos, percebemos que o casal da casa estava em um estado, digamos, alcoolicamente adulterado. Foi assim que descobri que os Irlandeses bebem PRA CARALHO! A música era alta, a animação também. No final das contas, foi bom! Pudemos conversar mais um pouco com eles, e descobrir que eles não são tão diferentes assim do povo brasileiro.

Jura! Eles são muito diferentes!

No físico, principalmente! A maioria é bem ariana. Cabelos claros, lisos, e olhos BEM claros!

Mas de que adiantam essas características se eles são bizarros e se vestem medonhamente? Poucos se salvam!

Além disso eles falam como se estivessem com batatas na bocas.

E por falar em boca, alguns tem os dentes PODRES! Dá nojo de ver.

Enfim…. E eles não são tão legais, descolados e divertidos quanto nós! :)

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Dublin: De amarga basta a Guiness

Abril 26, 2008

“Dublin não é nenhuma viagem de ação, aventura ou impacto estético. É a descoberta de uma ilha festeira, poética, guerreira e original. “

Pra quem quer saber mais sobre Dublin, vale a pena dar uma lida nesse texto que achei fuçando por aí! :)

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The Irish News

Abril 25, 2008

Oi! Pra quem possa interessar, cheguei bem e vivo! :)

A viagem até aqui foi mega cansativa, mas foi muito tranqüila. Graças a Deus! Transpirava bicas de preocupação sempre que me aproximava do final dos vôos. E isso foi potencializado em mil, no último, de Amsterdam a Dublin. Repito, graças as energias cósmicas do além e de buruncutum (ou qualquer entidade bizarra), não tive problema algum durante a viagem. Ou quase nenhum.

De Pelotas a Porto Alegre, o problema maior foi a choradeira. Normal (digam que sou normal, por favor)! Peguei carona com os pais da , que estavam viajando para assistir um show dos 50 anos da Bossa Nova. Eu, super compartilhando o momento deles, tava na verdade cagando pra Bossa Nova, Bossa Antiga ou similares. Eu tava no meu mundinho, pensando no que havia deixado pra trás, e no que me esperava pela frente.

Chegamos em Porto por volta das oito e tantas. Eles me deixaram na rodoviária, porque já estavam atrasados para o show, e eu segui meu caminho rumo a casa da Dedec. De táxi, claro. Cheguei em frente ao apartamento dela exatamente no momento em que ela chegava em casa. Acabei ficando horas no trânsito por causa do engarrafamento causado pela manifestação de uns estudantes. Nem sei qual era a causa, porque, como já disse, nem a explosão de uma bomba atômica me dizia respeito naquele momento.

Subimos de mala e cuia (literalmente). Quase me borrei pra subir aquele chumbo todo. No apartamento, a Dedec começou a me dar instruções de como proceder na viagem. “Isso aqui vai na mala de mão!” “Tás louco, isso daqui nem leva, é muito peso.” Guri, não larga desses documentos.” “Pra que tudo isso?” etc. Dicas muito importantes, mesmo!

Pra quem não sabe, a Dedec é uma amiga da família, e nas horas vagas, agente de viagens. Foi ela quem arrumou todos os detalhes da minha viagem como passagens, seguros, cartões e afins. Aliás, pra quem tiver interesse, entre eu contato com “Ouro e Prata Turismo”. Fica aí a dica!

Nesse mesmo dia em Poa, depois de acertar os últimos detalhes, fomos comer em um bicão. Comi, o que talvez seja, o último bauru que comerei por um bom tempo.

Logo após, voltamos pro apê. Eu me deitei e apaguei. Insônia por causa do nervosismo? Psss, balela!

Na manhã seguinte, aeroporto. Dez e dez seria o vôo. Obviamente atrasou. Fiz o check in bem tranquilo, logo que cheguei. Despachei minha mala de apenas 33,9 kg (o máximo permitido para vôos internacionais é de 32 kg, mas como o excedente foi pequeno, não tive problemas), e parti para a sala de embarque.

Muitas pessoas no local. Várias sentadas no chão, com seus notebooks, trabalhando através da Internet. Procurei uma tomada, e me sentei bem feliz, como qualquer outro nerd faria. “Eba! Viva a tecnologia!”, pensei. Mas minha felicidade não durou muito! Um amigão sentou do meu lado, e simplesmente roubou minha tomada! Eu, quase sem bateria, quase entrei em desespero (tá, mentira). No final das contas o Herbert se mostrou uma pessoa bacana, e compartilhou a tomada comigo numa boa!

Acomodei-me no avião bem feliz. Janela, música, livros. De repente, senta quem do meu lado? O Herbert! Ele e o colega pegaram esse avião porque o deles havia sido cancelado. Ou seja, meu vôo, que seria direto, teve que fazer uma escala em Florianópolis. Mas tudo bem, chegando a tempo em Sampa, por mim tava tudo ótimo.

Na chegada em Floripa, um pequeno escândalo no avião. Um velho BURRO, alegou que seu notebook havia sido roubado por alguém que recém descera. Até a Polícia Federal foi acionada. E lá tava o velho, tendo chiliques e mais chiliques. “Façam alguma coisa, parem o desembarque”. Acabou que o notebook não tinha sido roubado, tava ali o tempo todo. Vergonha Alheia total! E pior é que a aeromoça narrou o acontecimento no alto falante, pedindo desculpas pelo transtorno aos demais passageiros. Sério, se fosse comigo tinha cavado um buraco e entrado nele.

Mas ele não tava nem aí, deve ser chiliquento por natureza. Passou o resto da viagem conversando com um falante de espanhol (não me pergunte da onde), e com uma americana. E por incrível que pareça, a americana falava português. Globalização em apenas uma fileira de cadeiras. Achei tri!

Chegamos em São Paulo por volta das 13 horas. Meu vôo seria só às 18 horas. Fiquei tranqüilo. Fiz meu chek in (o de Amsterdam também), e me dirigi pra sala de embarque. Tá certo que eu ficaria esperando lá por horas. Mas naquela ansiosidade toda, não havia melhor opção.

No vôo, sentei-me bem nas fileira do meio, em um assento do meio. Ladeado por um Irish no lado esquerdo, e um francês do lado direito. O francês era super gente boa, e dava altas gargalhadas assistindo programas de humor na TV do avião. Eu, obviamente, ria dele.

O Irsh, que eu carinhosamente apelidei de Mr. Willy (go, Willy!), era gordo e espaçoso. Fora isso, era a pessoa que dormia mais rápido da história. A aeromoça falava com ele, mal ela saia, ele já estava roncando. Engraçado que ele é daquelas pessoas que quando a cabeça cai pro lado, acorda de susto. E isso era bom, porque daí ele não roncava por muito tempo! :)

O avião era bem apertado, mas bem interessante, porque havia mini TVs na frente de cada banco, onde cada passageiro podia escolher se queria ouvir música, ver um filme, jogar algum jogo… Eu fiz tudo! Assisti um filme muito bom, aliás. “August Rush” (”Os Sons do Coração”, em português).

A comida era boa, até. Dizia na caixa “comida tipicamente sul americana”. Sinceramente, só se for numa outra parte do sul, porque eu nunca havia comido nada como aquilo.

Chegando no aeroporto de Amsterdam, pude esticar minhas pernas como nunca. Acho que pra compensar muito tempo sentado (11 horas no meu caso), o aeroporto de lá é gigante, o que obriga as pessoas a caminhar MUITO pra achar seu próximo vôo. Ou a saída, sei lá.

Finalmente, no último vôo, sentei-me mais ansioso que nunca. Cansado, fedorento, com fome, com sede. PODRE. De repente, quem surge? O Mr. Willy. E onde ele senta? Do meu lado! Sorte, não? “We meet again!” disse ele. “Yeah!”, respondi! Ainda bem que ele trocou para um assento mais a frente. Na próxima uma hora de viagem, poderia me deitar como não fazia há mais de 24 horas.

Nesse vôo o sono bateu mesmo. Quase 15 horas de viagem dormindo muito pouco. E a fome, então? Pior é a companhia aérea Irlandesa não oferece mimos aos passageiros. É tudo pago! E eu, já pra me preparar para a época das vacas magras, não comprei nem meia bolacha.

Ao desembarcar no aeroporto, senti o frio de barriga mais intenso. Meus maiores medos eram 1) ter minha mala extraviada, 2) ter problemas na imigração.

Mas tudo foi muito tranqüilo. Fui o primeiro a passar pelo guichê da imigração. “You are brazilian? You are very welcome in my country!”, me disse o cara. Achei o máximo! Não esperava essa hospitalidade. De repente ele estica a mão para pedir meus documentos, eu já num estado alfa de excitação, estendi a mão e cumprimentei o cara. Ele riu, logicamente.

Depois de tirar as fotos, e passar pela burocracia toda, ele terminou brincando: “There are more brazilians in my contry than irish peolple”. Eu ri pra não parecer antipático, e me mandei.

Agora a mala. Medo! Esperei, esperei, esperei e nada. Já me preocupei todo. Foi quando percebi a monguice. Dã, esteira errada! Fui pra outra. Esperei, esperei, esperei e… dã, esteira errada. Tá, é mentira. Lá vinha minha pequena malinha de 33,9 kg.

Saí da sala de embarque, e não vi ninguém segurando meu nome. Quando ia começar a procurar desesperadamente vi, na mão de uma rapaz , um singelo papel escrito com os dizeres “Francisco Lima”. Nunca fiquei tão feliz em ver meu nome escrito em uma folha A4 com uma simples caneta preta.

Fomos eu e mais uma guria na van. Também gaúcha. E pasmem, de Encantado. Primeira coisa que perguntei: “conheces a Fabih?” Sim, ela respondeu. Achei muita coincidência. Daí, até os 50 minutos restantes de caminho, foi muita conversa, e uma troca de contatos. Ambos em busca de algum vinculo para não se sentirem tão sozinhos nesse novo país.

Ela foi a primeira a descer. Então pulei para o banco da frente e conversei com o motorista. Em inglês, lógico. A primeira coisa que estranhei foi o fato de eu estar sentado onde, no Brasil, deveria estar o motorista. Bizarro, pra dizer o mínimo! Aqui a mão é invertida, assim como no Reino Unido. Parece que eles vão bater a qualquer momento!

Mais uns 10 minutos de conversa, chegamos na minha nova casa. Pelo menos pelo próximo mês. O frio, nessa altura do campeonato, começou a me fazer tremer. A frente, na porta de um sobrado exatamente igual aos 3824732894 existentes nas redondezas, uma senhora loira, de uns 40-50 anos, me esperava na porta. Foi aí que a ansiosidade voltou a bater. “Devo dizer “hello, new mom?”

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Legalmente preguiçoso

Abril 13, 2008

Manhã de um domingo nublado. Pequenas gotas de chuva que ameaçam cair. Sol ainda tímido. Perfeito pra bater aquele ronco. Condições sinônimo de preguiça! Coisa boa, né?

Coisa boa pra quem ainda tá dormindo, porque eu acordei as seis e meia da manhã. Na verdade, não sei se realmente acordei. Mas tô de pé! Melhor, tô sentado! Já sei! Tô com o olho aberto! Serve?

Enfim… O motivo desta situação singular foi a realização de um concurso público para jornalista na Universidade Federal aqui de Pelotas. Seria um bom motivo se eu não fosse viajar em breve. Eu fiz o concurso, e mesmo que fique em primeiro, não assumirei o cargo porque estarei, digamos… por aí… pelo mundo. :)

Tudo bem, mas vale a experiência, vale a participação, vale o reencontro com os colegas… Sim! Muitos coleguinhas fazendo a prova! Vários na mesma minha sala, e todos desempregados que nem eu! :p

Algo me dizia que o dia seria ótimo, afinal, já comecei com o pé direito, literalmente. Pisei em um coco de cachorro ao sair do carro, reencontrei colegas, fez frio… E eu adoro frio, mesmo não tendo levado nenhum agasalho. Passo frio, mas passo feliz! :)

A prova foi tranqüila. Levei 50 minutos pra resolvê-la toda. Desculpem a falta de modéstia, mas se eu tivesse estudado alguma coisa, teria plenas condições de ficar em uma boa colocação sem muito esforço (cof, cof!). Não que eu queira me sentir, sei lá, um dos grandes gênios da humanidade que ainda vive no anonimato, mas que a prova tava fácil, tava!

Tanto, que o que chamou minha atenção, mais do que a prova, foi a tecnologia da grade de respostas, com espaço pra colocar digital e tudo. Bacana! E o produto que se passa nos dedos some quando tu colocas o dedo no papel. Mágico! E ainda tem um plástico que reveste o local da impressão. “Bah, que tri!” Foi o que eu falei pro fiscal quando ele se dirigiu até mim para coletar a minha digital. Soa meio jeca, eu sei! Mas achei tri mesmo, oras!

Ao término da prova, pensei em ficar mais uma hora e meia dormindo na classe para então poder levar comigo o caderno de provas. Mas entre dormir naquela sala fria e naquela classe dura, ou vir pra casa e me enrolar no meu cobertor de reloginhos, optei pela segunda opção.

Voltei cantando com o som do carro em um volume considerável, apenas imaginando o momento em que chegaria em casa, no conforto do meu quarto, comeria aquela pizza adormecida, e voltaria ao meu tão estimado sono. Ainda não comi a pizza e muito menos dormi. Mas anuncio que estou prestes a cumprir estas tão horríveis tarefas. Eu, meu cobertor, e a Reese Witherspoon, dublada, em Legalmente Loira II - que passa na TNT neste momento! Programão de domingo! hahaha

Bye!

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Cheiro a jaula

Abril 9, 2008

Existe uma teoria não científica a qual diz que qualquer ambiente fechado com muita gente dentro tem um certo “cheiro a jaula”. Hoje, em visita aos Correios, andei pensando sobre o assunto.

Pra começar, vamos analisar o termo. Uma jaula geralmente é aberta, e isso evita a concentração do odor. “Cheiro a cela” seria um termo mais adequado, não? Bom, de qualquer forma “cheiro a jaula” é mais sonoro! “Cheiro a jaula”! Outros termos tais como “cheiro a dobradinha” ou “nhaca” já foram experimentados, mas nenhum se adequa como “cheiro a jaula”. “Jaula”.

Mas por que dessa filosofia cretina? Explico. Hoje, ao entrar nos Correios, senti um baque forte em direção a minha pessoa, como se uma massa de energia podre empurrasse meu corpo na direção oposta. Aquele cheio a suor do trabalhador, misturado a outros tantos cheiros, criou uma ambientação comum a qualquer espaço popular que não tenha janelas.

Essa situação já vem se mostrando corriqueira nesse tipo de lugar. Por isso, comecei a me perguntar sobre a ausência de sistemas de circulação de ar em ambientes fechados. No ônibus mesmo, nem adianta fugir do sovaco alheio, o “cheiro a jaula” tá instaurado no local como se fosse lei! E olha que o busão, além de ter janelas, se move!

O mesmo acontece em elevadores. Mesmo com o fluxo rápido de pessoas, um elevador é sinônimo de gente amontoada, calor, suor e, portanto, sinônimo de “cheiro a jaula”.

Pois bem. Já não bastasse a minha permanência na “jaula” chamada Correios, entrei em uma “jaula” elevador para descer do décimo ao primeiro andar de um prédio. Uma viagem relativamente longa devido as condições supra citadas. Ainda mais em um dia de calor.

Entrei eu e mais duas pessoas. Mas o elevador foi parando, e outras tantas foram entrando, superando a lotação máxima de 8 pessoas. A “jaula” foi definitivamente montada!

Um dos últimos passageiros a embarcar, um senhor muito sábio, comentou a situação com humor. “Com esse calor, às seis horas - final de expediente -, não há elevador que aguente. Vocês estão proibidos de levantar os braços!” Eu ri alto, e concordei com a afirmação como o soldado concorda com o seu superior.

Naquele momento, quis que todos os cidadãos tivessem o mesmo bom senso… Se todo mundo soubesse a hora propícia de exalar seus feromônios, o “cheiro a jaula” talvez não diminuísse, mas incidência dele nos narizes próximos seria bem menor. Nosso olfato agradeceria! E muito!

Claro que o bom senso não é o bastante sem uma estrutura mínima de circulação de ar, e obviamente, sem um bom desodorante. Além disso, cada pessoa tem seu cheiro característico, que nem sempre é agradável a todos que o cheiram. De qualquer forma, a dica do desodorante ainda continua sendo a melhor opção! E a do perfume! Ah, também tem a colônia… Dica é o que não falta!

E fica também a dica pra as empresas que se preocupam com o bem estar dos narizes, estômagos e demais partes de seus clientes e funcionários: a instalação de sistemas de circulação de ar, já!
Esse blog luta pelo movimento da LIBERDADE RESPIRATÓRIA! Jaulas, não mais! :)

P.s: Se quiser saber qual o seu cheiro proceda da seguinte forma: lamba seu antebraço do punho ao cotovelo. Esfregue um braço no outro e depois cheire!
Faça o teste e comente suas impressões!

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Vacina contra VC

Março 19, 2008

Esses dias estava pesquisando sobre doenças contra as quais devemos nos vacinar. Não por uma questão de ser ou não hipocondríaco, mas porque queria saber se havia necessidade de algum tipo de vacina específica para viajar pro exterior. Pra Irlanda não há! Mas eu preferi me vacinar de qualquer forma.

Aliás, vou utilizar meu espaço no blog para pedir aos leitores que se informem sobre o assunto. Aqui o calendário de vacinação do adulto e do idoso do Ministério da Saúde! Fica aí a dica. Chico também é responsabilidade social! ;)

Conforme consta no calendário, pessoas acima de 20 anos devem receber as vacinas dT (Dupla tipo adulto), Febre Amarela e SCR (Tríplice Viral), contra Difteria e Tétano, Febre Amarela (dã) e Sarampo, Caxumba e Rubéola, respectivamente.

A Triplice Viral eu já havia tomado na Embrapa ano passado, então não havia necessidade. A dT eu não tomei e nem tenho pretensão de tomar. Resta a da Febre Amarela. Foi contra a dita cuja que resolvi me vacinar.

Não que a dT não seja importante. Se eu não precisasse, não tomaria nenhuma delas. Ignorância minha, eu sei. Mas é que a gente sempre vai adiando qualquer tipo de compromisso relacionado a saúde. Ou eu tô mentindo?

A situação é que eu realmente optei por me vacinar contra a Febre Amarela porque alguns países fazem essa exigência aos estrangeiros antes de permitir sua entrada. E eu, mais novo viajante do pedaço, não tô com a mínima vontade de ser barrado ou deportado. Já basta a Espanha, né!

Outro motivo que me fez tomar essa precaução foi o livro “O Médico Doente“, do Dr. Dráuzio Varella. Depois de ler um relato bastane minucioso dos efeitos da doença, principalmente vindo de um médico, fiquei um pouco, digamos, impressionado.

Toda essa introdução para dizer que hoje, finalmente, fui ao Posto de Saúde.
Para quem interesse, a vacina é dada gratuitamente todas as terças e sextas, das 14h às 20h. Eu havia ido lá ontem. Mandaram retornar hoje. Foi o que fiz.

Pra começar, me entupiram de papel. Tá, mentira. Mas me entregaram outra carteira de vacinação porque a antiga, na qual constava a Tríplice Viral, não estava assinada. Uma burocracia, no mínimo, cretina!

Sentei na cadeira e fui respondendo as informações que a enfermeira pedia. As perguntas boiavam na minha cabeça como se uma voz gritasse ao longe. O foco da minha atenção era o choro das crianças recém vacinadas. Tá, eu sei que são apenas bebês, e que bebês costumam chorar. Mas comecei a ficar meio nervoso. Não sou muito adepto de injeções, assim como 99,9% da população.

Fui orientado a esperar na fila. Foi quando o nervosismo bateu de vez. Eu sei que não dói. Mas é de família. Minha mãe mesmo, desmaiou enquanto realizavam o teste do pezinho num Francisco recém nascido, lá nos idos de 1987. Claro que não sou assim tããão fiasquento. Mas longe de mim ser um indivíduo calmo e tranqüilo.

Em meio a crise, nem olhava para o movimento do posto, só pensava em ficar mais calmo. Foi quando tive minha atenção desviada por uma mãe que segurava seu bebê de apenas um mês de idade. Muito sensato que sou, não me manifestei nem fiz festa na criança, apenas observei a bonita cena. A senhora super conveniente que sentava ao meu lado, por outro lado, não pensou duas vezes para importunar aquela pobre mãe:

velha: que bonitinho! tem quanto tempo?
mãe: um mês.
velha: é menininha, né? claro, tá de rosa!
mãe: aham.
velha: ele é prematuro?
mãe: sim, nasceu de oito meses.
velha: bem que eu vi! sabe que o filho do meu sobrinho também nasceu de oito meses e era bem pequeno que nem o seu.
mãe: aham.

Só pelas respostas secas da mãe, foi óbvia a invasão cometida por parte da senhora. Sem nenhum “semancol”, a velha continuou com as pequenas alfinetadas e disse, com aquela sabedoria que toda vó tem, “ele tá meio tortinho!”, referindo-se a posição do bebê no colo daquela mãe. Eu levei as mãos ao rosto em sinal de desaprovação a exclamação tão inoportuna feita pela velha. A cara da mãe não pode ser descrita em palavras, mas creio eu que possa ser imaginada. Fica a critério da criatividade de vocês.

Nem bem passara por aquela situação super agradável, fui chamado para receber minha vacina. Entrei na sala e esperei, com aquele pingo de nervosismo ainda misturado com a vergonha alheia do diálogo o qual acabara de escutar. Séculos depois (5 minutos potencializados pela situação) a enfermeira entra segurando aquela ferramenta malígna e pede para que eu mostre o braço esquerdo. “Mas que cara feia é essa?” perguntou ela, referindo-se ao meu pavor. Eu já branco, respondi que não era muito familiar a agulhas.

Mal fechei os olhos (tá, admito, sou fiasquento que nem minha mãe), tudo já havia acabado. Senti apenas uma picadinha. Exatamente como na descrição piegas dos médicos antes de aterrorizar enfiar uma agulha em alguém.

Antes de partir, tive vontade de perguntar se existia algum tipo de vacina contra VC (velhas chatas), mas ponderei a piada para não parecer ainda mais estúpido. Saí do posto esfregando o braço esquerdo tentando diminuir a dor inexistente naquela região. Coisas do psicológico. Parti com a missão cumprida, com mais uma nova história pra contar, e com a sensação de que, mais uma vez, havia feito uma cena ridícula.

Pelo menos não fui o único!

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Remédio pra olho… do cu

Março 14, 2008

Há certas coisas que só eu ouço. Incrível!

Hoje voltei a perambular pelo calçadão da cidade - culpa do desemprego - para comprar um par de óculos novos, já que os antigos estão bem surrados.

Explico. Ainda não contei que certa vez fui ajeitar os óculos no rosto e simplesmente ele se desmanchou na minha mão. Como sem óculos não enxergo nem minha própria sobra, fui obrigado a solucionar o problema de forma rápida e eficiente, a resposta: um pedaço de Durex!

No final das contas paguei 20 reais para que o óculos fosse consertado. Pra uma pequena solda, um valor significativo. Mas o pior preço que eu poderia pagar era justamente a situação de andar pela rua com um óculos consertado com Durex.

Como não pretendo passar por situação semelhante nas “Oropa” , decidi fazer uma armação nova. Pois bem, me dirigi a uma ótica e tratei com a balconista que havia me atendido na tarde de ontem (sim, consumidor que se preze faz pesquisa de preços).

A moça-quase-senhora foi muito simpática. Mostrou diversos modelos, deu altas explicações. Ótimo atendimento, mesmo. Só que a moça-quase-senhora é daquelas pessoas que não têm papas na língua para qualquer assunto que seja. Pelo menos foi o que pareceu. Já entenderás!

Experimentando diversas armações, algumas bizarras, me divertia bastante. Por vezes me matava rindo. Acabei me empolgando e nessa afobação pisei no pé da minha mãe. Coisa leve, mas suficiente para iniciar o assunto fungo nas unhas e supostos remédios - situação pela qual minha mãe passa no momento (e ela me mata se souber que divulguei isso).

Em meio a essa conversa super legal, a moça-quase-senhora conta que também possui problema semelhante. A mãe está gastando uma fortuna com um esmalte especial pra esse tipo de tratamento. A moça-quase-senhora, não. Em tom de suspense, com toda sua sabedoria popular, ela confessa que usa Creolina no tratamento de seus fungos.

Até aí, normal. Eu acho! O que me chamou atenção foi o segundo uso da Creolina pela moça-quase-senhora. Seguindo o rumo da conversa, a mãe lembrou, com uma certa cara de nojo, de um cidadão que utilizava o produto no rosto para a remoção de verrugas.

Foi então que a mulher, muito discretamente, aproximou-se de nós com aqueles olhos de certeza e disse: “sabe pra que mais eu uso Creolina? Eu TOMO Creolina todas as manhãs como um copo de leite pra combater as HEMORRÓIDAS!”.

As hemorróidas disse ela. Eu, dentro de uma ótica, não pude deixar de fazer a associação com “olho do cu”. Bizarro, eu sei. Mas inevitável.

A mãe, naquela situação meio constrangedora, ainda me pergunta se o “tratamento” funciona, e a moça-quase-senhora, num tom de superioridade médica afirma: “Funciona! Funciona que é uma beleza! Três gotinhas no leite e tu nem sentes!”.

Olha, se funciona mesmo, eu não sei! Pode até ser que a Creolina seja uma revolução no tratamento das hemorróidas. Mas a última coisa que eu quero saber de uma atendente de uma loja é com que produtos ela trata os danos do seu cu! Fungos, ainda vá lá, mas hemorróidas? Sério, me poupe!