Esses dias estava pesquisando sobre doenças contra as quais devemos nos vacinar. Não por uma questão de ser ou não hipocondríaco, mas porque queria saber se havia necessidade de algum tipo de vacina específica para viajar pro exterior. Pra Irlanda não há! Mas eu preferi me vacinar de qualquer forma.
Aliás, vou utilizar meu espaço no blog para pedir aos leitores que se informem sobre o assunto. Aqui o calendário de vacinação do adulto e do idoso do Ministério da Saúde! Fica aí a dica. Chico também é responsabilidade social!
Conforme consta no calendário, pessoas acima de 20 anos devem receber as vacinas dT (Dupla tipo adulto), Febre Amarela e SCR (Tríplice Viral), contra Difteria e Tétano, Febre Amarela (dã) e Sarampo, Caxumba e Rubéola, respectivamente.
A Triplice Viral eu já havia tomado na Embrapa ano passado, então não havia necessidade. A dT eu não tomei e nem tenho pretensão de tomar. Resta a da Febre Amarela. Foi contra a dita cuja que resolvi me vacinar.
Não que a dT não seja importante. Se eu não precisasse, não tomaria nenhuma delas. Ignorância minha, eu sei. Mas é que a gente sempre vai adiando qualquer tipo de compromisso relacionado a saúde. Ou eu tô mentindo?
A situação é que eu realmente optei por me vacinar contra a Febre Amarela porque alguns países fazem essa exigência aos estrangeiros antes de permitir sua entrada. E eu, mais novo viajante do pedaço, não tô com a mínima vontade de ser barrado ou deportado. Já basta a Espanha, né!
Outro motivo que me fez tomar essa precaução foi o livro “O Médico Doente“, do Dr. Dráuzio Varella. Depois de ler um relato bastane minucioso dos efeitos da doença, principalmente vindo de um médico, fiquei um pouco, digamos, impressionado.
Toda essa introdução para dizer que hoje, finalmente, fui ao Posto de Saúde.
Para quem interesse, a vacina é dada gratuitamente todas as terças e sextas, das 14h às 20h. Eu havia ido lá ontem. Mandaram retornar hoje. Foi o que fiz.
Pra começar, me entupiram de papel. Tá, mentira. Mas me entregaram outra carteira de vacinação porque a antiga, na qual constava a Tríplice Viral, não estava assinada. Uma burocracia, no mínimo, cretina!
Sentei na cadeira e fui respondendo as informações que a enfermeira pedia. As perguntas boiavam na minha cabeça como se uma voz gritasse ao longe. O foco da minha atenção era o choro das crianças recém vacinadas. Tá, eu sei que são apenas bebês, e que bebês costumam chorar. Mas comecei a ficar meio nervoso. Não sou muito adepto de injeções, assim como 99,9% da população.
Fui orientado a esperar na fila. Foi quando o nervosismo bateu de vez. Eu sei que não dói. Mas é de família. Minha mãe mesmo, desmaiou enquanto realizavam o teste do pezinho num Francisco recém nascido, lá nos idos de 1987. Claro que não sou assim tããão fiasquento. Mas longe de mim ser um indivíduo calmo e tranqüilo.
Em meio a crise, nem olhava para o movimento do posto, só pensava em ficar mais calmo. Foi quando tive minha atenção desviada por uma mãe que segurava seu bebê de apenas um mês de idade. Muito sensato que sou, não me manifestei nem fiz festa na criança, apenas observei a bonita cena. A senhora super conveniente que sentava ao meu lado, por outro lado, não pensou duas vezes para importunar aquela pobre mãe:
velha: que bonitinho! tem quanto tempo?
mãe: um mês.
velha: é menininha, né? claro, tá de rosa!
mãe: aham.
velha: ele é prematuro?
mãe: sim, nasceu de oito meses.
velha: bem que eu vi! sabe que o filho do meu sobrinho também nasceu de oito meses e era bem pequeno que nem o seu.
mãe: aham.
Só pelas respostas secas da mãe, foi óbvia a invasão cometida por parte da senhora. Sem nenhum “semancol”, a velha continuou com as pequenas alfinetadas e disse, com aquela sabedoria que toda vó tem, “ele tá meio tortinho!”, referindo-se a posição do bebê no colo daquela mãe. Eu levei as mãos ao rosto em sinal de desaprovação a exclamação tão inoportuna feita pela velha. A cara da mãe não pode ser descrita em palavras, mas creio eu que possa ser imaginada. Fica a critério da criatividade de vocês.
Nem bem passara por aquela situação super agradável, fui chamado para receber minha vacina. Entrei na sala e esperei, com aquele pingo de nervosismo ainda misturado com a vergonha alheia do diálogo o qual acabara de escutar. Séculos depois (5 minutos potencializados pela situação) a enfermeira entra segurando aquela ferramenta malígna e pede para que eu mostre o braço esquerdo. “Mas que cara feia é essa?” perguntou ela, referindo-se ao meu pavor. Eu já branco, respondi que não era muito familiar a agulhas.
Mal fechei os olhos (tá, admito, sou fiasquento que nem minha mãe), tudo já havia acabado. Senti apenas uma picadinha. Exatamente como na descrição piegas dos médicos antes de aterrorizar enfiar uma agulha em alguém.
Antes de partir, tive vontade de perguntar se existia algum tipo de vacina contra VC (velhas chatas), mas ponderei a piada para não parecer ainda mais estúpido. Saí do posto esfregando o braço esquerdo tentando diminuir a dor inexistente naquela região. Coisas do psicológico. Parti com a missão cumprida, com mais uma nova história pra contar, e com a sensação de que, mais uma vez, havia feito uma cena ridícula.
Pelo menos não fui o único!


Há certas coisas que só eu ouço. Incrível!
Se existe uma coisa que eu detesto é a maldita cultura popular de ligar na porra dos três segundos “pra não gastá”. Claro que eu detesto muito mais coisas, porque eu a-d-o-r-o reclamar. Mas os malditos três segundos são tão insuportaveis que exigem um pouco da minha atenção. Coisa de alguns minutos.
Porém, na primeira etapa da missão, tive minhas atenções desviadas. Ao retirar a caixa do Super Nintendo do guarda-roupas não me contive. Fiquei namorando aquelas fitas, relembrando os campeonatos e as reuniões de vizinhos em função dos jogos, e pensei “uma fase só, que mal tem?”. Que mal, pensei eu… pobre animal.

