Arquivos para Maio 21st, 2008

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Herbie

21 21UTC Maio 21UTC 2008

Alguem ai lembra do Herbie?

Pois olhem o que eu achei no estacionamento do Dunnes onde trabalho:

So uma palavra: FODA!

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Work Mates

21 21UTC Maio 21UTC 2008

So porque esqueci de comentar que, além da estranha presença arábico-africana, também conto com uma vertente de colegas mais “amigável”: os poloneses ou “polish”.

São alemães grandes, mau encarados e estúpidos que encontram-se em TODO lugar! Quando todos eles sentam a mesa na hora do intervalo, posso visualizar um deles tirando uma metralhadora de algum lugar escondido e nos mandando pra algum campo de concentração mais próximo.

Medo!

Pior que eu nao sei o que e pior: olhar pra cara mau encarada dos polish, ou ouvir o radio INSUPORTAVEL do ingles-sem-dente a noite inteira. Agora, mais do que nunca, eu odeio “tunts”!

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Laborando

21 21UTC Maio 21UTC 2008

Como havia dito no post passado, arrumei um trabalho aqui na Irlanda. Não é um emprego que se diga: “ó, mas que belo emprego” ou “que bonito estás hoje, Francisco! Estás indo trabalhar?”. Mas dá pro gasto e ainda paga minhas contas!

A empresa que me acolheu foi a Dunnes. Uma rede de hipermercados parecida com Nacional, Carrefour e similares. É um local bem legal pra se começar. Paga bem e te dá horas semanais suficientes pra que possas juntar uma boa grana. Só é meio longe, mas não tenho do que reclamar.

Minhas tarefas resumem-se a mover produtos de uma prateleira a outra e/ou reabastece-las. “Francisco, vai ao setor de azeitonas, anota os produtos que estão faltando, e busca lá no estoque.” Daí lá vai o Francisco, bem feliz e contente, pegar as azeitonas.

L-ó-g-i-c-o que eu não trabalho só com azeitonas! Também trabalho em setores SÚPER importantes.

Já trabalhei com salgadinhos, ketchup e molhos em geral, óleos e papel higiênico. Este último em particular, é o mais legal porque, apesar do volume, se tem bem menos peso pra carregar. E eu adoro produtos de banheiro. Depois dos de papelaria, né!

Ruim mesmo seria trabalhar no pólo norte (leia-se qualquer setor que tenha freezer), ainda mais a noite!

Pra quem interesse saber, meu turno de trabalho é das 10 da noite às 5 da manhã. Imagina… se a noite normalmente já faz frio, com a cabeça enfiada na pizza congelada seria muito pior.

Ainda bem que o tempo passa rápido. Logo, a 1 hora da matina, chega o intervalo e eu me farto com muitos lanchinhos.

Feitos em casa, c-l-a-r-o.

Eu, agora um simples proletário, não posso estar me dando ao luxo de estar gastando com bobagens rua a fora (telemarketing pride). Hello-ou, economia é a chave para a fortuna!

Admito, filosofia barata! Mas que a economia por aqui é a chave para se poder viajar, isso é! E eu quero viajar. MUITO! Por isso vou precisar de MUITA economia, mesmo!

Tá certo que da Jéssica não vou ganhar nessa disputa, porque ela já é PHD em barateios.

As gurias aqui da casa contam que quando vão ao super, ficam loucas pra comprar um bife bem suculento. Daí lá vem a Jejé e corta o barato: “gurias, que horror, olhem o preço disto. Tá muito caro! Olha aqui o preço do hambúrguer, bem mais em conta!”

Daí a vaca sai voando, e elas ficam só no se querendo mesmo.

E eu me mato rindo.

ha… ha… ha…

er… hum… (recompondo-se)

Tá, mas voltando ao assunto emprego.

O ambiente é bom pro aprendizado do inglês porque de brasileiro só tem eu e mais dois. Um de Pelotas por sinal. Aliás, foi ele quem me indicou esse emprego. Tô até devendo uma pint (cerveja) pro cara. Enfim…

Daí, como mal tenho contato com meus conterrâneos durante o expediente, converso com os meus outros colegas. Poloneses, paquistaneses, franceses, chineses, coreaneses, africaneses… Enfim, tem de tudo que é tipo.

Esses dias eu tava conversando com um marroquino. Não entendo metade do que eles falam porque o sotaque é muito forte. Mas foi bem legal trocar uma idéia com o cara. Ele até me ensinou a contar em “marroquinês”, mas assim como o nome da língua, eu já me esqueci dos números também.

Ah! Falando nisso. No dia da minha entrevista pra esse emprego aconteceu uma coisa engraçada. Eu tava sentado esperando, quando de repente chega um rapaz com a camiseta do Brasil. Minha primeira reação foi puxar uma conversa: “e aí… também veio fazer a entrevista?”.

O rapaz, com uma cara de cu com cãibra me olha, e sem entender nada responde: “uga bugabuga xuga luga”. Ou seja, o cara não era brasileiro e começou a falar numa língua bizarra que eu nunca tinha escutado na vida. Fiquei meio constrangido, me virei e continuei esperando em silêncio. Dã!

Num outro dia, na parada do Luas (metro, trem, whatever…), estávamos eu, os outros dois brasileiros, mais um africano não-sei-daonde, um paquistanês e uma mulher da Estônia, se não me engano. Pra começar as bizarrices, a mulher tem 36 anos e é avó. Tipo, nada contra. Acho até legal. Mas que é estranho, é!

Depois, me vem o paquistanês dizer que casou com uma mulher há 3 meses, sem ter a conhecido antes. Casamento arranjado pela família. E como se isso não fosse suficiente, ele casou, e veio pra Irlanda logo em seguida e deixou a mulher por lá. Vai entender.

Além disso, o cara não pode ver a própria mulher nua NUNCA. Sexo, só no escuro. Oi? Como assim, Bial? E o pior é que ele ainda gosta! Disse que prefere uma mulher tapada de burca até os pés.

Sem contar que ele reza 5 vezes virado pra Meca, não come porco etc. Coisas que a gente ouve falar, mas que são muito mais chocantes quando ouvidas diretamente de um praticante.

E o que mais me deixou chocado e que ele nao pode ouvir MUSICA. Meu, serio… Eu morria!

Até respeito, mas não consigo compreender e muito menos concordar em certas limitações extremas ditadas por uma religião.

E como se não bastasse, o africano que estava junto ainda me diz que eu deveria acreditar em um Deus (em qualquer um), porque não crer em nada é perigoso. Segundo ele, o mundo está dominado pelo “Devil” e, se queremos paz, precisamos encontrar Jesus, que irá retornar (barulho de trovão). Praticamente um sermao de missa de domingo.

Pros caras, a América é o lugar do demônio. Lugares como Vegas, Califórnia e Nova York, então, são antros de perdição. E, pasmem, ele chegou a me dizer que a nota de 1 dólar tem o olho do demônio impresso em uma escala microscópica. Oi? Que tipos de filmes conspiratórios ele andou assistindo?

Pra finalizar com chave de ouro, eles me afirmaram que Deus julga as pessoas sempre, e que as manda pro inferno ou pro céu dependendo de suas ações na terra. Sem opiniões a respeito dessa afirmação. O ponto principal é que o paquistanês havia me dito minutos antes que, se sua mulher o traísse, ele a mataria e mataria também o homem com quem ela havia tido relações. Meu, coerência naonde?

Pois bem. Essa é uma pequena amostra dos meus simpáticos e amigáveis colegas. Tirando as posições TOTALMENTE contrárias de opinião entre eu e eles, a gente se dá bem. São caras super tranqüilos e amigáveis, que sempre te dão uma força quando podem. Até caras de apáticos eles têm.

Meu único medo é que um deles exploda nas minhas fuças. Daí sim a casa cai. E o resto todo tambem! :p