Arquivo de Junho, 2008

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God Save The Queen

20 20UTC Junho 20UTC 2008

Seis e meia da manhã de uma sexta-feira. Mais uma noite acordado em função do trabalho e dormir não era uma possibilidade. O avião decolaria às 9:15, mas o check in deveria ser feito necessariamente com 40 minutos de antecedência.

O tempo era curto! Tomar café, imprimir papéis referentes ao vôo, passar na escola pra entregar um documento e ainda pegar o ônibus em direção ao aeroporto. Coisas aparentemente simples, mas que se transformam em eventos gigantescos devido as distâncias.

Estávamos eu e o Guto, correndo contra o tempo. Ou junto dele! Ir para o aeroporto era a mais complicada das tarefas. Ônibus pra lá não se encontra em cada esquina, e a viagem duraria em torno de 40 minutos. Mas no final das contas deu tudo certo. Chegamos na parada no momento certo e partimos.

Nesses quarenta minutos o sono ainda não tinha começado a se manifestar. Havia uns mexicanos no ônibus, também indo para Londres, que começaram a puxar assunto. Falaram das mochiladas que estavam fazendo, das cursos na espanha etc. Tudo em português, porque o cara falava muito bem. Nós é que não sabíamos porra nenhuma de espanhol.

Chegando no aeroporto foi tudo muito tranquilo. Deu até tempo de tirar uma cochilada num sofá qualquer. Claro, deu tempo, mas não deu vontade. A ansiedade falou mais alto!

No embarque, como não poderia ser diferente, revistaram a MINHA mochila e jogaram fora MEU desodorante novinho. “Isso daqui não pode!”, disse a vadia. Entendo que é questão de segurança, regras, etc. Mas mesmo assim fiquei indignado. Pelo menos cinco gerações da mulher foram amaldiçoadas por mim depois desse evento.

No vôo, sim, momento de recuperar o sono! zzzzzzz

Chegando em Londres, a empolgação não poderia ser maior! Pegamos mais um ônibus, dessa vez até o centro londrino. Mais 90 minutos. Nesse momento o sono pegou pesado. Eu preferi ficar de olhos estalados, tentando olhar tudo que estivesse ao meu alcance. O Guto se entregou.

Descemos na parada da Victoria Station, e tomamos um susto. Gritos escandalosos surgiam de algum lugar que eu ainda não tinha discernimento pra identificar devido ao cansaço da viagem. De repende surge uma cabeça loira em minha direção, pulando, gritando, esperneando e sapateando. Ninguém menos que a mazanza mór, Nathalia.

Depois de todo o escândalo, fomos até a casa dela largar as coisas e então partimos, finalmente, para o turismo. O roteiro já tava esquematizado há semanas pela Nathalia.

A primeira coisa que fizemos foi andar de Tube. O clássico e histórico metro de Londres. Nada de grandes diferenças com relação a outros metros que já havia andado, a não ser pelo fato de ESTAR em Londres, perfurando o subsolo daquela maravilhosa cidade!

Por um momento tive um mínimo medo de estar ali, onde atentados já haviam acontecido, onde um brasileiro já havia morrido. Bobagem, eu sei! Mas a insegurança de saber que não há latas de lixo nas estações de metro exatamente para evitar que outros eventos similares aconteçam, remetem a essa possibilidade.

Foi um pensamento rápido, porém estranho. Passou logo, porque havia muito mais coisas legais pra ocupar o cérebro!

No primeiro dia passamos pela estação do Harry Potter, pelo Picadilly Circus – centro de Londres. Encontramos a brasileirada amiga da Nathalia em um pub, e fomos no Big Ben!

Nesse, especialmente, fomos duas vezes. Uma de dia e uma de noite. Merece! Não tem como dizer em qual momento ele é mais bonito. E visto de cima, então… Coisa que só o “flight” no London Eye proporciona.

Nossa idéia, depois de todo o turismo na região, era aproveitar a balada londrina. Nunca deu certo! O cansaço era sempre maior. Totalizando, eu e o Guto dormimos cerca de 10 horas nos quatro dias que ficamos em função dessa viagem. Foi difícil, mas valeu muito a pena.

O segundo dia, foi o dia mais proveitoso. Começamos com um legítimo English Breafast. Gordo, não saudável, mas muito gostoso. Ou isso foi no terceiro? Nada mais me lembro! Nada-mais-me-lembro! Too much information!

Lembro, que nesse dia fomos no Bin Ben novamente. Andamos no London Eye, como já havia falado. Trafalgar Square. Tower Bridge.

E legal que perto da Tower Brigde havia uma luneta gigante que dava pra ver Nova York ao vivo, e vice-versa. Não olhamos porque a fila era grande e tínhamos um cronograma apertado. Mas deu vontade!

No caminho para esses passeios, passamos por um lugar com uma muvuca de pessoas. Foi onde tivemos oportunidade de tirar fotos com os guardas reais, os carros etc. Os caras estavam ensaiando, apenas ensaiando, para o aniversário da Rainha na próxima semana. E olha que só pro ensaio o evento já era pomposo!

Pelo menos um dos guardas nos disse que era isso!

A noite, “janta” no Hard Rock Café. Nachos! Se eu soubesse que Nachos era tão bom, já teria comido a mais tempo!

E pra finalizar o dia, nos perdemos na volta pra casa! Uhuul! Chegamos em casa 3 da manhã, pra acordar às 7 no outro dia. Tá, às 8. Oito e meia e não se fala mais nisso! hehehe

Acabando nossa viagem, reservamos o dia de domingo para acompanhar a troca da guarda real (ou a troca da rainha, como chamávamos), e visitar os lugares que faltavam. E que continuaram faltando! A “troca da rainha” é um “teatrinho” que encanta! Não há piruetas, nem lança-chamas, nem nada. É a banda, tocando musiquinhas, marchando etc.

Mas é a BANDA REAL, a GUARDA REAL, de uma monarquia real, em uma tradição que acontece há sei lá quanto tempo!

Engraçado que até a música do Indiana Jones eles tocaram!

Bom, mas chega de troca de guarda. Vamos trocar de assunto! Hein, hein…

De lá partimos para A viagem. O Guto, um dia tenista, quis ir até Wimbledon. E lá fomos nós. Cinquenta Tubes, trinta ônibus, e 40 horas. Na minha escala exagerada, isso foi o necessário pra chegar ao estádio, localizado nas pregas do cu de Londres.

Perdemos muito tempo nessa brincadeira. Mas, como sempre disse e sigo dizendo, tudo foi muito válido. Nos divertimos a beça, rimos como loucos, caminhamos como andarilhos e, por isso, conhecemos pequenos lugares que, mesmo simples, foram válidos até o último calo do pé.

Terminamos a noite (porque já era noite quando fomos embora) na Pizza Hut. Aliás, o que mais comemos nessa viagem foi fast food. Impressionante!

Neste momento o esgotamento estava beirando o limite. E ainda assim fomos para o centro TENTAR aproveitar alguma noitada da cidade. Claro que deu errado!

No final das contas chegamos em casa tarde o suficiente pra nos proporcionar apenas UMA hora de sono entre o final desse dia e o inicio do próximo.

A despedida foi chata, como qualquer despedida. Três dias não são suficientes pra matar as saudades de uma grande amiga, e muito menos é tempo suficiente pra conhecer tão bela e grande metrópole quanto Londres.

Mas despedir-se é um mal necessário. Então partimos. Cansados, podres, exaustos, porém satisfeitos.

A viagem de volta foi aproveitada ao máximo para pôr o sono em dia. E naqueles breves momentos de lucidez, serviu pra mentalizar de uma vez por todas a vontade de seguir me cansando por esse mundo aí fora.

Londres, me espera que eu ainda volto. E o resto do mundo que me aguarde!

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The Cliffs

15 15UTC Junho 15UTC 2008

São 3h30 da manhã e não faz muito que acabamos de chegar de viagem. Foi um dia cansativo, mas mega válido. Colocamos o pé na estrada pra valer, com o gostinho de roadtrip mais verdadeiro possível. Hoje, com certeza, renovei minha carteirinha da Funai!

O programa de índio já começou antes mesmo da viagem: a falta de sono. Saí do trabalho às 5h30 da manhã direto pra viajar, ou seja, de virada!

Não que eu esteja reclamando, adoro uma indiada! ;)

Logo depois de terminar o texto da última postagem, fomos correndo para a locadora de veículos retirar o carro reservado. Éramos 5: eu, Jéssica, Dani, Karina (housemates da Jéssica) e Tiago (meu colega de trabalho).

Chegamos na locadora por volta das 10 horas, mas só conseguimos retirar o carro ao meio dia. Acreditem ou não, foi preciso enfrentar uma fila no local, o que fez com que o processo demorasse mais.

A Jéssica, que organizou toda a questão da locação, foi quem retirou o carro, junto com a Karina e um amigo delas maior de 25 anos (jeitinho brasileiro pra deixar o aluguel mais barato).

Eu, Tiago e Dani ficamos esperando numa escadaria do outro lado da rua.

Ao vermos o carro que iríamos viajar ficamos chocados. Havíamos alugado um Golf, um dos carros mais baratos. Mas acontece que não havia mais nenhum disponível, então a seguradora aumentou 3 níveis do carro de graça. Acabamos saindo de lá com um Mondeo praticamente zero.

A responsabilidade pesou e logo o medo foi dando as caras. “Ai, gente… acho melhor a gente ir pra um lugar mais pertinho, tomar um chimarrão… essa história de viajar pra longe com esse carro tá complicada”, disse a Jejé. Não havia como não concordar com isso. Muita responsabilidade, mesmo! Mas, mesmo assim, optamos por viajar. O espírito aventureiro falou mais alto!

E adivinhem quem foi o motorista?

No inicio foi tudo muito estranho. É muito detalhe pra se prestar atenção ao mesmo tempo: GPS, rodovias, mão ao contrário, sinalização… O pior foi a troca de marchas. Muitas vezes meti a mão na porta em reflexo ao jeito “normal” de se dirigir. Mas logo a gente se acostuma.

E já nesses 5 minutos de testes passo com o pneu dianteiro esquerdo por uma “cratera” na rodovia. Por um momento pensamos que o pneu havia furado. Mas isso não aconteceu.

Aconteceu pior. Explico mais a frente!

Nos dirigimos em direção a Galway, a tal cidade localizada a umas 3 horas de Dublin. O GPs bêbado se perdia de vez em quando, mas foi muito útil. Nossa viagem se deu tranqüila. Algumas bobeadas, algumas perdas de sinal, mas nada de grandes problemas.

E já no estágio inicial, houve mudanças de planos. Alguém nos falou de uns tais Cliffs, uns penhascos que ficavam perto da cidade onde estávamos indo. Como não tínhamos roteiro, e não sabíamos exatamente o que veríamos lá, optamos por mudar de direção e ir para The Cliffs Of Moher – localizados numa tal de County Clare.

Paramos em um restaurante de estrada. Comemos para podermos então seguir caminho. Foi quando nos deparamos com os reflexos do buraco que antecedeu a viagem. Um pneu vazio e um aro amassado.

Pra quem não sabe, esses carros de hoje em dia possuem pneus radiais, ou seja, pneus sem câmara de ar. Quando um prego fura esse tipo de pneu, ele não estoura, mas vai esvaziando aos poucos. Isso dá tempo pro motorista rodar mais um pouco. O mesmo acontece se o aro amassa. Como não há câmara, qualquer deformação pode ocasionar perda de ar. Foi o que aconteceu.

E o pior é que o estepe dos carros aqui é um mini estepe que só serve de quebra-galho. Muito engraçado. Ele é bem fininho e só suporta 80 km/h de velocidade (o que numa free way não dá, né!).

Então estávamos fodidos. Sem estepe, sem borracheiro, sem nada (aliás, cadê os borracheiros, os postos de gasolina e as bombas de ar desse país?).

Por esse motivo pensamos em desistir e voltar para Dublin. Mas guerreiros que somos, e bons membros da Funai, optamos por arriscar e continuar a viagem. Enchemos o pneu, e torcemos para que ele esvaziasse o mais devagar possível!

“Great sucess!” :)

Levamos horas pra chegar na porra dos penhascos, mas valeu a pena. O lugar é lindo! E como se não bastasse, todo o caminho percorrido pra se chegar lá, também. Parávamos em toda construção antiga que avistávamos para tirar fotos.

Engraçado que todo interior que percorremos é asfaltado. Nada de estrada de terra. Tá certo que as estradinhas eram medonhas e cabulosas, muitas vezes sem espaço para dois carros. Mesmo assim o nível é completamente diferente!

Senti como se estivesse num daqueles filmes de grandes paisagens naturais.

Na volta, não tive condições de dirigir por causa do sono. Voltei dormindo e o Tiago assumiu a direção! Viagem tranqüila, mas com o problema do pneu sempre em mente!

Agora o carro tá lá, na rua, esperando pelo sol da manhã pra ser levado de volta. E nós torcendo pra que o pneu resista essas últimas horas firme e forte. Assim como nós o fizemos contra todos os contratempos que apareceram!

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Pé na estrada

14 14UTC Junho 14UTC 2008

Eu tava me programando pra escrever hoje sobre a viagem de Londres mas, como a vida aqui não tem rotinha nenhuma, os planos já mudaram.

Hoje, novamente, estou pondo o pé na estrada. Dessa vez para uma cidade mais próxima e menos conhecida chamada Galway. Neste momento estou na casa da Jéssica esperando as gurias se arrumarem. Pontualidade zero. :(

A viagem se resumirá ao dia de hoje, simplesmente. Mas será diferente das outras porque será uma viagem genuinamente roadtrip. Alugamos um carro, um GPs, e estamos a mercê das rodovias irlandesas.

Não sei ainda o que nos espera. O sol tá brilhando forte tornando o dia muito propício pra viajar. Não sei se o lugar compensa. A minha certeza é que as risadas e a diversão tão garantidas.

E a minha abstinencia de direção tá chegando ao fim! Eeeeee!

Na volta comento quais as impressões de dirigir na mão contrária! hehehe

Fui que tão me apressando! Até!

 

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NEWS, NEWS, NEEEEWSS

12 12UTC Junho 12UTC 2008

TÔ COM INTERNET EM CASA! NEM A-CRE-DI-TO! Uhuuuuul!

Contem com numa presença mais freqüente a partir de agora! ;)

Mas não a partir de agora, neste momento, porque tenho que me arrumar pra trabalhar! :P

Sério, tô muito emocionado! Roubar sinais wireless de Mac Donald’s, nunca mais!