A relação entre o ser humano e seu animal de estimação é algo muito forte. Há quem não compreenda, há quem repreenda. Mas essa ligação existe, e só quem realmente ama/amou incondicionalmente seu companheiro(a) sabe do que estou falando.
Uma vez, quando criança, um dos meus vizinhos me indagou sobre minha preferência entre meu computador e minha gata – se eu pudesse manter apenas um, qual escolheria. Mesmo em uma época em que jogos eletrônicos eram a diversão do momento, minha resposta ligeira foi uma: logicamente, a gata.
Aquela situação ficou bastante marcada na minha cabeça até hoje. Não só a situação, como a reação indignada dos vizinhos a minha resposta. Mesmo sendo aquela uma pergunta de uma criança para outra, foi algo que me fez pensar durante anos a fio.
Hoje, daqueles vizinhos presentes, praticamente todos têm animais de estimação, e acredito eu, portanto, que hoje eles entendam o significado da minha resposta.
Um animal de estimação, mais especificamente no caso de um gato, não é apenas um “bicho” imprestável que come, solta pêlo e faz cocô. É um companheiro, é um amigo fiel.
Há quem pense que os gatos são traiçoeiros e egoístas. De certa forma eles são bem independentes, sim. Mas nem por isso deixam de demonstrar o quanto nos amam e o quanto curtem a nossa presença.
De qualquer forma, a questão do que quero dizer não é essa. Cada animal tem uma personalidade diferente e age de maneira diferente, independente de ser um gato, um cachorro ou um passarinho. A questão é que o animal deixa de ser um apenas um “bicho” e passa a ser um membro da família.
Ontem terminei de ler o livro Marley & Eu, sobre um dono e sua convivência com – na opinião do autor – o pior cão do mundo. Na minha percepção, nada do que fora escrito sobre Marley era algo excepcional. Muitos dos cachorros de amigos e parentes se comportam de maneira muito pior.
O que realmente chamou minha atenção é que, independente da similaridade com outros cães, aquele foi único para aquela família. E nos 13 anos de convivência, mesmo com toda o estresse que causava, Marley foi especial.
Da mesma forma com que uma gata, a minha gata, é especial. O pêlo dela pode atacar minha rinite alérgica. Ela pode roubar todas as minhas borrachas e bagunçar o lixo. Ela pode miar e me impedir de estudar na véspera daquela prova difícil. Ela pode ser igual a qualquer outro gato que existe na face da terra. Não importa. Pra mim, pra minha mãe, ela é mais que um gato. Seu comportamento e o amor que ela demonstra por nós supera a barreira da comunicação entre duas diferentes espécies animais – humanos e felinos.
Ontem ela completou 10 anos de existência. Dez anos me fazendo rir. Dez anos me irritando. Dez anos fazendo um cocô muito fedorento. Dez anos fazendo parte da família.
E como o tempo vôa! Parece que foi ontem que minha tia a trouxe em uma caixa de papelão, pequena, tímida. Parece que foi ontem que ela ficou perdida por dois meses no meio do mato. E parece que foi ontem que chorei por causa disso. Parece que foi ontem que ela teve sua primeira e unica cria.
Assim como Marley fez falta pra essa família, ela vai fazer falta na minha em alguns anos. Difícil pensar nisso. Mas a inevitável certeza da vida, a inevitável perda, é sempre compensada nos inúmeros ganhos ao longo dessa existência. Dos ganhos e aprendizados que vieram e dos que ainda estão por vir.
dormindo no inverno…
mexendo em alguma coisa…
Simples assim: amo!





