Arquivos para a Categoria ‘Bizarro’

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Pergunta

4 04UTC Abril 04UTC 2009

Por que incomodam as pessoas por um consumo consciente se existem produtos nas prateleiras para um consumo inconsciente?

Fica aí a questão!

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Cidade das Malas

26 26UTC Outubro 26UTC 2008

Dublin não é uma cidade como as outras. Aqui a temperatura é louca, o clima é insano e os habitantes uns malas. E mesmo com esses aspectos negativos, a cidade (talvez o país) intriga quem é de fora, e como o ímã atrai o metal, acaba atraindo muitos visitantes todos os dias.

A ambiguidade é clara: não são só os malas dos irlandeses que compõe a paisagem de Dublin, mas as muitas malas estrangeiras que acompanham seus donos viajantes.
Não confunda! O último caso é literal!

Tem aquele viajante a negócios, com sua mala discreta, equivalente aos seus dias de trabalho. Há os extravagantes, com suas malas coloridas e cheias de penduricalhos. E, claro, não poderiam faltar os verdadeiros mochileiros, que não carregam malas, mas que ainda assim se enquadram na categoria dos desbravadores urbanos.

Seja o tipo de mala, não importa. No centro da cidade sempre se vê diferentes pessoas carregando os mais diversos tipos de bagagens.

Não sei qual a realidade dos outros países Europeus portanto não posso comparar. Acredito que a situação seja semelhante. Mas o que se vê em Dublin chama atenção todo santo dia, porque é impossível sair na rua sem se ver alguém carregando uma mala de rodinhas.

Isso quando não é a própria mala carregando a outra.

Aliás, falando em mala… novidades não tão novas em breve! ;)

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Updates

4 04UTC Julho 04UTC 2008

Hoje resolvi escrever de maneira diferente. Como não tenho tempo para ficar postando no blog toda hora, embora tenha várias coisas pra comentar, decidi fazer um apanhado geral dos acontecimentos. Coisa grande… Queima de cartucho total, eu sei, but… whatever!

Abbey College

Tenho certeza que muita gente vai chegar ao blog através do google pesquisando por essa palavra. Abbey College é o nome da escola onde estudo. É boa? Não! É ruim? Também não!

Aprender inglês na Irlanda, uma vez no país, passa a ser um objetivo em segundo plano. A grande maioria das pessoas vem pra cá pra estudar inglês, e a grande maioria, depois que arranja emprego, começa a redirecionar suas metas. Tem gente que nem a aula vai mais.

Primeiro, porque aqui se convive com MUITO brasileiro. Inglês só no trabalho e nas lojas. Segundo, porque o inglês Irlandês é horrível. É difícil de entender, é errado… bem de interior. E terceiro, porque as pessoas preferem trabalhar pra juntar dinheiro e viajar, ou rembolsar o investimento feito com o intercâmbio.

Essa mentalidade torna o ensino um problema. Muita gente vai à aula só pelo visto – uma vez que para renová-lo é necessária uma presença superior a 85% -, e isso acaba influenciando na forma com que os alunos encaram a aula e, na forma com que a escola encara o interesse dos alunos.

Mas isso depende muito. Depende dos teus colegas e do andamento da aula, e depende do professor. Até o momento tive sorte nesse aspecto. Já passei por três salas de aulas diferentes. Comecei no Intermediate, depois passei pro Upper Intermediate, e agora já tô no Advanced (onde eu deveria ter começado).

A primeira professora era boa, mas era uma égua que só dava coices. Êta mulher bem grossa. A segunda professora era muito simpática. Até demais. Sentia como se estivesse sendo alfabetizado. Agora, na terceira aula, o andamento tá bem melhor. O professor é meio novato no que diz respeito a dar aulas, mas é bom. E a dinâmica de aula é muito melhor. Antes eu terminava os exercícios e ficava esperando horas até que os professores dessem seguimento ao conteúdo, agora, o ritmo é bem mais acelerado e o nível mais puxado.

A estrutuda da escola é boa! Tudo novo e bem cuidado. As aulas são todas guiadas através de apresentações em Power Point. Até o momento recebi materiais novos sempre que mudei de nível e, pelo que me consta, são livros de qualidade.

Um problema na escola é a falta de Internet. Há somente DOIS computadores com Internet para os alunos. Obviamente que nunca estão disponíveis. Outras escolas possuem salas com trocentos computadores e/ou sinal wireless. Nada que comprometa tanto o ensino. Mas, no mínimo, é um retrocesso.

Work

Há um tempo atrás comentei sobre novidades no trabalho, “promoções” (entre aspas) etc. O que aconteceu foi o seguinte: éramos 12 contratados temporários para 3 vagas permanentes. Eu fui um dos escolhidos para uma dessas vagas juntamente com o Guto, o outro pelotense que trabalha lá, e o paquistanes bizarro.

Quando soube que iria ser contratado, aceitei o convite com a vontade de negá-lo. Não que o trabalho seja difícil, bem pelo contrário. Mas é alienante. E trabalhar de madrugada não é uma das melhores opções (apesar de pagar melhor). De qualquer maneira, é esse trabalho que tem pago meu aluguel, minhas viagens e minha futura mochilada. Então tá ótimo!

Mas ainda hei de encontrar um trabalho na área de comunicação!

Outra coisa que me deixou aflito com relação ao trabalho foi que, quando me chamaram, eu não sabia se o Guto havia sido chamado também. E isso era um problema por dois motivos: 1) porque ele havia me indicado e eu me sentiria super mal se eu fosse contratado e ele não; 2) porque ele já estava aqui há três meses e eu apenas há três semanas. Ainda bem que no final das contas ambos fomos contratados (e não me perguntem os critérios dessa seleção porque os 9 restantes tinham BEM mais experiência que nós na arte de arrumar prateleiras).

Ainda no que diz respeito a “promoções”, eu e o Guto fomos chamados para um treinamento de Caixa. Aprendemos como se mexe naquelas bodegas, recebemos material para ler, mas até agora necas de trabalhar sentadinho no bem bom das máquinas registradoras. Dão o doce pra criança e depois tiram! Isso não se faz!

Home Sweet Home

Aluguel aqui não é barato. Um apartamento pequeno de dois quartos não sai por menos de mil Euros. No momento moro num apartamento nesses padrões, e divido-o com mais quatro brasileiros. A coisa é apertada, mas dá pra viver tranquilamente.

Depois de ter me mudado provisoriamente para o apartamento da Jéssica, imediatamente comecei a procurar um cantinho para chamar de meu. Nesse meio tempo, o estresse rolava solto no club da Luluzinha. As gurias, homemates da Jejé, estavam em pé de guerra. Problemas de convivência. Tipo, disputa do quarto azul versus o quarto amarelo, sabe? Daí então eu enxutei elas pra fora e fiquei com o apartamento.

Tá, não foi bem assim! Mas eu quero contar a minha versão mais emocionante dos fatos. :)

Elas se mudaram, eu continuei aqui, e pra cá vieram outros que conheci na minha escola. Um de Santos, um do Mato Grosso e dois do Piauí (os dois últimos já se mudaram, dando espaço a outro piauiense e um catarinense).

E embora essa muvuca de pessoas, sou eu que ponho ordem nesse chiqueiro. Tá, outra mentira. Mas sou eu o chato da casa. Eu que incomodo pela louça lavadinha e guardada. Eu que colo bilhetes pela casa do tipo “puxe a descarga, meu filho! Meu nariz não vem com Bom Ar embutido, não!” Coisa que, aliás, adooooro fazer! hehehe

“Ó! Toma aí, deixaste tuas coisas jogadas! Guarda!” Cara, e como eu adoro ser chato! :)

Aliás, grandes e magníficas descobertas. Além de ser um chato de plantão, sou um ótimo dono de casa! Estou, paulatinamente, aprendendo a cozinhar. Lavo, passo; limpo banheiro, cozinha e apendices. Não consigo ficar parado. Coisas que só a criação da Dona Mirian (minha mãe) faz por você! hahaha

Mas, como tudo nem sempre são flores, algo de ruim tinha que acontecer. No fim de semana em que passei em Londres, fomos assaltados. Sim! Esse tipo de coisa não acontece só no Brasil, não! Entraram no nosso apartamento e roubaram uma televisão, um video game e uma câmera digital. Tudo do mesmo guri! Puta prejuizo! Pensamos em nos mudar, mas acabamos decidindo por continuar aqui. Só que agora a atenção tá redobrada.

A desconfiança é direcionada aos vizinhos. A casa onde moramos, na verdade não é bem uma casa. É um prédio que acomoda cinco flats, cinco apartamentos. Nos três meses em que as gurias moraram aqui, nada similar havia acontecido. Duas semanas depois de nos mudarmos com o equipamento, pimba! Fomos roubados. Alguma hipótese melhor?

De qualquer maneira, agora a situação tá mais tranquila e os olhos mais abertos. Esperamos que o popular ditado seja verdade (pelo menos pra nós), e que esse raio não caia duas vezes no mesmo lugar, porque ficar se mudando não é legal. Além do mais, eu gosto dessa zona, cheia de árvores e perto dos transportes públicos. Mesmo sem super mercado (barato) por perto já me basta.

Travel

Um dos sonhos da minha vida sempre foi fazer uma mochilada pela Europa. Agora, morando na Irlanda, e juntando algum dinheiro, estou a poucos passos (ou meses) de conseguir realizar esse sonho.

Pra inicio de conversa, já fui pra Londres e já fiz road trip na Irlanda. Claro que isso não me basta. Os road trips vão continuar na primeira oportunidade. E as viagens então… Já estão meio encaminhadas.

Agora, final de julho, estarei indo para Paris. Mais um sonho prestes a ser realizado! E em novembro, passagens já adquiridas para Liverpool, no mesmo período em que vai acontecer por lá o Europe Music Awards – uma premiação da MTV para a música européia (e mundial também).

E nesse mesmo período, não sei se antes ou depois de Liverpool, estou programando minha mochilada pela Europa. Minhas aulas terminam inicio de outubro. Até lá, já vou ter juntado uma boa grana pra isso. O roteiro já está em processo inicial. Assim que estiver com ele pronto, as passagens compradas, e o o cronogrâma montado, falo mais sobre isso.

Urtiga

Urtiga é uma palavra que umas colegas de colégio utilizavam para rotular uma pessoa jeca, uma pessoa caipira. Por aqui, estou começando a achar que sou um grande urtigão! Há certas coisas tão banais, mas ao mesmo tempo tão fora da minha realidade, que as vezes sinto como se eu fosse um caipira oriundo do interior do vilarejo onde o diabo perdeu as botas.

Esses dias, voltando do trabalho de táxi, passei por uma dessas situações. Antes, quero abrir um parenteses para explicar que essa situação do taxi é fora do comum, mas, quando somos liberados mais cedo do trabalho, e não há opções de transportes públicos, essa se torna a única saída viável.

Explicado, voltemos!

Embarco no taxi, e procuro pelo taxímetro. Não vejo NADA! Começo a duvidar naquele momento da seriedade daquele motorista. “Será que ele é credenciado pelo órgão regulador dos taxistas da Irlanda? Será que ele vai me cobrar fora dos padrões comerciais normais? Ai, meu Deus? CADÊ a PORRA do TAXÍMETRO?”

Aqui é assim. Cada desespero é potencializado em mil. Ainda mais quando o assunto é dinheiro. Sabe-se lá o que passa pela cabeça dessa gente maluca.

Daí, mais calmo, e com a cabeça mais limpa, olho no espelho retrovisor, e vejo um holograma com uns números em vermelho: fare, time, tax… Comecei a rir alto! COMO ASSIM? QUE COISA MAIS TECNOLÓGICA É ESSA? “Já uso esse sistema há uns cinco anos”, me disse o motorista. Ri mais… de mim mesmo, lógico.

Polish

Se tem uma coisa que irrita aqui são os ploneses. Eu já comentei sobre a raça uma vez no blog. Mas eles são tão insuportáveis que merecem novamente a minha (e a sua) atenção.

Obviamente não vamos generalizar. Mas a maioria dos poloneses com quem trabalho roubam produtos no supermercado, conseguem ser mais grossos e estupidos que os irlandeses, são bipolares e têm um vocabulário limitado a palavra “kurva” (que eu não sei se escreve assim).

“Kurva”, pra quem não sabe, significa a mesma coisa que “fucking” ou, talvez, “essa porra”! “This fucking job”, “Essa porra de trabalho”. Ou, no sentido mais literal, “puta” mesmo! Enfim… É um palavrão! E é a palavra que mais vais ouvir um polonês falar ao encontrares com um: “kasptivisk karyunucy kurva sanibshy, Kurva pushiasky kurva, kurva!”.

Resumindo, eles me irritam. :)

The End

De uma maneira resumida e bem geral, esses são alguns aspectos da minha vida na Europa. Planos, novos acontecimentos e super reviravoltas nos próximos capítulos, não perca! ;)

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The Cliffs

15 15UTC Junho 15UTC 2008

São 3h30 da manhã e não faz muito que acabamos de chegar de viagem. Foi um dia cansativo, mas mega válido. Colocamos o pé na estrada pra valer, com o gostinho de roadtrip mais verdadeiro possível. Hoje, com certeza, renovei minha carteirinha da Funai!

O programa de índio já começou antes mesmo da viagem: a falta de sono. Saí do trabalho às 5h30 da manhã direto pra viajar, ou seja, de virada!

Não que eu esteja reclamando, adoro uma indiada! ;)

Logo depois de terminar o texto da última postagem, fomos correndo para a locadora de veículos retirar o carro reservado. Éramos 5: eu, Jéssica, Dani, Karina (housemates da Jéssica) e Tiago (meu colega de trabalho).

Chegamos na locadora por volta das 10 horas, mas só conseguimos retirar o carro ao meio dia. Acreditem ou não, foi preciso enfrentar uma fila no local, o que fez com que o processo demorasse mais.

A Jéssica, que organizou toda a questão da locação, foi quem retirou o carro, junto com a Karina e um amigo delas maior de 25 anos (jeitinho brasileiro pra deixar o aluguel mais barato).

Eu, Tiago e Dani ficamos esperando numa escadaria do outro lado da rua.

Ao vermos o carro que iríamos viajar ficamos chocados. Havíamos alugado um Golf, um dos carros mais baratos. Mas acontece que não havia mais nenhum disponível, então a seguradora aumentou 3 níveis do carro de graça. Acabamos saindo de lá com um Mondeo praticamente zero.

A responsabilidade pesou e logo o medo foi dando as caras. “Ai, gente… acho melhor a gente ir pra um lugar mais pertinho, tomar um chimarrão… essa história de viajar pra longe com esse carro tá complicada”, disse a Jejé. Não havia como não concordar com isso. Muita responsabilidade, mesmo! Mas, mesmo assim, optamos por viajar. O espírito aventureiro falou mais alto!

E adivinhem quem foi o motorista?

No inicio foi tudo muito estranho. É muito detalhe pra se prestar atenção ao mesmo tempo: GPS, rodovias, mão ao contrário, sinalização… O pior foi a troca de marchas. Muitas vezes meti a mão na porta em reflexo ao jeito “normal” de se dirigir. Mas logo a gente se acostuma.

E já nesses 5 minutos de testes passo com o pneu dianteiro esquerdo por uma “cratera” na rodovia. Por um momento pensamos que o pneu havia furado. Mas isso não aconteceu.

Aconteceu pior. Explico mais a frente!

Nos dirigimos em direção a Galway, a tal cidade localizada a umas 3 horas de Dublin. O GPs bêbado se perdia de vez em quando, mas foi muito útil. Nossa viagem se deu tranqüila. Algumas bobeadas, algumas perdas de sinal, mas nada de grandes problemas.

E já no estágio inicial, houve mudanças de planos. Alguém nos falou de uns tais Cliffs, uns penhascos que ficavam perto da cidade onde estávamos indo. Como não tínhamos roteiro, e não sabíamos exatamente o que veríamos lá, optamos por mudar de direção e ir para The Cliffs Of Moher – localizados numa tal de County Clare.

Paramos em um restaurante de estrada. Comemos para podermos então seguir caminho. Foi quando nos deparamos com os reflexos do buraco que antecedeu a viagem. Um pneu vazio e um aro amassado.

Pra quem não sabe, esses carros de hoje em dia possuem pneus radiais, ou seja, pneus sem câmara de ar. Quando um prego fura esse tipo de pneu, ele não estoura, mas vai esvaziando aos poucos. Isso dá tempo pro motorista rodar mais um pouco. O mesmo acontece se o aro amassa. Como não há câmara, qualquer deformação pode ocasionar perda de ar. Foi o que aconteceu.

E o pior é que o estepe dos carros aqui é um mini estepe que só serve de quebra-galho. Muito engraçado. Ele é bem fininho e só suporta 80 km/h de velocidade (o que numa free way não dá, né!).

Então estávamos fodidos. Sem estepe, sem borracheiro, sem nada (aliás, cadê os borracheiros, os postos de gasolina e as bombas de ar desse país?).

Por esse motivo pensamos em desistir e voltar para Dublin. Mas guerreiros que somos, e bons membros da Funai, optamos por arriscar e continuar a viagem. Enchemos o pneu, e torcemos para que ele esvaziasse o mais devagar possível!

“Great sucess!” :)

Levamos horas pra chegar na porra dos penhascos, mas valeu a pena. O lugar é lindo! E como se não bastasse, todo o caminho percorrido pra se chegar lá, também. Parávamos em toda construção antiga que avistávamos para tirar fotos.

Engraçado que todo interior que percorremos é asfaltado. Nada de estrada de terra. Tá certo que as estradinhas eram medonhas e cabulosas, muitas vezes sem espaço para dois carros. Mesmo assim o nível é completamente diferente!

Senti como se estivesse num daqueles filmes de grandes paisagens naturais.

Na volta, não tive condições de dirigir por causa do sono. Voltei dormindo e o Tiago assumiu a direção! Viagem tranqüila, mas com o problema do pneu sempre em mente!

Agora o carro tá lá, na rua, esperando pelo sol da manhã pra ser levado de volta. E nós torcendo pra que o pneu resista essas últimas horas firme e forte. Assim como nós o fizemos contra todos os contratempos que apareceram!

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Herbie

21 21UTC Maio 21UTC 2008

Alguem ai lembra do Herbie?

Pois olhem o que eu achei no estacionamento do Dunnes onde trabalho:

So uma palavra: FODA!

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Laborando

21 21UTC Maio 21UTC 2008

Como havia dito no post passado, arrumei um trabalho aqui na Irlanda. Não é um emprego que se diga: “ó, mas que belo emprego” ou “que bonito estás hoje, Francisco! Estás indo trabalhar?”. Mas dá pro gasto e ainda paga minhas contas!

A empresa que me acolheu foi a Dunnes. Uma rede de hipermercados parecida com Nacional, Carrefour e similares. É um local bem legal pra se começar. Paga bem e te dá horas semanais suficientes pra que possas juntar uma boa grana. Só é meio longe, mas não tenho do que reclamar.

Minhas tarefas resumem-se a mover produtos de uma prateleira a outra e/ou reabastece-las. “Francisco, vai ao setor de azeitonas, anota os produtos que estão faltando, e busca lá no estoque.” Daí lá vai o Francisco, bem feliz e contente, pegar as azeitonas.

L-ó-g-i-c-o que eu não trabalho só com azeitonas! Também trabalho em setores SÚPER importantes.

Já trabalhei com salgadinhos, ketchup e molhos em geral, óleos e papel higiênico. Este último em particular, é o mais legal porque, apesar do volume, se tem bem menos peso pra carregar. E eu adoro produtos de banheiro. Depois dos de papelaria, né!

Ruim mesmo seria trabalhar no pólo norte (leia-se qualquer setor que tenha freezer), ainda mais a noite!

Pra quem interesse saber, meu turno de trabalho é das 10 da noite às 5 da manhã. Imagina… se a noite normalmente já faz frio, com a cabeça enfiada na pizza congelada seria muito pior.

Ainda bem que o tempo passa rápido. Logo, a 1 hora da matina, chega o intervalo e eu me farto com muitos lanchinhos.

Feitos em casa, c-l-a-r-o.

Eu, agora um simples proletário, não posso estar me dando ao luxo de estar gastando com bobagens rua a fora (telemarketing pride). Hello-ou, economia é a chave para a fortuna!

Admito, filosofia barata! Mas que a economia por aqui é a chave para se poder viajar, isso é! E eu quero viajar. MUITO! Por isso vou precisar de MUITA economia, mesmo!

Tá certo que da Jéssica não vou ganhar nessa disputa, porque ela já é PHD em barateios.

As gurias aqui da casa contam que quando vão ao super, ficam loucas pra comprar um bife bem suculento. Daí lá vem a Jejé e corta o barato: “gurias, que horror, olhem o preço disto. Tá muito caro! Olha aqui o preço do hambúrguer, bem mais em conta!”

Daí a vaca sai voando, e elas ficam só no se querendo mesmo.

E eu me mato rindo.

ha… ha… ha…

er… hum… (recompondo-se)

Tá, mas voltando ao assunto emprego.

O ambiente é bom pro aprendizado do inglês porque de brasileiro só tem eu e mais dois. Um de Pelotas por sinal. Aliás, foi ele quem me indicou esse emprego. Tô até devendo uma pint (cerveja) pro cara. Enfim…

Daí, como mal tenho contato com meus conterrâneos durante o expediente, converso com os meus outros colegas. Poloneses, paquistaneses, franceses, chineses, coreaneses, africaneses… Enfim, tem de tudo que é tipo.

Esses dias eu tava conversando com um marroquino. Não entendo metade do que eles falam porque o sotaque é muito forte. Mas foi bem legal trocar uma idéia com o cara. Ele até me ensinou a contar em “marroquinês”, mas assim como o nome da língua, eu já me esqueci dos números também.

Ah! Falando nisso. No dia da minha entrevista pra esse emprego aconteceu uma coisa engraçada. Eu tava sentado esperando, quando de repente chega um rapaz com a camiseta do Brasil. Minha primeira reação foi puxar uma conversa: “e aí… também veio fazer a entrevista?”.

O rapaz, com uma cara de cu com cãibra me olha, e sem entender nada responde: “uga bugabuga xuga luga”. Ou seja, o cara não era brasileiro e começou a falar numa língua bizarra que eu nunca tinha escutado na vida. Fiquei meio constrangido, me virei e continuei esperando em silêncio. Dã!

Num outro dia, na parada do Luas (metro, trem, whatever…), estávamos eu, os outros dois brasileiros, mais um africano não-sei-daonde, um paquistanês e uma mulher da Estônia, se não me engano. Pra começar as bizarrices, a mulher tem 36 anos e é avó. Tipo, nada contra. Acho até legal. Mas que é estranho, é!

Depois, me vem o paquistanês dizer que casou com uma mulher há 3 meses, sem ter a conhecido antes. Casamento arranjado pela família. E como se isso não fosse suficiente, ele casou, e veio pra Irlanda logo em seguida e deixou a mulher por lá. Vai entender.

Além disso, o cara não pode ver a própria mulher nua NUNCA. Sexo, só no escuro. Oi? Como assim, Bial? E o pior é que ele ainda gosta! Disse que prefere uma mulher tapada de burca até os pés.

Sem contar que ele reza 5 vezes virado pra Meca, não come porco etc. Coisas que a gente ouve falar, mas que são muito mais chocantes quando ouvidas diretamente de um praticante.

E o que mais me deixou chocado e que ele nao pode ouvir MUSICA. Meu, serio… Eu morria!

Até respeito, mas não consigo compreender e muito menos concordar em certas limitações extremas ditadas por uma religião.

E como se não bastasse, o africano que estava junto ainda me diz que eu deveria acreditar em um Deus (em qualquer um), porque não crer em nada é perigoso. Segundo ele, o mundo está dominado pelo “Devil” e, se queremos paz, precisamos encontrar Jesus, que irá retornar (barulho de trovão). Praticamente um sermao de missa de domingo.

Pros caras, a América é o lugar do demônio. Lugares como Vegas, Califórnia e Nova York, então, são antros de perdição. E, pasmem, ele chegou a me dizer que a nota de 1 dólar tem o olho do demônio impresso em uma escala microscópica. Oi? Que tipos de filmes conspiratórios ele andou assistindo?

Pra finalizar com chave de ouro, eles me afirmaram que Deus julga as pessoas sempre, e que as manda pro inferno ou pro céu dependendo de suas ações na terra. Sem opiniões a respeito dessa afirmação. O ponto principal é que o paquistanês havia me dito minutos antes que, se sua mulher o traísse, ele a mataria e mataria também o homem com quem ela havia tido relações. Meu, coerência naonde?

Pois bem. Essa é uma pequena amostra dos meus simpáticos e amigáveis colegas. Tirando as posições TOTALMENTE contrárias de opinião entre eu e eles, a gente se dá bem. São caras super tranqüilos e amigáveis, que sempre te dão uma força quando podem. Até caras de apáticos eles têm.

Meu único medo é que um deles exploda nas minhas fuças. Daí sim a casa cai. E o resto todo tambem! :p

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Shit Happens

9 09UTC Maio 09UTC 2008

Nem tudo sao flores nessa vida. Infelizmente. Todo mundo me dizia que as coisas estavam bastante rapidas pra mim. Que eu tava resolvendo tudo super tranquilamente. Que eu havia sido abencoado em receber uma super boas vindas na imigracao irlandesa. Tudo tava certo demais.

Pois no domingo deu merda, e a coisa foi federal. A minha host family, agora carinhosamente apelidada por mim de familia monstra, simplesmente teve um surto psicotico e me correu da simpatica casa localizada nas pregas do cu do mundo; do antro amaldicoado pelo fedor a nicotina etc. Blah…

Depois de um longo dia de passeios e MUITA caminhada atraves das ruas e pracas de Dublin, cheguei em “casa” e fui direto pro banho. O problema foi que a agua estava gelada. Entao, pacientemente, pedi para que o casal monstro ligasse o aquecimento. Eles, ja alcoolizados, me negaram o pedido.

Eu nao poderia deixar por menos, reclamei. “Ja tomaste banho hoje!”, me disseram. “To pagando pra ta aqui!”, repliquei. Chingamentos, gritos, sapateados e uma total perda de controle foi o que recebi como treplica.

Nao mais contente com aquela mao de vaquice, chamei um taxi e parti rumo a casa da Jeje.

Alias, a Jeje ta sendo um anjo na minha vida. Alem de me alimentar, e me dar um cantinho provisorio para morar, ta me guiando nos passeios e nas burocracias da Irlanda.

Agora, praticamente um Homeless, to me virando nos 30 pra conseguir um apartamento. Conheci uns guris super gente boa na escola que tambem tao querendo dividir um espaco. Entao, estamos na busca. Mas nao ta facil. O que mais tem por ai e espelunca…

Mas, pra compensar esse pequeno problema do nomadismo, uma otima noticia: consegui um emprego! Sim! Sou o mais novo sub-empregado da Europa! Uhuuu! :p

Ta certo que vou me tornar praticamente escravo do trabalho, porque minha escala e das 10 da noite as 5 da manha. O meu despertador ja ta ate configurado pra tocar “Retirantes” diariamente. Em compensacao, vou trabalhar num lugar que paga acima da media dos outros lugares, o que vai me possibilitar juntar uma graninha a mais pras minhas viagens pelo mundo. Eeeee!

Ou seja, shit happens. Mas sempre tem algo que compensa.

Foda agora vai ser arranjar tempo pra catar ape.

Pra apartamento eu encontrar, virar-me nos 30, 40 e 50 eu precisarei.

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Host Family

26 26UTC Abril 26UTC 2008

Cheguei na casa eram aproximadamente 16 horas no horário local. A mulher de estatura baixa, um pouco acima do peso, me recebeu com um cumprimento tímido e um singelo beijo no rosto. Ela era loira, com cabelos na altura do pescoço. Laura é seu nome.

Logo que entrei, ela apontou para cima das escadas, indicando onde seria meu quarto. Eu, naquele estado de semi-zumbidês, tive vontade de chorar. Subir um mala de 33,9 kg sozinho, em uma escada apertada, não é uma coisa muito interessante de se fazer após cerca de 15 horas quase ininterruptas de viagem.

Durante o século em que subia a mala, pude perceber um senhor grisalho na cozinha, tomando alguma bebida quente e assistindo televisão. Na minha carta de hospedagem constava apenas o nome de Laura. Não esperava que houvesse outro morador na casa. Fiquei curioso. Mas não a ponto de ir lá naquele momento. Tinha outras intenções primárias, como organizar minhas coisas e descansar um pouco.

Ao subir as escadas, vi uma morena de estatura média, parada em frente a porta de um dos quartos disponíveis naquele andar. Seu nome, descobri logo em seguida, era Lillian, uma baiana que fazia intercâmbio e estudava na mesma escola a qual eu iria freqüentar.

Assim que cheguei, fui apresentado a ela. Conversamos e descemos para confraternizar com o casal que nos acolhia. Logo de cara, fui orientado sobre as regras da residência, onde tal coisa se encontraria, que horas seria o café da manhã, a janta, etc.

O casal, foi muito simpático. Jimmy, o grisalho que havia visto anteriormente, era o marido de Laura.

Durante o tempo que conversávamos, Laura me preparava uma sopa quente. Eu, amarelo-esverdeado de fome, engoli tudo com umas fatias de pão.

Com a barriga cheia e o cérebro reinicializado, pude prestar mais atenção aos detalhes. A casa era linda! Muito arrumada, muito limpa. Em muito boas condições, mesmo! O grande problema se mostrou quando meu olfato começou a funcionar novamente: o cheiro a cigarro. Foi assim que descobri que os Irlandeses fumam PRA CARALHO! TUDO na casa fedia a cigarro! Com exceção, graças a Deus, dos quartos, que ficam fechados.

Mas esse reconhecimento de território não durou muito. Logo que cheguei fui convidado, por Lillian, a ir num aniversário de um pessoal brasileiro que mora aqui. No trajeto, já pude ver um pouco da cidade, saber quais ônibus deveria pegar, e como deveria fazer para andar por aqui. Comecei a me situar logo no primeiro dia.

Ao voltarmos, percebemos que o casal da casa estava em um estado, digamos, alcoolicamente adulterado. Foi assim que descobri que os Irlandeses bebem PRA CARALHO! A música era alta, a animação também. No final das contas, foi bom! Pudemos conversar mais um pouco com eles, e descobrir que eles não são tão diferentes assim do povo brasileiro.

Jura! Eles são muito diferentes!

No físico, principalmente! A maioria é bem ariana. Cabelos claros, lisos, e olhos BEM claros!

Mas de que adiantam essas características se eles são bizarros e se vestem medonhamente? Poucos se salvam!

Além disso eles falam como se estivessem com batatas na bocas.

E por falar em boca, alguns tem os dentes PODRES! Dá nojo de ver.

Enfim…. E eles não são tão legais, descolados e divertidos quanto nós! :)

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Remédio pra olho… do cu

14 14UTC Março 14UTC 2008

Há certas coisas que só eu ouço. Incrível!

Hoje voltei a perambular pelo calçadão da cidade – culpa do desemprego – para comprar um par de óculos novos, já que os antigos estão bem surrados.

Explico. Ainda não contei que certa vez fui ajeitar os óculos no rosto e simplesmente ele se desmanchou na minha mão. Como sem óculos não enxergo nem minha própria sobra, fui obrigado a solucionar o problema de forma rápida e eficiente, a resposta: um pedaço de Durex!

No final das contas paguei 20 reais para que o óculos fosse consertado. Pra uma pequena solda, um valor significativo. Mas o pior preço que eu poderia pagar era justamente a situação de andar pela rua com um óculos consertado com Durex.

Como não pretendo passar por situação semelhante nas “Oropa” , decidi fazer uma armação nova. Pois bem, me dirigi a uma ótica e tratei com a balconista que havia me atendido na tarde de ontem (sim, consumidor que se preze faz pesquisa de preços).

A moça-quase-senhora foi muito simpática. Mostrou diversos modelos, deu altas explicações. Ótimo atendimento, mesmo. Só que a moça-quase-senhora é daquelas pessoas que não têm papas na língua para qualquer assunto que seja. Pelo menos foi o que pareceu. Já entenderás!

Experimentando diversas armações, algumas bizarras, me divertia bastante. Por vezes me matava rindo. Acabei me empolgando e nessa afobação pisei no pé da minha mãe. Coisa leve, mas suficiente para iniciar o assunto fungo nas unhas e supostos remédios – situação pela qual minha mãe passa no momento (e ela me mata se souber que divulguei isso).

Em meio a essa conversa super legal, a moça-quase-senhora conta que também possui problema semelhante. A mãe está gastando uma fortuna com um esmalte especial pra esse tipo de tratamento. A moça-quase-senhora, não. Em tom de suspense, com toda sua sabedoria popular, ela confessa que usa Creolina no tratamento de seus fungos.

Até aí, normal. Eu acho! O que me chamou atenção foi o segundo uso da Creolina pela moça-quase-senhora. Seguindo o rumo da conversa, a mãe lembrou, com uma certa cara de nojo, de um cidadão que utilizava o produto no rosto para a remoção de verrugas.

Foi então que a mulher, muito discretamente, aproximou-se de nós com aqueles olhos de certeza e disse: “sabe pra que mais eu uso Creolina? Eu TOMO Creolina todas as manhãs como um copo de leite pra combater as HEMORRÓIDAS!”.

As hemorróidas disse ela. Eu, dentro de uma ótica, não pude deixar de fazer a associação com “olho do cu”. Bizarro, eu sei. Mas inevitável.

A mãe, naquela situação meio constrangedora, ainda me pergunta se o “tratamento” funciona, e a moça-quase-senhora, num tom de superioridade médica afirma: “Funciona! Funciona que é uma beleza! Três gotinhas no leite e tu nem sentes!”.

Olha, se funciona mesmo, eu não sei! Pode até ser que a Creolina seja uma revolução no tratamento das hemorróidas. Mas a última coisa que eu quero saber de uma atendente de uma loja é com que produtos ela trata os danos do seu cu! Fungos, ainda vá lá, mas hemorróidas? Sério, me poupe!