Arquivos para a Categoria ‘Europa’

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Cidade das Malas

26 26UTC Outubro 26UTC 2008

Dublin não é uma cidade como as outras. Aqui a temperatura é louca, o clima é insano e os habitantes uns malas. E mesmo com esses aspectos negativos, a cidade (talvez o país) intriga quem é de fora, e como o ímã atrai o metal, acaba atraindo muitos visitantes todos os dias.

A ambiguidade é clara: não são só os malas dos irlandeses que compõe a paisagem de Dublin, mas as muitas malas estrangeiras que acompanham seus donos viajantes.
Não confunda! O último caso é literal!

Tem aquele viajante a negócios, com sua mala discreta, equivalente aos seus dias de trabalho. Há os extravagantes, com suas malas coloridas e cheias de penduricalhos. E, claro, não poderiam faltar os verdadeiros mochileiros, que não carregam malas, mas que ainda assim se enquadram na categoria dos desbravadores urbanos.

Seja o tipo de mala, não importa. No centro da cidade sempre se vê diferentes pessoas carregando os mais diversos tipos de bagagens.

Não sei qual a realidade dos outros países Europeus portanto não posso comparar. Acredito que a situação seja semelhante. Mas o que se vê em Dublin chama atenção todo santo dia, porque é impossível sair na rua sem se ver alguém carregando uma mala de rodinhas.

Isso quando não é a própria mala carregando a outra.

Aliás, falando em mala… novidades não tão novas em breve! ;)

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Moving Dance

21 21UTC Setembro 21UTC 2008

Quem me acompanha provavelmente se lembra dos problemas pelos quais passei com a família monstro e da minha saída às pressas pra casa da Jéssica. Também deve saber que me tornei o novo morador daquele flat, enquanto as gurias que lá habitavam mudaram-se para outro lugar.

Acontece, no entanto, que o endereço referente as minhas correspondências há dois meses não é mais o mesmo daquele inferno. Por muita sorte nossa, mudamo-nos – eu, Dartanhan e André – para um apartamento mais ao centro e muito maior. E isso tudo praticamente pelo mesmo valor.

mudança… de novo

Mas as coisas não são tão simples como parecem ser. A mudança não foi uma simples questão de procurar um lugar mais habitável, foi uma questão de sanidade mental.

Primeiramente porque, contrariando nossas expectativas, um pequeno flat de dois quartos não fora suficientemente espaçoso para abrigar cinco homens. Em segundo lugar, porque os vizinhos eram completamente loucos.

A tortura começava pelo barulho. Sucessivas mudanças e trocas de móveis de lugar no flat acima do nosso, justamente quando mais precisávamos dormir.

Depois, vinham as brigas homéricas do casal. A criança de apenas alguns meses, filha da dupla, nunca deixou seu choro atravessar as paredes da casa. Já os gritos e bate-boca da fera e da fera (sim, porque a bela só em conto de fadas) possuíam níveis que superavam essas barreiras.

No entanto, a pior parte não era quando eles brigavam, mas quando eles… digamos, se amavam. E como se amavam alto! Uma coisa totalmente desnecessária de se ouvir. Ainda bem que eu trabalho na madrugada, o que poupava meus ouvidos na maioria das vezes.

Sobre a obesa da vizinha da frente nós não tivemos muito do que reclamar porque ela não era tão inoportuna como os demais. O principal problema dela era apenas sua feiúra. Só de olhar pra cara da coitada já dava um desânimo, o que praticamente estragava a alegria do dia.

O próximo vizinho, era o pior. Pra começar que ele miava o dia inteiro. Não, isso não é uma metáfora. Ele miava, literalmente. E como se não bastasse ser louco, o cara ainda era ladrão. Todo santo dia, lá vinha ele e seus comparsas carregando várias bicicletas, que no outro dia já haviam sido – creio eu – vendidas.

Aliás, ele é o principal suspeito do assalto que ocorrera em nosso apartamento logo que nos mudamos para o local. Na verdade, sempre tivemos uma pequena desconfiança, a quase certeza veio umas duas semanas antes de sairmos de lá.

Eu estava viajando (fatídico!) e o resto dos guris que moravam comigo estavam prestes a dormir. Nesse momento algum ser inoportuno bate na porta por repetidas vezes. Nenhum deles realmente se coça pra atender, certamente porque sabiam que era um dos loucos. E dar papo pra louco, em inglês, em plena madrugada, não é algo que chame atenção das pessoas de uma forma geral.

Foi quando esta pessoa muito inteligente se dirigiu até a janela de um dos nossos quartos e tentou abri-la (morávamos no térreo), pra surpresa dos guris. Quando o jumento do vizinho percebeu que havia gente no apartamento, saiu correndo e se trancou no apartamento dele.

Ao invés de miar, o cara deveria zurrar, de tão burro que é. Naquele mesmo dia mais cedo, ele havia jogado uma lata de tinta pela janela da sua casa, que ainda encontrava-se fresca pela noite. Certamente que os passos dele ficaram marcados, por causa disso, desde a cena do crime até a porta da casa dele.

Os guris logicamente chamaram a polícia irlandesa – mais conhecida como Garda. Mas esses também são incompetentes e não fizeram nada. No fim das contas o cara ficou limitado a não sair de dentro do flat dele, caso contrário ele seria preso. E semanas depois, segundo nos informou o Landlord (dono da casa), ele seria despejado.

Mesmo assim, unimos o inútil ao desagradável e partimos dessa pra uma melhor. Até porque, mesmo com o vizinho louco sobre controle, ainda tínhamos o problema do barulho com as duas feras. E esse arranca rabo deu história pra contar.

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Belfast, Northern Ireland

21 21UTC Agosto 21UTC 2008

Foi uma das viagens mais impulsivas e não programadas da história. “Vamos, no próximo domingo, alugar um carro e viajar?”, “Vamos! Oba! Yupi! Uhuuul!”.

No sábado a noite, então, lá estava eu na casa da Jéssica. Sem carro alugado e nem roteiro programado, apenas com algumas vagas pretensões na cabeça. Entramos no site de aluguéis de carros e agendamos o automóvel mais conveniente para nossas ambições abstratas. Obviamente que, devido ao horário, as opções eram limitadas, assim como as nossas capacidades observatórias.

No dia seguinte, ao retirar o carro, percebemos um pequeno detalhes que não fora por nós considerado no momento do agendamento. O câmbio automático. (trovões)

Tá, coisas automáticas em gerais são muito cretinas e só vieram ao mundo pra facilitar a vida da gente. Mas eu NÃO SABIA como, sequer, mover o carro – a não ser empurrando. Mas essa não era uma opção, porque eu sigo a filosofia da marca Tigre e fujo do mico sempre!

A única opção que me veio a cabeça foi procurar o manual de instruções do veículo (santo manual) e aprender na marra, lendo e testando. Deu certo! Claro, que se o caso fosse o contrário, e eu estivesse partindo de um carro automático para um manual, a situação não seria resolvida tão facilmente. Reafirmo minhas palavras ao dizer que a automatização é uma santa dádiva da tecnologia.

Ainda com aquele frio na barriga, arranquei o carro e parti para mais uma aventura na mão contrária. No entanto, a mão contrária não era mais um problema nessa altura do campeonato. Já o pé… esse sim causou complicações.

Pra dirigir em circunstâncias normais a gente usa o pé direito nos pedais do freio e do acelerador e o esquerdo no pedal da embreagem. Pois num carro automático o pé esquerdo fica inutilizado. Daí que veio a pergunta chave do problema: “ONDE RAIOS EU ENFIO ESSE PÉ, MEU DEUS?”.

Como dirigir é mais reflexivo do que pensante, continuei utilizando os dois pés. Um no freio e o outro no acelerador. Agora imaginem vocês o estrago que um pé esquerdo não faz no pedal do freio, ainda mais em um freio sensível que nem o do carro que havíamos pego. Até o momento em que me dei conta do erro cometido, as gurias já tavam apavoradas, com a cara grudada no pára-brisa. Eu, pra variar, só ria. Acho que quando fico nervoso, me desato a rir.

Como da última vez, com o incidente do pneu, o furacão foi passageiro. O resto da viagem foi tranqüilo.

Teoricamente, dentro da nossa confusão mental e literal falta de destino, havíamos escolhido Connemara. Não me perguntem o que de bom tem pra ver lá porque eu só tava seguindo o fluxo. De qualquer forma, mudamos os planos logo no inicio da viagem (como de costume) e nos dirigimos para a capital da Irlanda do Norte, Belfast.

O motivo dessa mudança foi o dinheiro, ou a falta dele. A lição moral dessa viagem foi: “não façam as coisa de última hora, crianças. Sai caro!”. Ir para Belfast significava diminuir o tempo de estrada pela metade, e consequentemente, diminuir consideravelmente o consumo de gasolina.

Chegamos por volta de uma da tarde na cidade. Rodamos bastante até encontrar um estacionamento não pago, e não limitado a 60 minutos.

Pernas em movimento, e cabeças expostas a fina chuva que caia, saímos a descobrir o que Belfast teria a nos oferecer. Fomos ao City Hall (prefeitura), ao Belfast Wheel (muito parecido ao London Eye), ao Albert Clock (oi? Big Ben miniatura?), e a outros diversos monumentos must see da cidade.

O lugar é bem diferente de Dublin, apesar da grande relação entre os países. Visto os monumentos e a estrutura da cidade é clara a influência Britânica em Belfast. A título de curiosidade, até a moeda local é diferente. Lá se usa a Libra, assim como na Inglaterra. Mas, até onde fiquei sabendo, essa moeda só vale por lá. Tanto, que a Libra Irlandesa é diferente da Inglesa.

Tive até que guardar uma nota. Mesmo que 10 pounds me custem quase 20 euros, que me custam, em reais… bom, nem vale a pena pensar nisso.

Seguindo o percurso, caminhamos alguns quilometros (LITERALMENTE) até encontrar o dique onde foi construído o tal do Titanic. Assim como a Jéssica não sabia, assim como a Dani não sabia, e assim como todo o resto do mundo não sabe, eu também não sabia que esse navio era Irlandês.

Aliás, piada pronta, né! Irlandês bebendo pints e pints de Guinness e construindo navio? Não é a toa que deu no que deu…

Nada de grandes coisas pra se ver por lá. Apenas um mega ultra tunder giga buraco onde, segundo as placas, caberiam 26 ônibus londrinos enfileirados.

Eu e a Raquel caminhamos ao redor do dique, e aí sim, pudemos realmente perceber o quão grande era o navio. Nossos olhos nos enganam algumas vezes, mas o tempo considerável que levamos para chegar até a ponta onde há contato com o mar, não poderia nos enganar.

É impressionante o que o homem é capaz, não? Primeiro um dique dessa magnitude para depois construír um navio. Imagina o meu deslumbre no dia em que eu visitar as pirâmides!

Então, ali na ponta da estrutura de concreto, filosofando sobre o assunto, me deparo com uma placa que destruiu com meus pensamentos: “cuidado, estrutura instável”. Oi? Como assim estrutura instável? Interessante que a leitura da placa é feita quando se está DO LADO da estrutura instável.

Valeu pela dica, tô voltando, bye, bye!

Como eu havia dito, coisa de Irlandês bêbado.

Para finalizar a viagem fomos num shopping maravilhoso, arquitetonicamente diferente. Pena que já era tarde e a maioria das lojas estavam fechadas. Pelo menos o Mc Donald’s ainda estava aberto e, para minha felicidade, aceitava Euro! :)

Finalmente, fomos ao parlamento, e ao Belfast Castle. Esse último, um dos prédios mais bonitos que vi nos últimos tempos. Não sei se foi pelo clima noturno somado a vista iluminada da cidade abaixo ou se pela estrutura em si, da escada em caracol, dos jardins bem cuidados e da complexidade arquitetônica. Mais parecia um castelo de conto de fadas.

Na volta, pra variar, o GPS bêbado tinha que se manifestar contrário a nossa vontade de voltar pra casa, e nos fez dar zilhões de voltas ao entorno de Belfast. Salvem as placas, porque embora a tecnologia nos dê muitas dádivas, ela também nos dá muitos estresses. E nada como um bom e velho sistema mecânico-manual pra nos salvar dos perrengues quando a tecnologia cisma em não funcionar.

Das estradas mal sinalizadas (sem olho de gato, como pode?) para Dublin, e em Dublin para a cama – montada provisóriamente no chão, na casa da Jejé, depois de um cansativo dia de viagem.

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Paris, França

4 04UTC Agosto 04UTC 2008

Vinte e oito de julho de 2008, o dia em que conheci Paris, o dia em que meu karma resolveu se voltar contra mim, e o dia em que tudo, como sempre, terminou bem.

Ao viajar de avião, adoro dormir com a cabeça encostada na poltrona da frente. Ainda mais em vôos de baixo custo, em que as poltronas não reclinam. Dobro minha jaqueta, ponho entre a testa e o encosto da cadeira e relaxo!

Nessa posição, um tanto quanto incomum, apaguei e só acordei no final da viagem com o avião pulando. Recompus minha sanidade, levantei a cabeça, mas ainda assim enxergava tudo borrado. Esfregava os olhos e nada. Estranho, pensei. Levei as mão ao rosto ainda meio sonolento e percebi que a cara tava limpa. Surtei. “CADÊ MEUS ÓCULOS?” Caíram do rosto enquanto eu dormia.

Abaixei e catei em tudo quanto é canto. Todo mundo me olhando! NADA! Perguntei pra passageiro, comissário, aeromoça, piloto, Jesus Cristo e todos os profetas da humanidade. NADA! Esperei até o último passageiro sair, procurei, mandei as aeromoças catarem. NADA! Ai-meu-DEUS!

Depois de muito se deixar incomodar, a equipe [ironia mode on] super gentil e simpática [ironia mode off] mandou eu me retirar da aeronave porque eles precisavam arrumá-la para o próximo vôo.

Frustrado e cego, me dirigi ao saguão do aeroporto para perguntar nos auto-falantes se algum dos outros passageiros não havia encontrado meus óculos. Mal saí do avião, um dos comissário de bordo gritou, da porta da distante aeronave, que havia encontrado algo.

Eu disse algo, porque os pedaços de metais tortos e pisoteados já não mais configuravam um óculos. Tá, exagerei – é a dramaticidade da história -, mas o pobre tava bem capenga. Pelo menos dava pra desentortar, e foi o que tentei fazer.

Eu disse tentei, porque nessa tentativa, caguei de vez com a situação. A haste caiu. A lente caiu. E o mini tini parafuso também caiu!

Sem nenhuma opção palpável, eu e o Guto nos dirigimos ao ônibus que nos levaria ao centro de Paris. Uma hora e meia para refletir como poderia resolver meu problema, uma vez que havia esquecido meus óculos escuros e meus óculos reserva (erro que jamais cometerei novamente) em Dublin.

Ao chegarmos, incomodei até as almas penadas parisienses para procurar uma ótica. Meu dia não havia começado bem, mesmo em Paris. Parei pra pedir informações num bar da estação de metrô e recebi de brinde um arroto na cara, de um velho que estava ao meu lado. Não sei se encarei o fato como um sinal de que as coisas iam feder mais, ou se encarei como uma situação inesperada para reanimar meu dia. Sim, porque eu ri, claro.

Pedi ajuda pra Deus e o mundo e nada. Tudo fechado! Em Paris, a segunda-feira é o novo domingo, assim como a (qual a cor da estação?) é o novo preto!

Mesmo suando devido a intensa caminhada, ao peso nas costas, a ansiedade e ao calor de trinta graus, não desisti e continuei procurando.  “Olha lá, uma ótica. E tá aberta!” disse o Guto, depois de mais ou menos meia hora de caminhada!

Foram as palavras mais confortantes que ouvi durante toda a viagem. “ótica…, aberta…,”. Sabe quando as coisas ficam em câmera lenta? Então… Não aconteceu isso, mas eu gosto de pensar que sim, pra dar mais dramaticidade à história.

Entrei, suando, falando um francês de merda e implorando por ajuda. Pelo menos, me fiz entender. O cara, super simpático, arrumou, limpou e turbinou meus óculos sem cobrar um Euro!

Óculos consertado, problema resolvido? Infelizmente não. Uma sujeira entrou no meu olho e me incomodou a tarde inteira. Continuei pseudo-caolho. :(

Mas isso não impediu o passeio. De forma alguma! E o colírio Torre Eiffel logo curou qualquer problema de visão existente.

De olhos bem estalados, admirei o monumento como uma criança namora um doce na vitrina de uma loja. A Torre é linda e imponente. Na minha percepção, pareceu menor do que nas fotos. E mais larga. Mas ao subir até o topo, pude perceber como o negócio é realmente alto. E a vista… que coisa linda. Paris é toda branca. E o Sena cortando a cidade… maravilhoso!

Mas logo o tempo mudou. O forte calor e o sol a pino foram rapidamente substituídos por uma chuva forte e por um vento que levantou mais poeira que a Ivete Sangalo.

Nesse momento, quem ficou pseudo-caolho foi o Guto, que tomou uma areiada no olho.

Antes de voltarmos ao albergue, já a noite, demos uma rápida passada no Arco do Triunfo. Os guris, que sacudiam uma bandeira do Rio Grande do Sul (bairristas?) em frente ao monumento, levaram uma mijada do guarda por desrespeitarem um lugar de homenagem aos mortos. Engraçado, pra dizer o mínimo.

Éramos 6. Eu, o Guto, o Marcelo, o Klaus, o Bruno e o Caetano. Todos já velhos conhecidos de Pelotas. Os guris estavam mochilando pela Europa. Eu e o Guto, morando em Dublin, viajamos até a França para encontrá-los. E para conhecer Paris, claro.

Os guris que viajavam juntos, ficaram em um mesmo quarto no albergue, o Guto em outro e eu em um terceiro.

Era tarde quando fomos dormir. Eu tava podre. Tomei banho e me deitei. No entanto, dormir não foi uma tarefa fácil! Havia, em meu quarto, três camas, sendo que apenas uma estava ocupada. Mas essa única presença foi suficiente para roncar por um batalhão! Que coisa mais estrondosa! Acordei o cara duas vezes pra então conseguir dormir, lá por umas 3 horas da manhã.

No dia seguinte acordamos cedo para ir à Euro Disney. Primeiro, fomos no Hollywood Tower, um elevador que fica despencando com a gente dentro. Sensação horrível de queda livre. Não me convidem pra uma terceira vez (sim, porque eu já tinha experimentado uma primeira).

Depois, fomos em todas as montanhas russas possíveis. As mais legais foram as montanhas completamente no escuro. É ótimo esperar o inesperado, ainda mais ao se tratar de curvas, quedas e loopings.

E assim foi o dia… Montanha atrás de montanha.

Logo a noite, antes de voltarmos ao albergue, fomos ao Moulin Rouge. Tiramos algumas fotos em frente a casa e partimos 1) porque estávamos com fome, 2) porque estávamos podres e 3) porque entrar no cabaré custa muito caro.

De volta ao albergue, e em um novo quarto, dormi feito um bebê! Sem roncos dessa vez! Acordei cedo novamente, me arrumei e me encontrei com o resto do guris para irmos à Roland Garros.

Não que eu fizesse muita questão. Sei porra nenhuma sobre Tênis. Mas companhia é companhia. E eu não morreria para conhecer o lugar. Bem pelo contrário, achei muito válido.

E o que mais me chamou atenção – logicamente – foi a sala de imprensa pros jornalistas que acompanham o torneio e toda a estrutura que ele abriga. Grande, mesmo.

Aliás, a França é o Itu da Europa. Tudo enorme. São as milhões de linhas de metrô, a Torre Eiffel, o Louvre.

A propósito, uma coisa que achei bizarra, foi o fato de que alguns dos metrôs têm pneus de borracha, tipo os de carro, ao invés das rodas convencionais de… trêm. Imagina se fura? Como troca?

Enfim…

Nossa próxima parada foi o Museu do Louvre e suas Piramides. Descemos da estação de metrô (ou subimos?), caminhamos em pouquinho e voilá! Ao longe avistamos aquele prédio monumental. Que estrutura gigantesca, sério! Não sei se fiquei impressionado porque pensava que o Louvre seria mais humilde, ou porque o negócio é realmente grande.

Pagamos oito Euros (muito bem pagos) para entrar, e partimos em busca de conhecimento. Tá, mentira, essa era pra ser a parte educativa da história.

Escolhemos algumas sessões, porque é impossível conhecer tudo. Fomos na parte das antiguidades egípcias, nas esculturas gregas (ou romanas, sei lá), nas pinturas italianas (Monalisa, parada obrigatória) e nas mobílias de Napoleão.

Tudo gigante, tudo lindo. Salas inteiras douradas. Tetos super altos. Afrescos enormes. Tô dizendo… ITU!

Saimos do Museu depois de umas 3 horas sem ver nem um terço das exposições. De lá caminhamos por toda a Champs-Élysées – a segunda avenida mais cara do mundo -, pra finalizar nossa rápida passagem por Paris. Almoçamos e pegamos o ônibus de volta para o aeroporto. Mais uma hora e meia de estrada.

Terminei minha viagem com um gostinho de quero mais. Até porque faltou muita coisa legal pra conhecer. Por isso, uma das minhas primeiras paradas durante a mochilada será novamente Paris.

Entramos no avião bastante tarde, uma vez que a imigração ficou incomodando todos os passageiros. Sentei num dos últimos lugares que sobravam. Mas dessa vez não dormi na posição bizarra porque esqueci minha jaqueta na ótica, naquele primeiro dia de viagem. Posso até ter passado frio (NOT), mas pelo menos cego não fiquei dessa vez!

E agora, de volta a rotina.

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Updates

4 04UTC Julho 04UTC 2008

Hoje resolvi escrever de maneira diferente. Como não tenho tempo para ficar postando no blog toda hora, embora tenha várias coisas pra comentar, decidi fazer um apanhado geral dos acontecimentos. Coisa grande… Queima de cartucho total, eu sei, but… whatever!

Abbey College

Tenho certeza que muita gente vai chegar ao blog através do google pesquisando por essa palavra. Abbey College é o nome da escola onde estudo. É boa? Não! É ruim? Também não!

Aprender inglês na Irlanda, uma vez no país, passa a ser um objetivo em segundo plano. A grande maioria das pessoas vem pra cá pra estudar inglês, e a grande maioria, depois que arranja emprego, começa a redirecionar suas metas. Tem gente que nem a aula vai mais.

Primeiro, porque aqui se convive com MUITO brasileiro. Inglês só no trabalho e nas lojas. Segundo, porque o inglês Irlandês é horrível. É difícil de entender, é errado… bem de interior. E terceiro, porque as pessoas preferem trabalhar pra juntar dinheiro e viajar, ou rembolsar o investimento feito com o intercâmbio.

Essa mentalidade torna o ensino um problema. Muita gente vai à aula só pelo visto – uma vez que para renová-lo é necessária uma presença superior a 85% -, e isso acaba influenciando na forma com que os alunos encaram a aula e, na forma com que a escola encara o interesse dos alunos.

Mas isso depende muito. Depende dos teus colegas e do andamento da aula, e depende do professor. Até o momento tive sorte nesse aspecto. Já passei por três salas de aulas diferentes. Comecei no Intermediate, depois passei pro Upper Intermediate, e agora já tô no Advanced (onde eu deveria ter começado).

A primeira professora era boa, mas era uma égua que só dava coices. Êta mulher bem grossa. A segunda professora era muito simpática. Até demais. Sentia como se estivesse sendo alfabetizado. Agora, na terceira aula, o andamento tá bem melhor. O professor é meio novato no que diz respeito a dar aulas, mas é bom. E a dinâmica de aula é muito melhor. Antes eu terminava os exercícios e ficava esperando horas até que os professores dessem seguimento ao conteúdo, agora, o ritmo é bem mais acelerado e o nível mais puxado.

A estrutuda da escola é boa! Tudo novo e bem cuidado. As aulas são todas guiadas através de apresentações em Power Point. Até o momento recebi materiais novos sempre que mudei de nível e, pelo que me consta, são livros de qualidade.

Um problema na escola é a falta de Internet. Há somente DOIS computadores com Internet para os alunos. Obviamente que nunca estão disponíveis. Outras escolas possuem salas com trocentos computadores e/ou sinal wireless. Nada que comprometa tanto o ensino. Mas, no mínimo, é um retrocesso.

Work

Há um tempo atrás comentei sobre novidades no trabalho, “promoções” (entre aspas) etc. O que aconteceu foi o seguinte: éramos 12 contratados temporários para 3 vagas permanentes. Eu fui um dos escolhidos para uma dessas vagas juntamente com o Guto, o outro pelotense que trabalha lá, e o paquistanes bizarro.

Quando soube que iria ser contratado, aceitei o convite com a vontade de negá-lo. Não que o trabalho seja difícil, bem pelo contrário. Mas é alienante. E trabalhar de madrugada não é uma das melhores opções (apesar de pagar melhor). De qualquer maneira, é esse trabalho que tem pago meu aluguel, minhas viagens e minha futura mochilada. Então tá ótimo!

Mas ainda hei de encontrar um trabalho na área de comunicação!

Outra coisa que me deixou aflito com relação ao trabalho foi que, quando me chamaram, eu não sabia se o Guto havia sido chamado também. E isso era um problema por dois motivos: 1) porque ele havia me indicado e eu me sentiria super mal se eu fosse contratado e ele não; 2) porque ele já estava aqui há três meses e eu apenas há três semanas. Ainda bem que no final das contas ambos fomos contratados (e não me perguntem os critérios dessa seleção porque os 9 restantes tinham BEM mais experiência que nós na arte de arrumar prateleiras).

Ainda no que diz respeito a “promoções”, eu e o Guto fomos chamados para um treinamento de Caixa. Aprendemos como se mexe naquelas bodegas, recebemos material para ler, mas até agora necas de trabalhar sentadinho no bem bom das máquinas registradoras. Dão o doce pra criança e depois tiram! Isso não se faz!

Home Sweet Home

Aluguel aqui não é barato. Um apartamento pequeno de dois quartos não sai por menos de mil Euros. No momento moro num apartamento nesses padrões, e divido-o com mais quatro brasileiros. A coisa é apertada, mas dá pra viver tranquilamente.

Depois de ter me mudado provisoriamente para o apartamento da Jéssica, imediatamente comecei a procurar um cantinho para chamar de meu. Nesse meio tempo, o estresse rolava solto no club da Luluzinha. As gurias, homemates da Jejé, estavam em pé de guerra. Problemas de convivência. Tipo, disputa do quarto azul versus o quarto amarelo, sabe? Daí então eu enxutei elas pra fora e fiquei com o apartamento.

Tá, não foi bem assim! Mas eu quero contar a minha versão mais emocionante dos fatos. :)

Elas se mudaram, eu continuei aqui, e pra cá vieram outros que conheci na minha escola. Um de Santos, um do Mato Grosso e dois do Piauí (os dois últimos já se mudaram, dando espaço a outro piauiense e um catarinense).

E embora essa muvuca de pessoas, sou eu que ponho ordem nesse chiqueiro. Tá, outra mentira. Mas sou eu o chato da casa. Eu que incomodo pela louça lavadinha e guardada. Eu que colo bilhetes pela casa do tipo “puxe a descarga, meu filho! Meu nariz não vem com Bom Ar embutido, não!” Coisa que, aliás, adooooro fazer! hehehe

“Ó! Toma aí, deixaste tuas coisas jogadas! Guarda!” Cara, e como eu adoro ser chato! :)

Aliás, grandes e magníficas descobertas. Além de ser um chato de plantão, sou um ótimo dono de casa! Estou, paulatinamente, aprendendo a cozinhar. Lavo, passo; limpo banheiro, cozinha e apendices. Não consigo ficar parado. Coisas que só a criação da Dona Mirian (minha mãe) faz por você! hahaha

Mas, como tudo nem sempre são flores, algo de ruim tinha que acontecer. No fim de semana em que passei em Londres, fomos assaltados. Sim! Esse tipo de coisa não acontece só no Brasil, não! Entraram no nosso apartamento e roubaram uma televisão, um video game e uma câmera digital. Tudo do mesmo guri! Puta prejuizo! Pensamos em nos mudar, mas acabamos decidindo por continuar aqui. Só que agora a atenção tá redobrada.

A desconfiança é direcionada aos vizinhos. A casa onde moramos, na verdade não é bem uma casa. É um prédio que acomoda cinco flats, cinco apartamentos. Nos três meses em que as gurias moraram aqui, nada similar havia acontecido. Duas semanas depois de nos mudarmos com o equipamento, pimba! Fomos roubados. Alguma hipótese melhor?

De qualquer maneira, agora a situação tá mais tranquila e os olhos mais abertos. Esperamos que o popular ditado seja verdade (pelo menos pra nós), e que esse raio não caia duas vezes no mesmo lugar, porque ficar se mudando não é legal. Além do mais, eu gosto dessa zona, cheia de árvores e perto dos transportes públicos. Mesmo sem super mercado (barato) por perto já me basta.

Travel

Um dos sonhos da minha vida sempre foi fazer uma mochilada pela Europa. Agora, morando na Irlanda, e juntando algum dinheiro, estou a poucos passos (ou meses) de conseguir realizar esse sonho.

Pra inicio de conversa, já fui pra Londres e já fiz road trip na Irlanda. Claro que isso não me basta. Os road trips vão continuar na primeira oportunidade. E as viagens então… Já estão meio encaminhadas.

Agora, final de julho, estarei indo para Paris. Mais um sonho prestes a ser realizado! E em novembro, passagens já adquiridas para Liverpool, no mesmo período em que vai acontecer por lá o Europe Music Awards – uma premiação da MTV para a música européia (e mundial também).

E nesse mesmo período, não sei se antes ou depois de Liverpool, estou programando minha mochilada pela Europa. Minhas aulas terminam inicio de outubro. Até lá, já vou ter juntado uma boa grana pra isso. O roteiro já está em processo inicial. Assim que estiver com ele pronto, as passagens compradas, e o o cronogrâma montado, falo mais sobre isso.

Urtiga

Urtiga é uma palavra que umas colegas de colégio utilizavam para rotular uma pessoa jeca, uma pessoa caipira. Por aqui, estou começando a achar que sou um grande urtigão! Há certas coisas tão banais, mas ao mesmo tempo tão fora da minha realidade, que as vezes sinto como se eu fosse um caipira oriundo do interior do vilarejo onde o diabo perdeu as botas.

Esses dias, voltando do trabalho de táxi, passei por uma dessas situações. Antes, quero abrir um parenteses para explicar que essa situação do taxi é fora do comum, mas, quando somos liberados mais cedo do trabalho, e não há opções de transportes públicos, essa se torna a única saída viável.

Explicado, voltemos!

Embarco no taxi, e procuro pelo taxímetro. Não vejo NADA! Começo a duvidar naquele momento da seriedade daquele motorista. “Será que ele é credenciado pelo órgão regulador dos taxistas da Irlanda? Será que ele vai me cobrar fora dos padrões comerciais normais? Ai, meu Deus? CADÊ a PORRA do TAXÍMETRO?”

Aqui é assim. Cada desespero é potencializado em mil. Ainda mais quando o assunto é dinheiro. Sabe-se lá o que passa pela cabeça dessa gente maluca.

Daí, mais calmo, e com a cabeça mais limpa, olho no espelho retrovisor, e vejo um holograma com uns números em vermelho: fare, time, tax… Comecei a rir alto! COMO ASSIM? QUE COISA MAIS TECNOLÓGICA É ESSA? “Já uso esse sistema há uns cinco anos”, me disse o motorista. Ri mais… de mim mesmo, lógico.

Polish

Se tem uma coisa que irrita aqui são os ploneses. Eu já comentei sobre a raça uma vez no blog. Mas eles são tão insuportáveis que merecem novamente a minha (e a sua) atenção.

Obviamente não vamos generalizar. Mas a maioria dos poloneses com quem trabalho roubam produtos no supermercado, conseguem ser mais grossos e estupidos que os irlandeses, são bipolares e têm um vocabulário limitado a palavra “kurva” (que eu não sei se escreve assim).

“Kurva”, pra quem não sabe, significa a mesma coisa que “fucking” ou, talvez, “essa porra”! “This fucking job”, “Essa porra de trabalho”. Ou, no sentido mais literal, “puta” mesmo! Enfim… É um palavrão! E é a palavra que mais vais ouvir um polonês falar ao encontrares com um: “kasptivisk karyunucy kurva sanibshy, Kurva pushiasky kurva, kurva!”.

Resumindo, eles me irritam. :)

The End

De uma maneira resumida e bem geral, esses são alguns aspectos da minha vida na Europa. Planos, novos acontecimentos e super reviravoltas nos próximos capítulos, não perca! ;)

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God Save The Queen

20 20UTC Junho 20UTC 2008

Seis e meia da manhã de uma sexta-feira. Mais uma noite acordado em função do trabalho e dormir não era uma possibilidade. O avião decolaria às 9:15, mas o check in deveria ser feito necessariamente com 40 minutos de antecedência.

O tempo era curto! Tomar café, imprimir papéis referentes ao vôo, passar na escola pra entregar um documento e ainda pegar o ônibus em direção ao aeroporto. Coisas aparentemente simples, mas que se transformam em eventos gigantescos devido as distâncias.

Estávamos eu e o Guto, correndo contra o tempo. Ou junto dele! Ir para o aeroporto era a mais complicada das tarefas. Ônibus pra lá não se encontra em cada esquina, e a viagem duraria em torno de 40 minutos. Mas no final das contas deu tudo certo. Chegamos na parada no momento certo e partimos.

Nesses quarenta minutos o sono ainda não tinha começado a se manifestar. Havia uns mexicanos no ônibus, também indo para Londres, que começaram a puxar assunto. Falaram das mochiladas que estavam fazendo, das cursos na espanha etc. Tudo em português, porque o cara falava muito bem. Nós é que não sabíamos porra nenhuma de espanhol.

Chegando no aeroporto foi tudo muito tranquilo. Deu até tempo de tirar uma cochilada num sofá qualquer. Claro, deu tempo, mas não deu vontade. A ansiedade falou mais alto!

No embarque, como não poderia ser diferente, revistaram a MINHA mochila e jogaram fora MEU desodorante novinho. “Isso daqui não pode!”, disse a vadia. Entendo que é questão de segurança, regras, etc. Mas mesmo assim fiquei indignado. Pelo menos cinco gerações da mulher foram amaldiçoadas por mim depois desse evento.

No vôo, sim, momento de recuperar o sono! zzzzzzz

Chegando em Londres, a empolgação não poderia ser maior! Pegamos mais um ônibus, dessa vez até o centro londrino. Mais 90 minutos. Nesse momento o sono pegou pesado. Eu preferi ficar de olhos estalados, tentando olhar tudo que estivesse ao meu alcance. O Guto se entregou.

Descemos na parada da Victoria Station, e tomamos um susto. Gritos escandalosos surgiam de algum lugar que eu ainda não tinha discernimento pra identificar devido ao cansaço da viagem. De repende surge uma cabeça loira em minha direção, pulando, gritando, esperneando e sapateando. Ninguém menos que a mazanza mór, Nathalia.

Depois de todo o escândalo, fomos até a casa dela largar as coisas e então partimos, finalmente, para o turismo. O roteiro já tava esquematizado há semanas pela Nathalia.

A primeira coisa que fizemos foi andar de Tube. O clássico e histórico metro de Londres. Nada de grandes diferenças com relação a outros metros que já havia andado, a não ser pelo fato de ESTAR em Londres, perfurando o subsolo daquela maravilhosa cidade!

Por um momento tive um mínimo medo de estar ali, onde atentados já haviam acontecido, onde um brasileiro já havia morrido. Bobagem, eu sei! Mas a insegurança de saber que não há latas de lixo nas estações de metro exatamente para evitar que outros eventos similares aconteçam, remetem a essa possibilidade.

Foi um pensamento rápido, porém estranho. Passou logo, porque havia muito mais coisas legais pra ocupar o cérebro!

No primeiro dia passamos pela estação do Harry Potter, pelo Picadilly Circus – centro de Londres. Encontramos a brasileirada amiga da Nathalia em um pub, e fomos no Big Ben!

Nesse, especialmente, fomos duas vezes. Uma de dia e uma de noite. Merece! Não tem como dizer em qual momento ele é mais bonito. E visto de cima, então… Coisa que só o “flight” no London Eye proporciona.

Nossa idéia, depois de todo o turismo na região, era aproveitar a balada londrina. Nunca deu certo! O cansaço era sempre maior. Totalizando, eu e o Guto dormimos cerca de 10 horas nos quatro dias que ficamos em função dessa viagem. Foi difícil, mas valeu muito a pena.

O segundo dia, foi o dia mais proveitoso. Começamos com um legítimo English Breafast. Gordo, não saudável, mas muito gostoso. Ou isso foi no terceiro? Nada mais me lembro! Nada-mais-me-lembro! Too much information!

Lembro, que nesse dia fomos no Bin Ben novamente. Andamos no London Eye, como já havia falado. Trafalgar Square. Tower Bridge.

E legal que perto da Tower Brigde havia uma luneta gigante que dava pra ver Nova York ao vivo, e vice-versa. Não olhamos porque a fila era grande e tínhamos um cronograma apertado. Mas deu vontade!

No caminho para esses passeios, passamos por um lugar com uma muvuca de pessoas. Foi onde tivemos oportunidade de tirar fotos com os guardas reais, os carros etc. Os caras estavam ensaiando, apenas ensaiando, para o aniversário da Rainha na próxima semana. E olha que só pro ensaio o evento já era pomposo!

Pelo menos um dos guardas nos disse que era isso!

A noite, “janta” no Hard Rock Café. Nachos! Se eu soubesse que Nachos era tão bom, já teria comido a mais tempo!

E pra finalizar o dia, nos perdemos na volta pra casa! Uhuul! Chegamos em casa 3 da manhã, pra acordar às 7 no outro dia. Tá, às 8. Oito e meia e não se fala mais nisso! hehehe

Acabando nossa viagem, reservamos o dia de domingo para acompanhar a troca da guarda real (ou a troca da rainha, como chamávamos), e visitar os lugares que faltavam. E que continuaram faltando! A “troca da rainha” é um “teatrinho” que encanta! Não há piruetas, nem lança-chamas, nem nada. É a banda, tocando musiquinhas, marchando etc.

Mas é a BANDA REAL, a GUARDA REAL, de uma monarquia real, em uma tradição que acontece há sei lá quanto tempo!

Engraçado que até a música do Indiana Jones eles tocaram!

Bom, mas chega de troca de guarda. Vamos trocar de assunto! Hein, hein…

De lá partimos para A viagem. O Guto, um dia tenista, quis ir até Wimbledon. E lá fomos nós. Cinquenta Tubes, trinta ônibus, e 40 horas. Na minha escala exagerada, isso foi o necessário pra chegar ao estádio, localizado nas pregas do cu de Londres.

Perdemos muito tempo nessa brincadeira. Mas, como sempre disse e sigo dizendo, tudo foi muito válido. Nos divertimos a beça, rimos como loucos, caminhamos como andarilhos e, por isso, conhecemos pequenos lugares que, mesmo simples, foram válidos até o último calo do pé.

Terminamos a noite (porque já era noite quando fomos embora) na Pizza Hut. Aliás, o que mais comemos nessa viagem foi fast food. Impressionante!

Neste momento o esgotamento estava beirando o limite. E ainda assim fomos para o centro TENTAR aproveitar alguma noitada da cidade. Claro que deu errado!

No final das contas chegamos em casa tarde o suficiente pra nos proporcionar apenas UMA hora de sono entre o final desse dia e o inicio do próximo.

A despedida foi chata, como qualquer despedida. Três dias não são suficientes pra matar as saudades de uma grande amiga, e muito menos é tempo suficiente pra conhecer tão bela e grande metrópole quanto Londres.

Mas despedir-se é um mal necessário. Então partimos. Cansados, podres, exaustos, porém satisfeitos.

A viagem de volta foi aproveitada ao máximo para pôr o sono em dia. E naqueles breves momentos de lucidez, serviu pra mentalizar de uma vez por todas a vontade de seguir me cansando por esse mundo aí fora.

Londres, me espera que eu ainda volto. E o resto do mundo que me aguarde!

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The Cliffs

15 15UTC Junho 15UTC 2008

São 3h30 da manhã e não faz muito que acabamos de chegar de viagem. Foi um dia cansativo, mas mega válido. Colocamos o pé na estrada pra valer, com o gostinho de roadtrip mais verdadeiro possível. Hoje, com certeza, renovei minha carteirinha da Funai!

O programa de índio já começou antes mesmo da viagem: a falta de sono. Saí do trabalho às 5h30 da manhã direto pra viajar, ou seja, de virada!

Não que eu esteja reclamando, adoro uma indiada! ;)

Logo depois de terminar o texto da última postagem, fomos correndo para a locadora de veículos retirar o carro reservado. Éramos 5: eu, Jéssica, Dani, Karina (housemates da Jéssica) e Tiago (meu colega de trabalho).

Chegamos na locadora por volta das 10 horas, mas só conseguimos retirar o carro ao meio dia. Acreditem ou não, foi preciso enfrentar uma fila no local, o que fez com que o processo demorasse mais.

A Jéssica, que organizou toda a questão da locação, foi quem retirou o carro, junto com a Karina e um amigo delas maior de 25 anos (jeitinho brasileiro pra deixar o aluguel mais barato).

Eu, Tiago e Dani ficamos esperando numa escadaria do outro lado da rua.

Ao vermos o carro que iríamos viajar ficamos chocados. Havíamos alugado um Golf, um dos carros mais baratos. Mas acontece que não havia mais nenhum disponível, então a seguradora aumentou 3 níveis do carro de graça. Acabamos saindo de lá com um Mondeo praticamente zero.

A responsabilidade pesou e logo o medo foi dando as caras. “Ai, gente… acho melhor a gente ir pra um lugar mais pertinho, tomar um chimarrão… essa história de viajar pra longe com esse carro tá complicada”, disse a Jejé. Não havia como não concordar com isso. Muita responsabilidade, mesmo! Mas, mesmo assim, optamos por viajar. O espírito aventureiro falou mais alto!

E adivinhem quem foi o motorista?

No inicio foi tudo muito estranho. É muito detalhe pra se prestar atenção ao mesmo tempo: GPS, rodovias, mão ao contrário, sinalização… O pior foi a troca de marchas. Muitas vezes meti a mão na porta em reflexo ao jeito “normal” de se dirigir. Mas logo a gente se acostuma.

E já nesses 5 minutos de testes passo com o pneu dianteiro esquerdo por uma “cratera” na rodovia. Por um momento pensamos que o pneu havia furado. Mas isso não aconteceu.

Aconteceu pior. Explico mais a frente!

Nos dirigimos em direção a Galway, a tal cidade localizada a umas 3 horas de Dublin. O GPs bêbado se perdia de vez em quando, mas foi muito útil. Nossa viagem se deu tranqüila. Algumas bobeadas, algumas perdas de sinal, mas nada de grandes problemas.

E já no estágio inicial, houve mudanças de planos. Alguém nos falou de uns tais Cliffs, uns penhascos que ficavam perto da cidade onde estávamos indo. Como não tínhamos roteiro, e não sabíamos exatamente o que veríamos lá, optamos por mudar de direção e ir para The Cliffs Of Moher – localizados numa tal de County Clare.

Paramos em um restaurante de estrada. Comemos para podermos então seguir caminho. Foi quando nos deparamos com os reflexos do buraco que antecedeu a viagem. Um pneu vazio e um aro amassado.

Pra quem não sabe, esses carros de hoje em dia possuem pneus radiais, ou seja, pneus sem câmara de ar. Quando um prego fura esse tipo de pneu, ele não estoura, mas vai esvaziando aos poucos. Isso dá tempo pro motorista rodar mais um pouco. O mesmo acontece se o aro amassa. Como não há câmara, qualquer deformação pode ocasionar perda de ar. Foi o que aconteceu.

E o pior é que o estepe dos carros aqui é um mini estepe que só serve de quebra-galho. Muito engraçado. Ele é bem fininho e só suporta 80 km/h de velocidade (o que numa free way não dá, né!).

Então estávamos fodidos. Sem estepe, sem borracheiro, sem nada (aliás, cadê os borracheiros, os postos de gasolina e as bombas de ar desse país?).

Por esse motivo pensamos em desistir e voltar para Dublin. Mas guerreiros que somos, e bons membros da Funai, optamos por arriscar e continuar a viagem. Enchemos o pneu, e torcemos para que ele esvaziasse o mais devagar possível!

“Great sucess!” :)

Levamos horas pra chegar na porra dos penhascos, mas valeu a pena. O lugar é lindo! E como se não bastasse, todo o caminho percorrido pra se chegar lá, também. Parávamos em toda construção antiga que avistávamos para tirar fotos.

Engraçado que todo interior que percorremos é asfaltado. Nada de estrada de terra. Tá certo que as estradinhas eram medonhas e cabulosas, muitas vezes sem espaço para dois carros. Mesmo assim o nível é completamente diferente!

Senti como se estivesse num daqueles filmes de grandes paisagens naturais.

Na volta, não tive condições de dirigir por causa do sono. Voltei dormindo e o Tiago assumiu a direção! Viagem tranqüila, mas com o problema do pneu sempre em mente!

Agora o carro tá lá, na rua, esperando pelo sol da manhã pra ser levado de volta. E nós torcendo pra que o pneu resista essas últimas horas firme e forte. Assim como nós o fizemos contra todos os contratempos que apareceram!

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The Irish News

25 25UTC Abril 25UTC 2008

Oi! Pra quem possa interessar, cheguei bem e vivo! :)

A viagem até aqui foi mega cansativa, mas foi muito tranqüila. Graças a Deus! Transpirava bicas de preocupação sempre que me aproximava do final dos vôos. E isso foi potencializado em mil, no último, de Amsterdam a Dublin. Repito, graças as energias cósmicas do além e de buruncutum (ou qualquer entidade bizarra), não tive problema algum durante a viagem. Ou quase nenhum.

De Pelotas a Porto Alegre, o problema maior foi a choradeira. Normal (digam que sou normal, por favor)! Peguei carona com os pais da , que estavam viajando para assistir um show dos 50 anos da Bossa Nova. Eu, super compartilhando o momento deles, tava na verdade cagando pra Bossa Nova, Bossa Antiga ou similares. Eu tava no meu mundinho, pensando no que havia deixado pra trás, e no que me esperava pela frente.

Chegamos em Porto por volta das oito e tantas. Eles me deixaram na rodoviária, porque já estavam atrasados para o show, e eu segui meu caminho rumo a casa da Dedec. De táxi, claro. Cheguei em frente ao apartamento dela exatamente no momento em que ela chegava em casa. Acabei ficando horas no trânsito por causa do engarrafamento causado pela manifestação de uns estudantes. Nem sei qual era a causa, porque, como já disse, nem a explosão de uma bomba atômica me dizia respeito naquele momento.

Subimos de mala e cuia (literalmente). Quase me borrei pra subir aquele chumbo todo. No apartamento, a Dedec começou a me dar instruções de como proceder na viagem. “Isso aqui vai na mala de mão!” “Tás louco, isso daqui nem leva, é muito peso.” Guri, não larga desses documentos.” “Pra que tudo isso?” etc. Dicas muito importantes, mesmo!

Pra quem não sabe, a Dedec é uma amiga da família, e nas horas vagas, agente de viagens. Foi ela quem arrumou todos os detalhes da minha viagem como passagens, seguros, cartões e afins. Aliás, pra quem tiver interesse, entre eu contato com “Ouro e Prata Turismo”. Fica aí a dica!

Nesse mesmo dia em Poa, depois de acertar os últimos detalhes, fomos comer em um bicão. Comi, o que talvez seja, o último bauru que comerei por um bom tempo.

Logo após, voltamos pro apê. Eu me deitei e apaguei. Insônia por causa do nervosismo? Psss, balela!

Na manhã seguinte, aeroporto. Dez e dez seria o vôo. Obviamente atrasou. Fiz o check in bem tranquilo, logo que cheguei. Despachei minha mala de apenas 33,9 kg (o máximo permitido para vôos internacionais é de 32 kg, mas como o excedente foi pequeno, não tive problemas), e parti para a sala de embarque.

Muitas pessoas no local. Várias sentadas no chão, com seus notebooks, trabalhando através da Internet. Procurei uma tomada, e me sentei bem feliz, como qualquer outro nerd faria. “Eba! Viva a tecnologia!”, pensei. Mas minha felicidade não durou muito! Um amigão sentou do meu lado, e simplesmente roubou minha tomada! Eu, quase sem bateria, quase entrei em desespero (tá, mentira). No final das contas o Herbert se mostrou uma pessoa bacana, e compartilhou a tomada comigo numa boa!

Acomodei-me no avião bem feliz. Janela, música, livros. De repente, senta quem do meu lado? O Herbert! Ele e o colega pegaram esse avião porque o deles havia sido cancelado. Ou seja, meu vôo, que seria direto, teve que fazer uma escala em Florianópolis. Mas tudo bem, chegando a tempo em Sampa, por mim tava tudo ótimo.

Na chegada em Floripa, um pequeno escândalo no avião. Um velho BURRO, alegou que seu notebook havia sido roubado por alguém que recém descera. Até a Polícia Federal foi acionada. E lá tava o velho, tendo chiliques e mais chiliques. “Façam alguma coisa, parem o desembarque”. Acabou que o notebook não tinha sido roubado, tava ali o tempo todo. Vergonha Alheia total! E pior é que a aeromoça narrou o acontecimento no alto falante, pedindo desculpas pelo transtorno aos demais passageiros. Sério, se fosse comigo tinha cavado um buraco e entrado nele.

Mas ele não tava nem aí, deve ser chiliquento por natureza. Passou o resto da viagem conversando com um falante de espanhol (não me pergunte da onde), e com uma americana. E por incrível que pareça, a americana falava português. Globalização em apenas uma fileira de cadeiras. Achei tri!

Chegamos em São Paulo por volta das 13 horas. Meu vôo seria só às 18 horas. Fiquei tranqüilo. Fiz meu chek in (o de Amsterdam também), e me dirigi pra sala de embarque. Tá certo que eu ficaria esperando lá por horas. Mas naquela ansioedade toda, não havia melhor opção.

No vôo, sentei-me bem nas fileira do meio, em um assento do meio. Ladeado por um Irish no lado esquerdo, e um francês do lado direito. O francês era super gente boa, e dava altas gargalhadas assistindo programas de humor na TV do avião. Eu, obviamente, ria dele.

O Irsh, que eu carinhosamente apelidei de Mr. Willy (go, Willy!), era gordo e espaçoso. Fora isso, era a pessoa que dormia mais rápido da história. A aeromoça falava com ele, mal ela saia, ele já estava roncando. Engraçado que ele é daquelas pessoas que quando a cabeça cai pro lado, acorda de susto. E isso era bom, porque daí ele não roncava por muito tempo! :)

O avião era bem apertado, mas bem interessante, porque havia mini TVs na frente de cada banco, onde cada passageiro podia escolher se queria ouvir música, ver um filme, jogar algum jogo… Eu fiz tudo! Assisti um filme muito bom, aliás. “August Rush” (“Os Sons do Coração”, em português).

A comida era boa, até. Dizia na caixa “comida tipicamente sul americana”. Sinceramente, só se for numa outra parte do sul, porque eu nunca havia comido nada como aquilo.

Chegando no aeroporto de Amsterdam, pude esticar minhas pernas como nunca. Acho que pra compensar muito tempo sentado (11 horas no meu caso), o aeroporto de lá é gigante, o que obriga as pessoas a caminhar MUITO pra achar seu próximo vôo. Ou a saída, sei lá.

Finalmente, no último vôo, sentei-me mais ansioso que nunca. Cansado, fedorento, com fome, com sede. PODRE. De repente, quem surge? O Mr. Willy. E onde ele senta? Do meu lado! Sorte, não? “We meet again!” disse ele. “Yeah!”, respondi! Ainda bem que ele trocou para um assento mais a frente. Na próxima uma hora de viagem, poderia me deitar como não fazia há mais de 24 horas.

Nesse vôo o sono bateu mesmo. Quase 15 horas de viagem dormindo muito pouco. E a fome, então? Pior é a companhia aérea Irlandesa não oferece mimos aos passageiros. É tudo pago! E eu, já pra me preparar para a época das vacas magras, não comprei nem meia bolacha.

Ao desembarcar no aeroporto, senti o frio de barriga mais intenso. Meus maiores medos eram 1) ter minha mala extraviada, 2) ter problemas na imigração.

Mas tudo foi muito tranqüilo. Fui o primeiro a passar pelo guichê da imigração. “You are brazilian? You are very welcome in my country!”, me disse o cara. Achei o máximo! Não esperava essa hospitalidade. De repente ele estica a mão para pedir meus documentos, eu já num estado alfa de excitação, estendi a mão e cumprimentei o cara. Ele riu, logicamente.

Depois de tirar as fotos, e passar pela burocracia toda, ele terminou brincando: “There are more brazilians in my contry than irish peolple”. Eu ri pra não parecer antipático, e me mandei.

Agora a mala. Medo! Esperei, esperei, esperei e nada. Já me preocupei todo. Foi quando percebi a monguice. Dã, esteira errada! Fui pra outra. Esperei, esperei, esperei e… dã, esteira errada. Tá, é mentira. Lá vinha minha pequena malinha de 33,9 kg.

Saí da sala de embarque, e não vi ninguém segurando meu nome. Quando ia começar a procurar desesperadamente vi, na mão de uma rapaz , um singelo papel escrito com os dizeres “Francisco Lima”. Nunca fiquei tão feliz em ver meu nome escrito em uma folha A4 com uma simples caneta preta.

Fomos eu e mais uma guria na van. Também gaúcha. E pasmem, de Encantado. Primeira coisa que perguntei: “conheces a Fabih?” Sim, ela respondeu. Achei muita coincidência. Daí, até os 50 minutos restantes de caminho, foi muita conversa, e uma troca de contatos. Ambos em busca de algum vinculo para não se sentirem tão sozinhos nesse novo país.

Ela foi a primeira a descer. Então pulei para o banco da frente e conversei com o motorista. Em inglês, lógico. A primeira coisa que estranhei foi o fato de eu estar sentado onde, no Brasil, deveria estar o motorista. Bizarro, pra dizer o mínimo! Aqui a mão é invertida, assim como no Reino Unido. Parece que eles vão bater a qualquer momento!

Mais uns 10 minutos de conversa, chegamos na minha nova casa. Pelo menos pelo próximo mês. O frio, nessa altura do campeonato, começou a me fazer tremer. A frente, na porta de um sobrado exatamente igual aos 3824732894 existentes nas redondezas, uma senhora loira, de uns 40-50 anos, me esperava na porta. Foi aí que a ansiosidade voltou a bater. “Devo dizer “hello, new mom?”