Arquivos para a Categoria ‘Saúde’

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Cheiro a jaula

9 09UTC Abril 09UTC 2008

Existe uma teoria não científica a qual diz que qualquer ambiente fechado com muita gente dentro tem um certo “cheiro a jaula”. Hoje, em visita aos Correios, andei pensando sobre o assunto.

Pra começar, vamos analisar o termo. Uma jaula geralmente é aberta, e isso evita a concentração do odor. “Cheiro a cela” seria um termo mais adequado, não? Bom, de qualquer forma “cheiro a jaula” é mais sonoro! “Cheiro a jaula”! Outros termos tais como “cheiro a dobradinha” ou “nhaca” já foram experimentados, mas nenhum se adequa como “cheiro a jaula”. “Jaula”.

Mas por que dessa filosofia cretina? Explico. Hoje, ao entrar nos Correios, senti um baque forte em direção a minha pessoa, como se uma massa de energia podre empurrasse meu corpo na direção oposta. Aquele cheio a suor do trabalhador, misturado a outros tantos cheiros, criou uma ambientação comum a qualquer espaço popular que não tenha janelas.

Essa situação já vem se mostrando corriqueira nesse tipo de lugar. Por isso, comecei a me perguntar sobre a ausência de sistemas de circulação de ar em ambientes fechados. No ônibus mesmo, nem adianta fugir do sovaco alheio, o “cheiro a jaula” tá instaurado no local como se fosse lei! E olha que o busão, além de ter janelas, se move!

O mesmo acontece em elevadores. Mesmo com o fluxo rápido de pessoas, um elevador é sinônimo de gente amontoada, calor, suor e, portanto, sinônimo de “cheiro a jaula”.

Pois bem. Já não bastasse a minha permanência na “jaula” chamada Correios, entrei em uma “jaula” elevador para descer do décimo ao primeiro andar de um prédio. Uma viagem relativamente longa devido as condições supra citadas. Ainda mais em um dia de calor.

Entrei eu e mais duas pessoas. Mas o elevador foi parando, e outras tantas foram entrando, superando a lotação máxima de 8 pessoas. A “jaula” foi definitivamente montada!

Um dos últimos passageiros a embarcar, um senhor muito sábio, comentou a situação com humor. “Com esse calor, às seis horas – final de expediente -, não há elevador que aguente. Vocês estão proibidos de levantar os braços!” Eu ri alto, e concordei com a afirmação como o soldado concorda com o seu superior.

Naquele momento, quis que todos os cidadãos tivessem o mesmo bom senso… Se todo mundo soubesse a hora propícia de exalar seus feromônios, o “cheiro a jaula” talvez não diminuísse, mas incidência dele nos narizes próximos seria bem menor. Nosso olfato agradeceria! E muito!

Claro que o bom senso não é o bastante sem uma estrutura mínima de circulação de ar, e obviamente, sem um bom desodorante. Além disso, cada pessoa tem seu cheiro característico, que nem sempre é agradável a todos que o cheiram. De qualquer forma, a dica do desodorante ainda continua sendo a melhor opção! E a do perfume! Ah, também tem a colônia… Dica é o que não falta!

E fica também a dica pra as empresas que se preocupam com o bem estar dos narizes, estômagos e demais partes de seus clientes e funcionários: a instalação de sistemas de circulação de ar, já!
Esse blog luta pelo movimento da LIBERDADE RESPIRATÓRIA! Jaulas, não mais! :)

P.s: Se quiser saber qual o seu cheiro proceda da seguinte forma: lamba seu antebraço do punho ao cotovelo. Esfregue um braço no outro e depois cheire!
Faça o teste e comente suas impressões!

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Vacina contra VC

19 19UTC Março 19UTC 2008

Esses dias estava pesquisando sobre doenças contra as quais devemos nos vacinar. Não por uma questão de ser ou não hipocondríaco, mas porque queria saber se havia necessidade de algum tipo de vacina específica para viajar pro exterior. Pra Irlanda não há! Mas eu preferi me vacinar de qualquer forma.

Aliás, vou utilizar meu espaço no blog para pedir aos leitores que se informem sobre o assunto. Aqui o calendário de vacinação do adulto e do idoso do Ministério da Saúde! Fica aí a dica. Chico também é responsabilidade social! ;)

Conforme consta no calendário, pessoas acima de 20 anos devem receber as vacinas dT (Dupla tipo adulto), Febre Amarela e SCR (Tríplice Viral), contra Difteria e Tétano, Febre Amarela (dã) e Sarampo, Caxumba e Rubéola, respectivamente.

A Triplice Viral eu já havia tomado na Embrapa ano passado, então não havia necessidade. A dT eu não tomei e nem tenho pretensão de tomar. Resta a da Febre Amarela. Foi contra a dita cuja que resolvi me vacinar.

Não que a dT não seja importante. Se eu não precisasse, não tomaria nenhuma delas. Ignorância minha, eu sei. Mas é que a gente sempre vai adiando qualquer tipo de compromisso relacionado a saúde. Ou eu tô mentindo?

A situação é que eu realmente optei por me vacinar contra a Febre Amarela porque alguns países fazem essa exigência aos estrangeiros antes de permitir sua entrada. E eu, mais novo viajante do pedaço, não tô com a mínima vontade de ser barrado ou deportado. Já basta a Espanha, né!

Outro motivo que me fez tomar essa precaução foi o livro “O Médico Doente“, do Dr. Dráuzio Varella. Depois de ler um relato bastane minucioso dos efeitos da doença, principalmente vindo de um médico, fiquei um pouco, digamos, impressionado.

Toda essa introdução para dizer que hoje, finalmente, fui ao Posto de Saúde.
Para quem interesse, a vacina é dada gratuitamente todas as terças e sextas, das 14h às 20h. Eu havia ido lá ontem. Mandaram retornar hoje. Foi o que fiz.

Pra começar, me entupiram de papel. Tá, mentira. Mas me entregaram outra carteira de vacinação porque a antiga, na qual constava a Tríplice Viral, não estava assinada. Uma burocracia, no mínimo, cretina!

Sentei na cadeira e fui respondendo as informações que a enfermeira pedia. As perguntas boiavam na minha cabeça como se uma voz gritasse ao longe. O foco da minha atenção era o choro das crianças recém vacinadas. Tá, eu sei que são apenas bebês, e que bebês costumam chorar. Mas comecei a ficar meio nervoso. Não sou muito adepto de injeções, assim como 99,9% da população.

Fui orientado a esperar na fila. Foi quando o nervosismo bateu de vez. Eu sei que não dói. Mas é de família. Minha mãe mesmo, desmaiou enquanto realizavam o teste do pezinho num Francisco recém nascido, lá nos idos de 1987. Claro que não sou assim tããão fiasquento. Mas longe de mim ser um indivíduo calmo e tranqüilo.

Em meio a crise, nem olhava para o movimento do posto, só pensava em ficar mais calmo. Foi quando tive minha atenção desviada por uma mãe que segurava seu bebê de apenas um mês de idade. Muito sensato que sou, não me manifestei nem fiz festa na criança, apenas observei a bonita cena. A senhora super conveniente que sentava ao meu lado, por outro lado, não pensou duas vezes para importunar aquela pobre mãe:

velha: que bonitinho! tem quanto tempo?
mãe: um mês.
velha: é menininha, né? claro, tá de rosa!
mãe: aham.
velha: ele é prematuro?
mãe: sim, nasceu de oito meses.
velha: bem que eu vi! sabe que o filho do meu sobrinho também nasceu de oito meses e era bem pequeno que nem o seu.
mãe: aham.

Só pelas respostas secas da mãe, foi óbvia a invasão cometida por parte da senhora. Sem nenhum “semancol”, a velha continuou com as pequenas alfinetadas e disse, com aquela sabedoria que toda vó tem, “ele tá meio tortinho!”, referindo-se a posição do bebê no colo daquela mãe. Eu levei as mãos ao rosto em sinal de desaprovação a exclamação tão inoportuna feita pela velha. A cara da mãe não pode ser descrita em palavras, mas creio eu que possa ser imaginada. Fica a critério da criatividade de vocês.

Nem bem passara por aquela situação super agradável, fui chamado para receber minha vacina. Entrei na sala e esperei, com aquele pingo de nervosismo ainda misturado com a vergonha alheia do diálogo o qual acabara de escutar. Séculos depois (5 minutos potencializados pela situação) a enfermeira entra segurando aquela ferramenta malígna e pede para que eu mostre o braço esquerdo. “Mas que cara feia é essa?” perguntou ela, referindo-se ao meu pavor. Eu já branco, respondi que não era muito familiar a agulhas.

Mal fechei os olhos (tá, admito, sou fiasquento que nem minha mãe), tudo já havia acabado. Senti apenas uma picadinha. Exatamente como na descrição piegas dos médicos antes de aterrorizar enfiar uma agulha em alguém.

Antes de partir, tive vontade de perguntar se existia algum tipo de vacina contra VC (velhas chatas), mas ponderei a piada para não parecer ainda mais estúpido. Saí do posto esfregando o braço esquerdo tentando diminuir a dor inexistente naquela região. Coisas do psicológico. Parti com a missão cumprida, com mais uma nova história pra contar, e com a sensação de que, mais uma vez, havia feito uma cena ridícula.

Pelo menos não fui o único!