h1

Chegadas e Partidas

23 23UTC Janeiro 23UTC 2009

Em 2008 toda realidade vivida por mim durante 21 anos foi quebrada, não em um passe de mágica, mas em um passe de avião. Saí da minha pacata vida de cidadão pelotense rumo a mais pacata ainda vida de turista irlandês (sim, porque cidadão nunca! credo!).

dsc_0075

Morei “sozinho”. Ou quase isso…

Precisei lavar pratos. Precisei lavar minhas próprias roupas – sempre separando as claras das escuras! Precisei trabalhar arduamente para sustento do estômago e  recheio da carteira.  Precisei dar bronca em marmanjo a fim de ensiná-lo a  seguir a escala de limpeza do banheiro (e assim me tornei o orgulinho da mamãe). Enfim, precisei de muitas novas atitudes.

E como se isso não fosse o suficiente, tive a oportunidade de realizar um grande sonho: coloquei a mochila nas costas, o pé na estrada e parti pro mundo. Estive em lugares os quais nunca imaginei que visitaria. Conheci pessoas incríveis e aprendi muito com elas. Aprendi com as pessoas cretinas também, aliás.

dsc_0567

Não aproveitei tudo que pude, mas realizei tudo aquilo que sempre desejei.

Saí com um saldo super positivo desse ano tão incomum na minha vida. E mesmo assim, não me sinto completamente realizado. Sinto que o mundo tá aí pra ser desbravado, que as pessoas estão aí para serem conhecidas, e as culturas para serem experienciadas.

Quando voltei pro Brasil já estava com muitas saudades de todo aquele pequeno mundo que me cercou durante uma vida inteira. Não via a hora de chegar em casa! Foi dessa forma a qual percebi que não há nada como nosso lar. É sempre bom ter um canto de conforto pra onde sempre se possa voltar.

dsc_0009

Veja bem, VOLTAR! Verbo que pressupõe a partida. Hoje é isso que absorvo: não há nada no mundo melhor que o MEU mundo. Mas não há nada que nos faça perceber isso senão as diferentes realidades de outros mundos.

Os planos para o futuro são variados. Quero partir e aproveitar o que o mundo tem a me oferecer. Mas não quero um pacote fechado. Quero poder voltar e contribuir contando com aquilo que aprendi. Peço muito? Talvez. Mas é isso que eu quero e é disso que vou atrás. Nem que os tiros sejam dados em direção a todos os pontos cardeais.

h1

Amém

1 01UTC Novembro 01UTC 2008

Algumas pessoas dizem que blogueiro não tem mais nada que fazer além de ficar escrevendo inutilidades na internet.

Como diria Luka: tô nem aí, to nem aííí… Até por que tem gente que emprega energia em coisas muito piores:

Vamos orar baixinho, pufavô?

Pelo menos a coisa não é totalmente despropozitada. Compreendo a causa. Uma procissão já passou em frente a minha casa, em plena madrugada, gritando orando o “Pai Nosso”,  o “que estais no céu” e o “santificado seja o vosso nome”.

Mas foi uma única vez, então não tenho muito do que reclamar.

De qualquer forma virei FÃ, porque criar site pra causa foi O MÁXIMO! Já tinha ouvido falar do problema através daqueles spams, sabe? Mas saber que o movimento é concreto torna a piada ainda mais engraçada.

De resto, só tenho a rezar (baixinho) para que Deus ouça o apelo dos coitados.

(desculpa, não resisti! :p)

UPDATE: peloamordedeus, leiam os relatos. OS RELATOS:

Sou membro da igreja Ass. de Deus e graças a Deus no Bairro onde moro têm igrejas evangélicas de várias demoninações, não vejo e nem ouço falar de nenhuma reclamação inclusive de barulho até porque temos que respeitar o próximo e na Bíblia diz que devemos seguir a paz com todos.

Demoninações? Como assim, Bial? Que Igreja do Demo é essa? MEDO!

E acho tri quando as pessoas seguem tão a risca o que diz na Biblia. Será que se o padre ler uma frase do tipo “daí Jesus virou um tabefe em Judas e gritou: vós sois um cretino!” durante a missa, como se estivesse escrito no capítulo 9, versículo 200 (sei lá, whatever), será que neguinho ia descer o cacete?

Desculpa, mas eu nunca li a Bíblia e sei que, civilizados como somos nozes (?), devemos manter a paz entre os hombres. Dã!

E outra, se tá ESCRITO, não pode ler não? Tem que gritar? Será que os padres são surdos ou os fiés que não lavam as orelhas? Fica aí a questão!

h1

Cidade das Malas

26 26UTC Outubro 26UTC 2008

Dublin não é uma cidade como as outras. Aqui a temperatura é louca, o clima é insano e os habitantes uns malas. E mesmo com esses aspectos negativos, a cidade (talvez o país) intriga quem é de fora, e como o ímã atrai o metal, acaba atraindo muitos visitantes todos os dias.

A ambiguidade é clara: não são só os malas dos irlandeses que compõe a paisagem de Dublin, mas as muitas malas estrangeiras que acompanham seus donos viajantes.
Não confunda! O último caso é literal!

Tem aquele viajante a negócios, com sua mala discreta, equivalente aos seus dias de trabalho. Há os extravagantes, com suas malas coloridas e cheias de penduricalhos. E, claro, não poderiam faltar os verdadeiros mochileiros, que não carregam malas, mas que ainda assim se enquadram na categoria dos desbravadores urbanos.

Seja o tipo de mala, não importa. No centro da cidade sempre se vê diferentes pessoas carregando os mais diversos tipos de bagagens.

Não sei qual a realidade dos outros países Europeus portanto não posso comparar. Acredito que a situação seja semelhante. Mas o que se vê em Dublin chama atenção todo santo dia, porque é impossível sair na rua sem se ver alguém carregando uma mala de rodinhas.

Isso quando não é a própria mala carregando a outra.

Aliás, falando em mala… novidades não tão novas em breve! ;)

h1

Myth & Me

26 26UTC Setembro 26UTC 2008

A relação entre o ser humano e seu animal de estimação é algo muito forte. Há quem não compreenda, há quem repreenda. Mas essa ligação existe, e só quem realmente ama/amou incondicionalmente seu companheiro(a) sabe do que estou falando.

Uma vez, quando criança, um dos meus vizinhos me indagou sobre minha preferência entre meu computador e minha gata – se eu pudesse manter apenas um, qual escolheria. Mesmo em uma época em que jogos eletrônicos eram a diversão do momento, minha resposta ligeira foi uma: logicamente, a gata.

Aquela situação ficou bastante marcada na minha cabeça até hoje. Não só a situação, como a reação indignada dos vizinhos a minha resposta. Mesmo sendo aquela uma pergunta de uma criança para outra, foi algo que me fez pensar durante anos a fio.

Hoje, daqueles vizinhos presentes, praticamente todos têm animais de estimação, e acredito eu, portanto, que hoje eles entendam o significado da minha resposta.

Um animal de estimação, mais especificamente no caso de um gato, não é apenas um “bicho” imprestável que come, solta pêlo e faz cocô. É um companheiro, é um amigo fiel.

Há quem pense que os gatos são traiçoeiros e egoístas. De certa forma eles são bem independentes, sim. Mas nem por isso deixam de demonstrar o quanto nos amam e o quanto curtem a nossa presença.

De qualquer forma, a questão do que quero dizer não é essa. Cada animal tem uma personalidade diferente e age de maneira diferente, independente de ser um gato, um cachorro ou um passarinho. A questão é que o animal deixa de ser um apenas um “bicho” e passa a ser um membro da família.

Ontem terminei de ler o livro Marley & Eu, sobre um dono e sua convivência com – na opinião do autor – o pior cão do mundo. Na minha percepção, nada do que fora escrito sobre Marley era algo excepcional. Muitos dos cachorros de amigos e parentes se comportam de maneira muito pior.

O que realmente chamou minha atenção é que, independente da similaridade com outros cães, aquele foi único para aquela família. E nos 13 anos de convivência, mesmo com toda o estresse que causava, Marley foi especial.

Da mesma forma com que uma gata, a minha gata, é especial. O pêlo dela pode atacar minha rinite alérgica. Ela pode roubar todas as minhas borrachas e bagunçar o lixo. Ela pode miar e me impedir de estudar na véspera daquela prova difícil. Ela pode ser igual a qualquer outro gato que existe na face da terra. Não importa. Pra mim, pra minha mãe, ela é mais que um gato. Seu comportamento e o amor que ela demonstra por nós supera a barreira da comunicação entre duas diferentes espécies animais – humanos e felinos.

Ontem ela completou 10 anos de existência. Dez anos me fazendo rir. Dez anos me irritando. Dez anos fazendo um cocô muito fedorento. Dez anos fazendo parte da família.

E como o tempo vôa! Parece que foi ontem que minha tia a trouxe em uma caixa de papelão, pequena, tímida. Parece que foi ontem que ela ficou perdida por dois meses no meio do mato. E parece que foi ontem que chorei por causa disso. Parece que foi ontem que ela teve sua primeira e unica cria.

Assim como Marley fez falta pra essa família, ela vai fazer falta na minha em alguns anos. Difícil pensar nisso. Mas a inevitável certeza da vida, a inevitável perda, é sempre compensada nos inúmeros ganhos ao longo dessa existência. Dos ganhos e aprendizados que vieram e dos que ainda estão por vir.

dormindo no inverno…

mexendo em alguma coisa…

Simples assim: amo!

h1

Moving Dance

21 21UTC Setembro 21UTC 2008

Quem me acompanha provavelmente se lembra dos problemas pelos quais passei com a família monstro e da minha saída às pressas pra casa da Jéssica. Também deve saber que me tornei o novo morador daquele flat, enquanto as gurias que lá habitavam mudaram-se para outro lugar.

Acontece, no entanto, que o endereço referente as minhas correspondências há dois meses não é mais o mesmo daquele inferno. Por muita sorte nossa, mudamo-nos – eu, Dartanhan e André – para um apartamento mais ao centro e muito maior. E isso tudo praticamente pelo mesmo valor.

mudança… de novo

Mas as coisas não são tão simples como parecem ser. A mudança não foi uma simples questão de procurar um lugar mais habitável, foi uma questão de sanidade mental.

Primeiramente porque, contrariando nossas expectativas, um pequeno flat de dois quartos não fora suficientemente espaçoso para abrigar cinco homens. Em segundo lugar, porque os vizinhos eram completamente loucos.

A tortura começava pelo barulho. Sucessivas mudanças e trocas de móveis de lugar no flat acima do nosso, justamente quando mais precisávamos dormir.

Depois, vinham as brigas homéricas do casal. A criança de apenas alguns meses, filha da dupla, nunca deixou seu choro atravessar as paredes da casa. Já os gritos e bate-boca da fera e da fera (sim, porque a bela só em conto de fadas) possuíam níveis que superavam essas barreiras.

No entanto, a pior parte não era quando eles brigavam, mas quando eles… digamos, se amavam. E como se amavam alto! Uma coisa totalmente desnecessária de se ouvir. Ainda bem que eu trabalho na madrugada, o que poupava meus ouvidos na maioria das vezes.

Sobre a obesa da vizinha da frente nós não tivemos muito do que reclamar porque ela não era tão inoportuna como os demais. O principal problema dela era apenas sua feiúra. Só de olhar pra cara da coitada já dava um desânimo, o que praticamente estragava a alegria do dia.

O próximo vizinho, era o pior. Pra começar que ele miava o dia inteiro. Não, isso não é uma metáfora. Ele miava, literalmente. E como se não bastasse ser louco, o cara ainda era ladrão. Todo santo dia, lá vinha ele e seus comparsas carregando várias bicicletas, que no outro dia já haviam sido – creio eu – vendidas.

Aliás, ele é o principal suspeito do assalto que ocorrera em nosso apartamento logo que nos mudamos para o local. Na verdade, sempre tivemos uma pequena desconfiança, a quase certeza veio umas duas semanas antes de sairmos de lá.

Eu estava viajando (fatídico!) e o resto dos guris que moravam comigo estavam prestes a dormir. Nesse momento algum ser inoportuno bate na porta por repetidas vezes. Nenhum deles realmente se coça pra atender, certamente porque sabiam que era um dos loucos. E dar papo pra louco, em inglês, em plena madrugada, não é algo que chame atenção das pessoas de uma forma geral.

Foi quando esta pessoa muito inteligente se dirigiu até a janela de um dos nossos quartos e tentou abri-la (morávamos no térreo), pra surpresa dos guris. Quando o jumento do vizinho percebeu que havia gente no apartamento, saiu correndo e se trancou no apartamento dele.

Ao invés de miar, o cara deveria zurrar, de tão burro que é. Naquele mesmo dia mais cedo, ele havia jogado uma lata de tinta pela janela da sua casa, que ainda encontrava-se fresca pela noite. Certamente que os passos dele ficaram marcados, por causa disso, desde a cena do crime até a porta da casa dele.

Os guris logicamente chamaram a polícia irlandesa – mais conhecida como Garda. Mas esses também são incompetentes e não fizeram nada. No fim das contas o cara ficou limitado a não sair de dentro do flat dele, caso contrário ele seria preso. E semanas depois, segundo nos informou o Landlord (dono da casa), ele seria despejado.

Mesmo assim, unimos o inútil ao desagradável e partimos dessa pra uma melhor. Até porque, mesmo com o vizinho louco sobre controle, ainda tínhamos o problema do barulho com as duas feras. E esse arranca rabo deu história pra contar.

h1

Belfast, Northern Ireland

21 21UTC Agosto 21UTC 2008

Foi uma das viagens mais impulsivas e não programadas da história. “Vamos, no próximo domingo, alugar um carro e viajar?”, “Vamos! Oba! Yupi! Uhuuul!”.

No sábado a noite, então, lá estava eu na casa da Jéssica. Sem carro alugado e nem roteiro programado, apenas com algumas vagas pretensões na cabeça. Entramos no site de aluguéis de carros e agendamos o automóvel mais conveniente para nossas ambições abstratas. Obviamente que, devido ao horário, as opções eram limitadas, assim como as nossas capacidades observatórias.

No dia seguinte, ao retirar o carro, percebemos um pequeno detalhes que não fora por nós considerado no momento do agendamento. O câmbio automático. (trovões)

Tá, coisas automáticas em gerais são muito cretinas e só vieram ao mundo pra facilitar a vida da gente. Mas eu NÃO SABIA como, sequer, mover o carro – a não ser empurrando. Mas essa não era uma opção, porque eu sigo a filosofia da marca Tigre e fujo do mico sempre!

A única opção que me veio a cabeça foi procurar o manual de instruções do veículo (santo manual) e aprender na marra, lendo e testando. Deu certo! Claro, que se o caso fosse o contrário, e eu estivesse partindo de um carro automático para um manual, a situação não seria resolvida tão facilmente. Reafirmo minhas palavras ao dizer que a automatização é uma santa dádiva da tecnologia.

Ainda com aquele frio na barriga, arranquei o carro e parti para mais uma aventura na mão contrária. No entanto, a mão contrária não era mais um problema nessa altura do campeonato. Já o pé… esse sim causou complicações.

Pra dirigir em circunstâncias normais a gente usa o pé direito nos pedais do freio e do acelerador e o esquerdo no pedal da embreagem. Pois num carro automático o pé esquerdo fica inutilizado. Daí que veio a pergunta chave do problema: “ONDE RAIOS EU ENFIO ESSE PÉ, MEU DEUS?”.

Como dirigir é mais reflexivo do que pensante, continuei utilizando os dois pés. Um no freio e o outro no acelerador. Agora imaginem vocês o estrago que um pé esquerdo não faz no pedal do freio, ainda mais em um freio sensível que nem o do carro que havíamos pego. Até o momento em que me dei conta do erro cometido, as gurias já tavam apavoradas, com a cara grudada no pára-brisa. Eu, pra variar, só ria. Acho que quando fico nervoso, me desato a rir.

Como da última vez, com o incidente do pneu, o furacão foi passageiro. O resto da viagem foi tranqüilo.

Teoricamente, dentro da nossa confusão mental e literal falta de destino, havíamos escolhido Connemara. Não me perguntem o que de bom tem pra ver lá porque eu só tava seguindo o fluxo. De qualquer forma, mudamos os planos logo no inicio da viagem (como de costume) e nos dirigimos para a capital da Irlanda do Norte, Belfast.

O motivo dessa mudança foi o dinheiro, ou a falta dele. A lição moral dessa viagem foi: “não façam as coisa de última hora, crianças. Sai caro!”. Ir para Belfast significava diminuir o tempo de estrada pela metade, e consequentemente, diminuir consideravelmente o consumo de gasolina.

Chegamos por volta de uma da tarde na cidade. Rodamos bastante até encontrar um estacionamento não pago, e não limitado a 60 minutos.

Pernas em movimento, e cabeças expostas a fina chuva que caia, saímos a descobrir o que Belfast teria a nos oferecer. Fomos ao City Hall (prefeitura), ao Belfast Wheel (muito parecido ao London Eye), ao Albert Clock (oi? Big Ben miniatura?), e a outros diversos monumentos must see da cidade.

O lugar é bem diferente de Dublin, apesar da grande relação entre os países. Visto os monumentos e a estrutura da cidade é clara a influência Britânica em Belfast. A título de curiosidade, até a moeda local é diferente. Lá se usa a Libra, assim como na Inglaterra. Mas, até onde fiquei sabendo, essa moeda só vale por lá. Tanto, que a Libra Irlandesa é diferente da Inglesa.

Tive até que guardar uma nota. Mesmo que 10 pounds me custem quase 20 euros, que me custam, em reais… bom, nem vale a pena pensar nisso.

Seguindo o percurso, caminhamos alguns quilometros (LITERALMENTE) até encontrar o dique onde foi construído o tal do Titanic. Assim como a Jéssica não sabia, assim como a Dani não sabia, e assim como todo o resto do mundo não sabe, eu também não sabia que esse navio era Irlandês.

Aliás, piada pronta, né! Irlandês bebendo pints e pints de Guinness e construindo navio? Não é a toa que deu no que deu…

Nada de grandes coisas pra se ver por lá. Apenas um mega ultra tunder giga buraco onde, segundo as placas, caberiam 26 ônibus londrinos enfileirados.

Eu e a Raquel caminhamos ao redor do dique, e aí sim, pudemos realmente perceber o quão grande era o navio. Nossos olhos nos enganam algumas vezes, mas o tempo considerável que levamos para chegar até a ponta onde há contato com o mar, não poderia nos enganar.

É impressionante o que o homem é capaz, não? Primeiro um dique dessa magnitude para depois construír um navio. Imagina o meu deslumbre no dia em que eu visitar as pirâmides!

Então, ali na ponta da estrutura de concreto, filosofando sobre o assunto, me deparo com uma placa que destruiu com meus pensamentos: “cuidado, estrutura instável”. Oi? Como assim estrutura instável? Interessante que a leitura da placa é feita quando se está DO LADO da estrutura instável.

Valeu pela dica, tô voltando, bye, bye!

Como eu havia dito, coisa de Irlandês bêbado.

Para finalizar a viagem fomos num shopping maravilhoso, arquitetonicamente diferente. Pena que já era tarde e a maioria das lojas estavam fechadas. Pelo menos o Mc Donald’s ainda estava aberto e, para minha felicidade, aceitava Euro! :)

Finalmente, fomos ao parlamento, e ao Belfast Castle. Esse último, um dos prédios mais bonitos que vi nos últimos tempos. Não sei se foi pelo clima noturno somado a vista iluminada da cidade abaixo ou se pela estrutura em si, da escada em caracol, dos jardins bem cuidados e da complexidade arquitetônica. Mais parecia um castelo de conto de fadas.

Na volta, pra variar, o GPS bêbado tinha que se manifestar contrário a nossa vontade de voltar pra casa, e nos fez dar zilhões de voltas ao entorno de Belfast. Salvem as placas, porque embora a tecnologia nos dê muitas dádivas, ela também nos dá muitos estresses. E nada como um bom e velho sistema mecânico-manual pra nos salvar dos perrengues quando a tecnologia cisma em não funcionar.

Das estradas mal sinalizadas (sem olho de gato, como pode?) para Dublin, e em Dublin para a cama – montada provisóriamente no chão, na casa da Jejé, depois de um cansativo dia de viagem.

h1

Paris, França

4 04UTC Agosto 04UTC 2008

Vinte e oito de julho de 2008, o dia em que conheci Paris, o dia em que meu karma resolveu se voltar contra mim, e o dia em que tudo, como sempre, terminou bem.

Ao viajar de avião, adoro dormir com a cabeça encostada na poltrona da frente. Ainda mais em vôos de baixo custo, em que as poltronas não reclinam. Dobro minha jaqueta, ponho entre a testa e o encosto da cadeira e relaxo!

Nessa posição, um tanto quanto incomum, apaguei e só acordei no final da viagem com o avião pulando. Recompus minha sanidade, levantei a cabeça, mas ainda assim enxergava tudo borrado. Esfregava os olhos e nada. Estranho, pensei. Levei as mão ao rosto ainda meio sonolento e percebi que a cara tava limpa. Surtei. “CADÊ MEUS ÓCULOS?” Caíram do rosto enquanto eu dormia.

Abaixei e catei em tudo quanto é canto. Todo mundo me olhando! NADA! Perguntei pra passageiro, comissário, aeromoça, piloto, Jesus Cristo e todos os profetas da humanidade. NADA! Esperei até o último passageiro sair, procurei, mandei as aeromoças catarem. NADA! Ai-meu-DEUS!

Depois de muito se deixar incomodar, a equipe [ironia mode on] super gentil e simpática [ironia mode off] mandou eu me retirar da aeronave porque eles precisavam arrumá-la para o próximo vôo.

Frustrado e cego, me dirigi ao saguão do aeroporto para perguntar nos auto-falantes se algum dos outros passageiros não havia encontrado meus óculos. Mal saí do avião, um dos comissário de bordo gritou, da porta da distante aeronave, que havia encontrado algo.

Eu disse algo, porque os pedaços de metais tortos e pisoteados já não mais configuravam um óculos. Tá, exagerei – é a dramaticidade da história -, mas o pobre tava bem capenga. Pelo menos dava pra desentortar, e foi o que tentei fazer.

Eu disse tentei, porque nessa tentativa, caguei de vez com a situação. A haste caiu. A lente caiu. E o mini tini parafuso também caiu!

Sem nenhuma opção palpável, eu e o Guto nos dirigimos ao ônibus que nos levaria ao centro de Paris. Uma hora e meia para refletir como poderia resolver meu problema, uma vez que havia esquecido meus óculos escuros e meus óculos reserva (erro que jamais cometerei novamente) em Dublin.

Ao chegarmos, incomodei até as almas penadas parisienses para procurar uma ótica. Meu dia não havia começado bem, mesmo em Paris. Parei pra pedir informações num bar da estação de metrô e recebi de brinde um arroto na cara, de um velho que estava ao meu lado. Não sei se encarei o fato como um sinal de que as coisas iam feder mais, ou se encarei como uma situação inesperada para reanimar meu dia. Sim, porque eu ri, claro.

Pedi ajuda pra Deus e o mundo e nada. Tudo fechado! Em Paris, a segunda-feira é o novo domingo, assim como a (qual a cor da estação?) é o novo preto!

Mesmo suando devido a intensa caminhada, ao peso nas costas, a ansiedade e ao calor de trinta graus, não desisti e continuei procurando.  “Olha lá, uma ótica. E tá aberta!” disse o Guto, depois de mais ou menos meia hora de caminhada!

Foram as palavras mais confortantes que ouvi durante toda a viagem. “ótica…, aberta…,”. Sabe quando as coisas ficam em câmera lenta? Então… Não aconteceu isso, mas eu gosto de pensar que sim, pra dar mais dramaticidade à história.

Entrei, suando, falando um francês de merda e implorando por ajuda. Pelo menos, me fiz entender. O cara, super simpático, arrumou, limpou e turbinou meus óculos sem cobrar um Euro!

Óculos consertado, problema resolvido? Infelizmente não. Uma sujeira entrou no meu olho e me incomodou a tarde inteira. Continuei pseudo-caolho. :(

Mas isso não impediu o passeio. De forma alguma! E o colírio Torre Eiffel logo curou qualquer problema de visão existente.

De olhos bem estalados, admirei o monumento como uma criança namora um doce na vitrina de uma loja. A Torre é linda e imponente. Na minha percepção, pareceu menor do que nas fotos. E mais larga. Mas ao subir até o topo, pude perceber como o negócio é realmente alto. E a vista… que coisa linda. Paris é toda branca. E o Sena cortando a cidade… maravilhoso!

Mas logo o tempo mudou. O forte calor e o sol a pino foram rapidamente substituídos por uma chuva forte e por um vento que levantou mais poeira que a Ivete Sangalo.

Nesse momento, quem ficou pseudo-caolho foi o Guto, que tomou uma areiada no olho.

Antes de voltarmos ao albergue, já a noite, demos uma rápida passada no Arco do Triunfo. Os guris, que sacudiam uma bandeira do Rio Grande do Sul (bairristas?) em frente ao monumento, levaram uma mijada do guarda por desrespeitarem um lugar de homenagem aos mortos. Engraçado, pra dizer o mínimo.

Éramos 6. Eu, o Guto, o Marcelo, o Klaus, o Bruno e o Caetano. Todos já velhos conhecidos de Pelotas. Os guris estavam mochilando pela Europa. Eu e o Guto, morando em Dublin, viajamos até a França para encontrá-los. E para conhecer Paris, claro.

Os guris que viajavam juntos, ficaram em um mesmo quarto no albergue, o Guto em outro e eu em um terceiro.

Era tarde quando fomos dormir. Eu tava podre. Tomei banho e me deitei. No entanto, dormir não foi uma tarefa fácil! Havia, em meu quarto, três camas, sendo que apenas uma estava ocupada. Mas essa única presença foi suficiente para roncar por um batalhão! Que coisa mais estrondosa! Acordei o cara duas vezes pra então conseguir dormir, lá por umas 3 horas da manhã.

No dia seguinte acordamos cedo para ir à Euro Disney. Primeiro, fomos no Hollywood Tower, um elevador que fica despencando com a gente dentro. Sensação horrível de queda livre. Não me convidem pra uma terceira vez (sim, porque eu já tinha experimentado uma primeira).

Depois, fomos em todas as montanhas russas possíveis. As mais legais foram as montanhas completamente no escuro. É ótimo esperar o inesperado, ainda mais ao se tratar de curvas, quedas e loopings.

E assim foi o dia… Montanha atrás de montanha.

Logo a noite, antes de voltarmos ao albergue, fomos ao Moulin Rouge. Tiramos algumas fotos em frente a casa e partimos 1) porque estávamos com fome, 2) porque estávamos podres e 3) porque entrar no cabaré custa muito caro.

De volta ao albergue, e em um novo quarto, dormi feito um bebê! Sem roncos dessa vez! Acordei cedo novamente, me arrumei e me encontrei com o resto do guris para irmos à Roland Garros.

Não que eu fizesse muita questão. Sei porra nenhuma sobre Tênis. Mas companhia é companhia. E eu não morreria para conhecer o lugar. Bem pelo contrário, achei muito válido.

E o que mais me chamou atenção – logicamente – foi a sala de imprensa pros jornalistas que acompanham o torneio e toda a estrutura que ele abriga. Grande, mesmo.

Aliás, a França é o Itu da Europa. Tudo enorme. São as milhões de linhas de metrô, a Torre Eiffel, o Louvre.

A propósito, uma coisa que achei bizarra, foi o fato de que alguns dos metrôs têm pneus de borracha, tipo os de carro, ao invés das rodas convencionais de… trêm. Imagina se fura? Como troca?

Enfim…

Nossa próxima parada foi o Museu do Louvre e suas Piramides. Descemos da estação de metrô (ou subimos?), caminhamos em pouquinho e voilá! Ao longe avistamos aquele prédio monumental. Que estrutura gigantesca, sério! Não sei se fiquei impressionado porque pensava que o Louvre seria mais humilde, ou porque o negócio é realmente grande.

Pagamos oito Euros (muito bem pagos) para entrar, e partimos em busca de conhecimento. Tá, mentira, essa era pra ser a parte educativa da história.

Escolhemos algumas sessões, porque é impossível conhecer tudo. Fomos na parte das antiguidades egípcias, nas esculturas gregas (ou romanas, sei lá), nas pinturas italianas (Monalisa, parada obrigatória) e nas mobílias de Napoleão.

Tudo gigante, tudo lindo. Salas inteiras douradas. Tetos super altos. Afrescos enormes. Tô dizendo… ITU!

Saimos do Museu depois de umas 3 horas sem ver nem um terço das exposições. De lá caminhamos por toda a Champs-Élysées – a segunda avenida mais cara do mundo -, pra finalizar nossa rápida passagem por Paris. Almoçamos e pegamos o ônibus de volta para o aeroporto. Mais uma hora e meia de estrada.

Terminei minha viagem com um gostinho de quero mais. Até porque faltou muita coisa legal pra conhecer. Por isso, uma das minhas primeiras paradas durante a mochilada será novamente Paris.

Entramos no avião bastante tarde, uma vez que a imigração ficou incomodando todos os passageiros. Sentei num dos últimos lugares que sobravam. Mas dessa vez não dormi na posição bizarra porque esqueci minha jaqueta na ótica, naquele primeiro dia de viagem. Posso até ter passado frio (NOT), mas pelo menos cego não fiquei dessa vez!

E agora, de volta a rotina.

h1

Flat Chat

5 05UTC Julho 05UTC 2008

Contexto: janta coletiva com o pessoal aqui de casa ontem a noite. Assuntos aleatoriamente idiotas.

Ismael: cara, se no verão eu já tô sentindo um pouco de frio aqui, imagina no inverno. Esses aquecedores não resolvem nada! Vou ter que dormir abraçado no aquecedor…
Todos: HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

Contexto: André, eu, Dartanhan e Fernanda no quarto. Eu na parte superior do beliche, Dartanhan e Fernanda  na parte de baixo, e André na cama de solteiro. Eu e André conversando no MSN.

Francisco Lima diz: eles tão trepando aqui
Francisco Lima diz: a cama tá sacodindo
André Luiz diz: UHAUEHAUEHAUEHAUEHA

Francisco Lima diz: tão cochichando
André Luiz diz: MEU, SE ALGUÉM LEVANTAR EU VOU RIR
André Luiz diz: NÃO AGUENTO, TÔ QUASE RINDO AQUI
André Luiz diz: UAHEUAHEUAHEUAHEA

Francisco Lima diz: me lembrei do guri dizendo que ia dormir abraçado no aquecedor
Francisco Lima diz: hahahahahahahahaha
Contexto: André Luiz e Francisco Lima riem muito alto! Dartanhan levanta e reclama.

Contexto: barulhos de ronco!

André Luiz diz: quem tá roncando?
Francisco Lima diz: um dinossauro
André Luiz diz: UAEHUAHEUAEHAUEHAUEHUA

Contexto: André Luiz ri MUITO alto!

Francisco Lima diz: hahahahahah
Francisco Lima diz: vais acordar o dinossauro, meu
Francisco Lima diz: imagina se é a guria que ronca assim
Francisco Lima diz: que monstra

Contexto: André Luiz gargalha! Dartanhan acorda.

Francisco Lima diz: viu, acordou!

Contexto: Francisco Lima e André Luiz riem alto. MUITO alto! Dartanhan reclama novamente, ri junto, apaga a luz e deita-se.

Sem graça, estragou a diversão. Fim de noite.

zzzzzzzzzzzz

h1

Updates

4 04UTC Julho 04UTC 2008

Hoje resolvi escrever de maneira diferente. Como não tenho tempo para ficar postando no blog toda hora, embora tenha várias coisas pra comentar, decidi fazer um apanhado geral dos acontecimentos. Coisa grande… Queima de cartucho total, eu sei, but… whatever!

Abbey College

Tenho certeza que muita gente vai chegar ao blog através do google pesquisando por essa palavra. Abbey College é o nome da escola onde estudo. É boa? Não! É ruim? Também não!

Aprender inglês na Irlanda, uma vez no país, passa a ser um objetivo em segundo plano. A grande maioria das pessoas vem pra cá pra estudar inglês, e a grande maioria, depois que arranja emprego, começa a redirecionar suas metas. Tem gente que nem a aula vai mais.

Primeiro, porque aqui se convive com MUITO brasileiro. Inglês só no trabalho e nas lojas. Segundo, porque o inglês Irlandês é horrível. É difícil de entender, é errado… bem de interior. E terceiro, porque as pessoas preferem trabalhar pra juntar dinheiro e viajar, ou rembolsar o investimento feito com o intercâmbio.

Essa mentalidade torna o ensino um problema. Muita gente vai à aula só pelo visto – uma vez que para renová-lo é necessária uma presença superior a 85% -, e isso acaba influenciando na forma com que os alunos encaram a aula e, na forma com que a escola encara o interesse dos alunos.

Mas isso depende muito. Depende dos teus colegas e do andamento da aula, e depende do professor. Até o momento tive sorte nesse aspecto. Já passei por três salas de aulas diferentes. Comecei no Intermediate, depois passei pro Upper Intermediate, e agora já tô no Advanced (onde eu deveria ter começado).

A primeira professora era boa, mas era uma égua que só dava coices. Êta mulher bem grossa. A segunda professora era muito simpática. Até demais. Sentia como se estivesse sendo alfabetizado. Agora, na terceira aula, o andamento tá bem melhor. O professor é meio novato no que diz respeito a dar aulas, mas é bom. E a dinâmica de aula é muito melhor. Antes eu terminava os exercícios e ficava esperando horas até que os professores dessem seguimento ao conteúdo, agora, o ritmo é bem mais acelerado e o nível mais puxado.

A estrutuda da escola é boa! Tudo novo e bem cuidado. As aulas são todas guiadas através de apresentações em Power Point. Até o momento recebi materiais novos sempre que mudei de nível e, pelo que me consta, são livros de qualidade.

Um problema na escola é a falta de Internet. Há somente DOIS computadores com Internet para os alunos. Obviamente que nunca estão disponíveis. Outras escolas possuem salas com trocentos computadores e/ou sinal wireless. Nada que comprometa tanto o ensino. Mas, no mínimo, é um retrocesso.

Work

Há um tempo atrás comentei sobre novidades no trabalho, “promoções” (entre aspas) etc. O que aconteceu foi o seguinte: éramos 12 contratados temporários para 3 vagas permanentes. Eu fui um dos escolhidos para uma dessas vagas juntamente com o Guto, o outro pelotense que trabalha lá, e o paquistanes bizarro.

Quando soube que iria ser contratado, aceitei o convite com a vontade de negá-lo. Não que o trabalho seja difícil, bem pelo contrário. Mas é alienante. E trabalhar de madrugada não é uma das melhores opções (apesar de pagar melhor). De qualquer maneira, é esse trabalho que tem pago meu aluguel, minhas viagens e minha futura mochilada. Então tá ótimo!

Mas ainda hei de encontrar um trabalho na área de comunicação!

Outra coisa que me deixou aflito com relação ao trabalho foi que, quando me chamaram, eu não sabia se o Guto havia sido chamado também. E isso era um problema por dois motivos: 1) porque ele havia me indicado e eu me sentiria super mal se eu fosse contratado e ele não; 2) porque ele já estava aqui há três meses e eu apenas há três semanas. Ainda bem que no final das contas ambos fomos contratados (e não me perguntem os critérios dessa seleção porque os 9 restantes tinham BEM mais experiência que nós na arte de arrumar prateleiras).

Ainda no que diz respeito a “promoções”, eu e o Guto fomos chamados para um treinamento de Caixa. Aprendemos como se mexe naquelas bodegas, recebemos material para ler, mas até agora necas de trabalhar sentadinho no bem bom das máquinas registradoras. Dão o doce pra criança e depois tiram! Isso não se faz!

Home Sweet Home

Aluguel aqui não é barato. Um apartamento pequeno de dois quartos não sai por menos de mil Euros. No momento moro num apartamento nesses padrões, e divido-o com mais quatro brasileiros. A coisa é apertada, mas dá pra viver tranquilamente.

Depois de ter me mudado provisoriamente para o apartamento da Jéssica, imediatamente comecei a procurar um cantinho para chamar de meu. Nesse meio tempo, o estresse rolava solto no club da Luluzinha. As gurias, homemates da Jejé, estavam em pé de guerra. Problemas de convivência. Tipo, disputa do quarto azul versus o quarto amarelo, sabe? Daí então eu enxutei elas pra fora e fiquei com o apartamento.

Tá, não foi bem assim! Mas eu quero contar a minha versão mais emocionante dos fatos. :)

Elas se mudaram, eu continuei aqui, e pra cá vieram outros que conheci na minha escola. Um de Santos, um do Mato Grosso e dois do Piauí (os dois últimos já se mudaram, dando espaço a outro piauiense e um catarinense).

E embora essa muvuca de pessoas, sou eu que ponho ordem nesse chiqueiro. Tá, outra mentira. Mas sou eu o chato da casa. Eu que incomodo pela louça lavadinha e guardada. Eu que colo bilhetes pela casa do tipo “puxe a descarga, meu filho! Meu nariz não vem com Bom Ar embutido, não!” Coisa que, aliás, adooooro fazer! hehehe

“Ó! Toma aí, deixaste tuas coisas jogadas! Guarda!” Cara, e como eu adoro ser chato! :)

Aliás, grandes e magníficas descobertas. Além de ser um chato de plantão, sou um ótimo dono de casa! Estou, paulatinamente, aprendendo a cozinhar. Lavo, passo; limpo banheiro, cozinha e apendices. Não consigo ficar parado. Coisas que só a criação da Dona Mirian (minha mãe) faz por você! hahaha

Mas, como tudo nem sempre são flores, algo de ruim tinha que acontecer. No fim de semana em que passei em Londres, fomos assaltados. Sim! Esse tipo de coisa não acontece só no Brasil, não! Entraram no nosso apartamento e roubaram uma televisão, um video game e uma câmera digital. Tudo do mesmo guri! Puta prejuizo! Pensamos em nos mudar, mas acabamos decidindo por continuar aqui. Só que agora a atenção tá redobrada.

A desconfiança é direcionada aos vizinhos. A casa onde moramos, na verdade não é bem uma casa. É um prédio que acomoda cinco flats, cinco apartamentos. Nos três meses em que as gurias moraram aqui, nada similar havia acontecido. Duas semanas depois de nos mudarmos com o equipamento, pimba! Fomos roubados. Alguma hipótese melhor?

De qualquer maneira, agora a situação tá mais tranquila e os olhos mais abertos. Esperamos que o popular ditado seja verdade (pelo menos pra nós), e que esse raio não caia duas vezes no mesmo lugar, porque ficar se mudando não é legal. Além do mais, eu gosto dessa zona, cheia de árvores e perto dos transportes públicos. Mesmo sem super mercado (barato) por perto já me basta.

Travel

Um dos sonhos da minha vida sempre foi fazer uma mochilada pela Europa. Agora, morando na Irlanda, e juntando algum dinheiro, estou a poucos passos (ou meses) de conseguir realizar esse sonho.

Pra inicio de conversa, já fui pra Londres e já fiz road trip na Irlanda. Claro que isso não me basta. Os road trips vão continuar na primeira oportunidade. E as viagens então… Já estão meio encaminhadas.

Agora, final de julho, estarei indo para Paris. Mais um sonho prestes a ser realizado! E em novembro, passagens já adquiridas para Liverpool, no mesmo período em que vai acontecer por lá o Europe Music Awards – uma premiação da MTV para a música européia (e mundial também).

E nesse mesmo período, não sei se antes ou depois de Liverpool, estou programando minha mochilada pela Europa. Minhas aulas terminam inicio de outubro. Até lá, já vou ter juntado uma boa grana pra isso. O roteiro já está em processo inicial. Assim que estiver com ele pronto, as passagens compradas, e o o cronogrâma montado, falo mais sobre isso.

Urtiga

Urtiga é uma palavra que umas colegas de colégio utilizavam para rotular uma pessoa jeca, uma pessoa caipira. Por aqui, estou começando a achar que sou um grande urtigão! Há certas coisas tão banais, mas ao mesmo tempo tão fora da minha realidade, que as vezes sinto como se eu fosse um caipira oriundo do interior do vilarejo onde o diabo perdeu as botas.

Esses dias, voltando do trabalho de táxi, passei por uma dessas situações. Antes, quero abrir um parenteses para explicar que essa situação do taxi é fora do comum, mas, quando somos liberados mais cedo do trabalho, e não há opções de transportes públicos, essa se torna a única saída viável.

Explicado, voltemos!

Embarco no taxi, e procuro pelo taxímetro. Não vejo NADA! Começo a duvidar naquele momento da seriedade daquele motorista. “Será que ele é credenciado pelo órgão regulador dos taxistas da Irlanda? Será que ele vai me cobrar fora dos padrões comerciais normais? Ai, meu Deus? CADÊ a PORRA do TAXÍMETRO?”

Aqui é assim. Cada desespero é potencializado em mil. Ainda mais quando o assunto é dinheiro. Sabe-se lá o que passa pela cabeça dessa gente maluca.

Daí, mais calmo, e com a cabeça mais limpa, olho no espelho retrovisor, e vejo um holograma com uns números em vermelho: fare, time, tax… Comecei a rir alto! COMO ASSIM? QUE COISA MAIS TECNOLÓGICA É ESSA? “Já uso esse sistema há uns cinco anos”, me disse o motorista. Ri mais… de mim mesmo, lógico.

Polish

Se tem uma coisa que irrita aqui são os ploneses. Eu já comentei sobre a raça uma vez no blog. Mas eles são tão insuportáveis que merecem novamente a minha (e a sua) atenção.

Obviamente não vamos generalizar. Mas a maioria dos poloneses com quem trabalho roubam produtos no supermercado, conseguem ser mais grossos e estupidos que os irlandeses, são bipolares e têm um vocabulário limitado a palavra “kurva” (que eu não sei se escreve assim).

“Kurva”, pra quem não sabe, significa a mesma coisa que “fucking” ou, talvez, “essa porra”! “This fucking job”, “Essa porra de trabalho”. Ou, no sentido mais literal, “puta” mesmo! Enfim… É um palavrão! E é a palavra que mais vais ouvir um polonês falar ao encontrares com um: “kasptivisk karyunucy kurva sanibshy, Kurva pushiasky kurva, kurva!”.

Resumindo, eles me irritam. :)

The End

De uma maneira resumida e bem geral, esses são alguns aspectos da minha vida na Europa. Planos, novos acontecimentos e super reviravoltas nos próximos capítulos, não perca! ;)

h1

God Save The Queen

20 20UTC Junho 20UTC 2008

Seis e meia da manhã de uma sexta-feira. Mais uma noite acordado em função do trabalho e dormir não era uma possibilidade. O avião decolaria às 9:15, mas o check in deveria ser feito necessariamente com 40 minutos de antecedência.

O tempo era curto! Tomar café, imprimir papéis referentes ao vôo, passar na escola pra entregar um documento e ainda pegar o ônibus em direção ao aeroporto. Coisas aparentemente simples, mas que se transformam em eventos gigantescos devido as distâncias.

Estávamos eu e o Guto, correndo contra o tempo. Ou junto dele! Ir para o aeroporto era a mais complicada das tarefas. Ônibus pra lá não se encontra em cada esquina, e a viagem duraria em torno de 40 minutos. Mas no final das contas deu tudo certo. Chegamos na parada no momento certo e partimos.

Nesses quarenta minutos o sono ainda não tinha começado a se manifestar. Havia uns mexicanos no ônibus, também indo para Londres, que começaram a puxar assunto. Falaram das mochiladas que estavam fazendo, das cursos na espanha etc. Tudo em português, porque o cara falava muito bem. Nós é que não sabíamos porra nenhuma de espanhol.

Chegando no aeroporto foi tudo muito tranquilo. Deu até tempo de tirar uma cochilada num sofá qualquer. Claro, deu tempo, mas não deu vontade. A ansiedade falou mais alto!

No embarque, como não poderia ser diferente, revistaram a MINHA mochila e jogaram fora MEU desodorante novinho. “Isso daqui não pode!”, disse a vadia. Entendo que é questão de segurança, regras, etc. Mas mesmo assim fiquei indignado. Pelo menos cinco gerações da mulher foram amaldiçoadas por mim depois desse evento.

No vôo, sim, momento de recuperar o sono! zzzzzzz

Chegando em Londres, a empolgação não poderia ser maior! Pegamos mais um ônibus, dessa vez até o centro londrino. Mais 90 minutos. Nesse momento o sono pegou pesado. Eu preferi ficar de olhos estalados, tentando olhar tudo que estivesse ao meu alcance. O Guto se entregou.

Descemos na parada da Victoria Station, e tomamos um susto. Gritos escandalosos surgiam de algum lugar que eu ainda não tinha discernimento pra identificar devido ao cansaço da viagem. De repende surge uma cabeça loira em minha direção, pulando, gritando, esperneando e sapateando. Ninguém menos que a mazanza mór, Nathalia.

Depois de todo o escândalo, fomos até a casa dela largar as coisas e então partimos, finalmente, para o turismo. O roteiro já tava esquematizado há semanas pela Nathalia.

A primeira coisa que fizemos foi andar de Tube. O clássico e histórico metro de Londres. Nada de grandes diferenças com relação a outros metros que já havia andado, a não ser pelo fato de ESTAR em Londres, perfurando o subsolo daquela maravilhosa cidade!

Por um momento tive um mínimo medo de estar ali, onde atentados já haviam acontecido, onde um brasileiro já havia morrido. Bobagem, eu sei! Mas a insegurança de saber que não há latas de lixo nas estações de metro exatamente para evitar que outros eventos similares aconteçam, remetem a essa possibilidade.

Foi um pensamento rápido, porém estranho. Passou logo, porque havia muito mais coisas legais pra ocupar o cérebro!

No primeiro dia passamos pela estação do Harry Potter, pelo Picadilly Circus – centro de Londres. Encontramos a brasileirada amiga da Nathalia em um pub, e fomos no Big Ben!

Nesse, especialmente, fomos duas vezes. Uma de dia e uma de noite. Merece! Não tem como dizer em qual momento ele é mais bonito. E visto de cima, então… Coisa que só o “flight” no London Eye proporciona.

Nossa idéia, depois de todo o turismo na região, era aproveitar a balada londrina. Nunca deu certo! O cansaço era sempre maior. Totalizando, eu e o Guto dormimos cerca de 10 horas nos quatro dias que ficamos em função dessa viagem. Foi difícil, mas valeu muito a pena.

O segundo dia, foi o dia mais proveitoso. Começamos com um legítimo English Breafast. Gordo, não saudável, mas muito gostoso. Ou isso foi no terceiro? Nada mais me lembro! Nada-mais-me-lembro! Too much information!

Lembro, que nesse dia fomos no Bin Ben novamente. Andamos no London Eye, como já havia falado. Trafalgar Square. Tower Bridge.

E legal que perto da Tower Brigde havia uma luneta gigante que dava pra ver Nova York ao vivo, e vice-versa. Não olhamos porque a fila era grande e tínhamos um cronograma apertado. Mas deu vontade!

No caminho para esses passeios, passamos por um lugar com uma muvuca de pessoas. Foi onde tivemos oportunidade de tirar fotos com os guardas reais, os carros etc. Os caras estavam ensaiando, apenas ensaiando, para o aniversário da Rainha na próxima semana. E olha que só pro ensaio o evento já era pomposo!

Pelo menos um dos guardas nos disse que era isso!

A noite, “janta” no Hard Rock Café. Nachos! Se eu soubesse que Nachos era tão bom, já teria comido a mais tempo!

E pra finalizar o dia, nos perdemos na volta pra casa! Uhuul! Chegamos em casa 3 da manhã, pra acordar às 7 no outro dia. Tá, às 8. Oito e meia e não se fala mais nisso! hehehe

Acabando nossa viagem, reservamos o dia de domingo para acompanhar a troca da guarda real (ou a troca da rainha, como chamávamos), e visitar os lugares que faltavam. E que continuaram faltando! A “troca da rainha” é um “teatrinho” que encanta! Não há piruetas, nem lança-chamas, nem nada. É a banda, tocando musiquinhas, marchando etc.

Mas é a BANDA REAL, a GUARDA REAL, de uma monarquia real, em uma tradição que acontece há sei lá quanto tempo!

Engraçado que até a música do Indiana Jones eles tocaram!

Bom, mas chega de troca de guarda. Vamos trocar de assunto! Hein, hein…

De lá partimos para A viagem. O Guto, um dia tenista, quis ir até Wimbledon. E lá fomos nós. Cinquenta Tubes, trinta ônibus, e 40 horas. Na minha escala exagerada, isso foi o necessário pra chegar ao estádio, localizado nas pregas do cu de Londres.

Perdemos muito tempo nessa brincadeira. Mas, como sempre disse e sigo dizendo, tudo foi muito válido. Nos divertimos a beça, rimos como loucos, caminhamos como andarilhos e, por isso, conhecemos pequenos lugares que, mesmo simples, foram válidos até o último calo do pé.

Terminamos a noite (porque já era noite quando fomos embora) na Pizza Hut. Aliás, o que mais comemos nessa viagem foi fast food. Impressionante!

Neste momento o esgotamento estava beirando o limite. E ainda assim fomos para o centro TENTAR aproveitar alguma noitada da cidade. Claro que deu errado!

No final das contas chegamos em casa tarde o suficiente pra nos proporcionar apenas UMA hora de sono entre o final desse dia e o inicio do próximo.

A despedida foi chata, como qualquer despedida. Três dias não são suficientes pra matar as saudades de uma grande amiga, e muito menos é tempo suficiente pra conhecer tão bela e grande metrópole quanto Londres.

Mas despedir-se é um mal necessário. Então partimos. Cansados, podres, exaustos, porém satisfeitos.

A viagem de volta foi aproveitada ao máximo para pôr o sono em dia. E naqueles breves momentos de lucidez, serviu pra mentalizar de uma vez por todas a vontade de seguir me cansando por esse mundo aí fora.

Londres, me espera que eu ainda volto. E o resto do mundo que me aguarde!