The Irish News

Oi! Pra quem possa interessar, cheguei bem e vivo! 🙂

A viagem até aqui foi mega cansativa, mas foi muito tranqüila. Graças a Deus! Transpirava bicas de preocupação sempre que me aproximava do final dos vôos. E isso foi potencializado em mil, no último, de Amsterdam a Dublin. Repito, graças as energias cósmicas do além e de buruncutum (ou qualquer entidade bizarra), não tive problema algum durante a viagem. Ou quase nenhum.

De Pelotas a Porto Alegre, o problema maior foi a choradeira. Normal (digam que sou normal, por favor)! Peguei carona com os pais da , que estavam viajando para assistir um show dos 50 anos da Bossa Nova. Eu, super compartilhando o momento deles, tava na verdade cagando pra Bossa Nova, Bossa Antiga ou similares. Eu tava no meu mundinho, pensando no que havia deixado pra trás, e no que me esperava pela frente.

Chegamos em Porto por volta das oito e tantas. Eles me deixaram na rodoviária, porque já estavam atrasados para o show, e eu segui meu caminho rumo a casa da Dedec. De táxi, claro. Cheguei em frente ao apartamento dela exatamente no momento em que ela chegava em casa. Acabei ficando horas no trânsito por causa do engarrafamento causado pela manifestação de uns estudantes. Nem sei qual era a causa, porque, como já disse, nem a explosão de uma bomba atômica me dizia respeito naquele momento.

Subimos de mala e cuia (literalmente). Quase me borrei pra subir aquele chumbo todo. No apartamento, a Dedec começou a me dar instruções de como proceder na viagem. “Isso aqui vai na mala de mão!” “Tás louco, isso daqui nem leva, é muito peso.” Guri, não larga desses documentos.” “Pra que tudo isso?” etc. Dicas muito importantes, mesmo!

Pra quem não sabe, a Dedec é uma amiga da família, e nas horas vagas, agente de viagens. Foi ela quem arrumou todos os detalhes da minha viagem como passagens, seguros, cartões e afins. Aliás, pra quem tiver interesse, entre eu contato com “Ouro e Prata Turismo”. Fica aí a dica!

Nesse mesmo dia em Poa, depois de acertar os últimos detalhes, fomos comer em um bicão. Comi, o que talvez seja, o último bauru que comerei por um bom tempo.

Logo após, voltamos pro apê. Eu me deitei e apaguei. Insônia por causa do nervosismo? Psss, balela!

Na manhã seguinte, aeroporto. Dez e dez seria o vôo. Obviamente atrasou. Fiz o check in bem tranquilo, logo que cheguei. Despachei minha mala de apenas 33,9 kg (o máximo permitido para vôos internacionais é de 32 kg, mas como o excedente foi pequeno, não tive problemas), e parti para a sala de embarque.

Muitas pessoas no local. Várias sentadas no chão, com seus notebooks, trabalhando através da Internet. Procurei uma tomada, e me sentei bem feliz, como qualquer outro nerd faria. “Eba! Viva a tecnologia!”, pensei. Mas minha felicidade não durou muito! Um amigão sentou do meu lado, e simplesmente roubou minha tomada! Eu, quase sem bateria, quase entrei em desespero (tá, mentira). No final das contas o Herbert se mostrou uma pessoa bacana, e compartilhou a tomada comigo numa boa!

Acomodei-me no avião bem feliz. Janela, música, livros. De repente, senta quem do meu lado? O Herbert! Ele e o colega pegaram esse avião porque o deles havia sido cancelado. Ou seja, meu vôo, que seria direto, teve que fazer uma escala em Florianópolis. Mas tudo bem, chegando a tempo em Sampa, por mim tava tudo ótimo.

Na chegada em Floripa, um pequeno escândalo no avião. Um velho BURRO, alegou que seu notebook havia sido roubado por alguém que recém descera. Até a Polícia Federal foi acionada. E lá tava o velho, tendo chiliques e mais chiliques. “Façam alguma coisa, parem o desembarque”. Acabou que o notebook não tinha sido roubado, tava ali o tempo todo. Vergonha Alheia total! E pior é que a aeromoça narrou o acontecimento no alto falante, pedindo desculpas pelo transtorno aos demais passageiros. Sério, se fosse comigo tinha cavado um buraco e entrado nele.

Mas ele não tava nem aí, deve ser chiliquento por natureza. Passou o resto da viagem conversando com um falante de espanhol (não me pergunte da onde), e com uma americana. E por incrível que pareça, a americana falava português. Globalização em apenas uma fileira de cadeiras. Achei tri!

Chegamos em São Paulo por volta das 13 horas. Meu vôo seria só às 18 horas. Fiquei tranqüilo. Fiz meu chek in (o de Amsterdam também), e me dirigi pra sala de embarque. Tá certo que eu ficaria esperando lá por horas. Mas naquela ansioedade toda, não havia melhor opção.

No vôo, sentei-me bem nas fileira do meio, em um assento do meio. Ladeado por um Irish no lado esquerdo, e um francês do lado direito. O francês era super gente boa, e dava altas gargalhadas assistindo programas de humor na TV do avião. Eu, obviamente, ria dele.

O Irsh, que eu carinhosamente apelidei de Mr. Willy (go, Willy!), era gordo e espaçoso. Fora isso, era a pessoa que dormia mais rápido da história. A aeromoça falava com ele, mal ela saia, ele já estava roncando. Engraçado que ele é daquelas pessoas que quando a cabeça cai pro lado, acorda de susto. E isso era bom, porque daí ele não roncava por muito tempo! 🙂

O avião era bem apertado, mas bem interessante, porque havia mini TVs na frente de cada banco, onde cada passageiro podia escolher se queria ouvir música, ver um filme, jogar algum jogo… Eu fiz tudo! Assisti um filme muito bom, aliás. “August Rush” (“Os Sons do Coração”, em português).

A comida era boa, até. Dizia na caixa “comida tipicamente sul americana”. Sinceramente, só se for numa outra parte do sul, porque eu nunca havia comido nada como aquilo.

Chegando no aeroporto de Amsterdam, pude esticar minhas pernas como nunca. Acho que pra compensar muito tempo sentado (11 horas no meu caso), o aeroporto de lá é gigante, o que obriga as pessoas a caminhar MUITO pra achar seu próximo vôo. Ou a saída, sei lá.

Finalmente, no último vôo, sentei-me mais ansioso que nunca. Cansado, fedorento, com fome, com sede. PODRE. De repente, quem surge? O Mr. Willy. E onde ele senta? Do meu lado! Sorte, não? “We meet again!” disse ele. “Yeah!”, respondi! Ainda bem que ele trocou para um assento mais a frente. Na próxima uma hora de viagem, poderia me deitar como não fazia há mais de 24 horas.

Nesse vôo o sono bateu mesmo. Quase 15 horas de viagem dormindo muito pouco. E a fome, então? Pior é a companhia aérea Irlandesa não oferece mimos aos passageiros. É tudo pago! E eu, já pra me preparar para a época das vacas magras, não comprei nem meia bolacha.

Ao desembarcar no aeroporto, senti o frio de barriga mais intenso. Meus maiores medos eram 1) ter minha mala extraviada, 2) ter problemas na imigração.

Mas tudo foi muito tranqüilo. Fui o primeiro a passar pelo guichê da imigração. “You are brazilian? You are very welcome in my country!”, me disse o cara. Achei o máximo! Não esperava essa hospitalidade. De repente ele estica a mão para pedir meus documentos, eu já num estado alfa de excitação, estendi a mão e cumprimentei o cara. Ele riu, logicamente.

Depois de tirar as fotos, e passar pela burocracia toda, ele terminou brincando: “There are more brazilians in my contry than irish peolple”. Eu ri pra não parecer antipático, e me mandei.

Agora a mala. Medo! Esperei, esperei, esperei e nada. Já me preocupei todo. Foi quando percebi a monguice. Dã, esteira errada! Fui pra outra. Esperei, esperei, esperei e… dã, esteira errada. Tá, é mentira. Lá vinha minha pequena malinha de 33,9 kg.

Saí da sala de embarque, e não vi ninguém segurando meu nome. Quando ia começar a procurar desesperadamente vi, na mão de uma rapaz , um singelo papel escrito com os dizeres “Francisco Lima”. Nunca fiquei tão feliz em ver meu nome escrito em uma folha A4 com uma simples caneta preta.

Fomos eu e mais uma guria na van. Também gaúcha. E pasmem, de Encantado. Primeira coisa que perguntei: “conheces a Fabih?” Sim, ela respondeu. Achei muita coincidência. Daí, até os 50 minutos restantes de caminho, foi muita conversa, e uma troca de contatos. Ambos em busca de algum vinculo para não se sentirem tão sozinhos nesse novo país.

Ela foi a primeira a descer. Então pulei para o banco da frente e conversei com o motorista. Em inglês, lógico. A primeira coisa que estranhei foi o fato de eu estar sentado onde, no Brasil, deveria estar o motorista. Bizarro, pra dizer o mínimo! Aqui a mão é invertida, assim como no Reino Unido. Parece que eles vão bater a qualquer momento!

Mais uns 10 minutos de conversa, chegamos na minha nova casa. Pelo menos pelo próximo mês. O frio, nessa altura do campeonato, começou a me fazer tremer. A frente, na porta de um sobrado exatamente igual aos 3824732894 existentes nas redondezas, uma senhora loira, de uns 40-50 anos, me esperava na porta. Foi aí que a ansiosidade voltou a bater. “Devo dizer “hello, new mom?”

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5 Respostas so far »

  1. 1

    carol souza said,

    aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai que máximo chico!
    fiquei tri feliz por ti!
    segue postando TUDO!
    bjos grandes e suerte!

  2. 2

    Léli said,

    Pra variar a tua história foi cheia de peculiaridades né?! Não podia ser difetente!

    Fiquei loooouca pra saber mais… estamos sentindo a tua falta, mas muuuuito felizes por ti!

    Enjoy!!!

    Bjooks

  3. 3

    Carol said,

    LITERALMENTE..O melhro de todos 🙂 Claro que imaginei na minha fértil cabecinha a tua cara para o francês a para o Willy, mas imagino o teu frio na barriga!!
    Graças estás vivo e FELIZ (isso que importa). Fiquei mais feliz ainda quando vi teu depoimento com teu tel que, daqui a pouco, irá tocar e PROMETO, não irei chorar, tá??

    Vou te perseguir sempre por aqui (literalmente)!! Amo…forever :))
    Beijãoo

  4. 4

    fabih said,

    hahahahahaahah que massaaaaaaaaaa!!!!
    muito legal.. tem coisas que só acontecem com o chico mesmo!!! viu?! mandei uma representante te cuidar!!! fiquei mega curiosa.. qual o nome dela?
    ai toh muito feliz tbm amado!!!
    posta tudooooooo que der e aproveita!!
    Mega beijokas

  5. 5

    kariana said,

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk…me matei de rir com o relato da suas experiências…(a caminho de sua nova vida)…muito bom!!! bjusss


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