Paris, França

Vinte e oito de julho de 2008, o dia em que conheci Paris, o dia em que meu karma resolveu se voltar contra mim, e o dia em que tudo, como sempre, terminou bem.

Ao viajar de avião, adoro dormir com a cabeça encostada na poltrona da frente. Ainda mais em vôos de baixo custo, em que as poltronas não reclinam. Dobro minha jaqueta, ponho entre a testa e o encosto da cadeira e relaxo!

Nessa posição, um tanto quanto incomum, apaguei e só acordei no final da viagem com o avião pulando. Recompus minha sanidade, levantei a cabeça, mas ainda assim enxergava tudo borrado. Esfregava os olhos e nada. Estranho, pensei. Levei as mão ao rosto ainda meio sonolento e percebi que a cara tava limpa. Surtei. “CADÊ MEUS ÓCULOS?” Caíram do rosto enquanto eu dormia.

Abaixei e catei em tudo quanto é canto. Todo mundo me olhando! NADA! Perguntei pra passageiro, comissário, aeromoça, piloto, Jesus Cristo e todos os profetas da humanidade. NADA! Esperei até o último passageiro sair, procurei, mandei as aeromoças catarem. NADA! Ai-meu-DEUS!

Depois de muito se deixar incomodar, a equipe [ironia mode on] super gentil e simpática [ironia mode off] mandou eu me retirar da aeronave porque eles precisavam arrumá-la para o próximo vôo.

Frustrado e cego, me dirigi ao saguão do aeroporto para perguntar nos auto-falantes se algum dos outros passageiros não havia encontrado meus óculos. Mal saí do avião, um dos comissário de bordo gritou, da porta da distante aeronave, que havia encontrado algo.

Eu disse algo, porque os pedaços de metais tortos e pisoteados já não mais configuravam um óculos. Tá, exagerei – é a dramaticidade da história -, mas o pobre tava bem capenga. Pelo menos dava pra desentortar, e foi o que tentei fazer.

Eu disse tentei, porque nessa tentativa, caguei de vez com a situação. A haste caiu. A lente caiu. E o mini tini parafuso também caiu!

Sem nenhuma opção palpável, eu e o Guto nos dirigimos ao ônibus que nos levaria ao centro de Paris. Uma hora e meia para refletir como poderia resolver meu problema, uma vez que havia esquecido meus óculos escuros e meus óculos reserva (erro que jamais cometerei novamente) em Dublin.

Ao chegarmos, incomodei até as almas penadas parisienses para procurar uma ótica. Meu dia não havia começado bem, mesmo em Paris. Parei pra pedir informações num bar da estação de metrô e recebi de brinde um arroto na cara, de um velho que estava ao meu lado. Não sei se encarei o fato como um sinal de que as coisas iam feder mais, ou se encarei como uma situação inesperada para reanimar meu dia. Sim, porque eu ri, claro.

Pedi ajuda pra Deus e o mundo e nada. Tudo fechado! Em Paris, a segunda-feira é o novo domingo, assim como a (qual a cor da estação?) é o novo preto!

Mesmo suando devido a intensa caminhada, ao peso nas costas, a ansiedade e ao calor de trinta graus, não desisti e continuei procurando.  “Olha lá, uma ótica. E tá aberta!” disse o Guto, depois de mais ou menos meia hora de caminhada!

Foram as palavras mais confortantes que ouvi durante toda a viagem. “ótica…, aberta…,”. Sabe quando as coisas ficam em câmera lenta? Então… Não aconteceu isso, mas eu gosto de pensar que sim, pra dar mais dramaticidade à história.

Entrei, suando, falando um francês de merda e implorando por ajuda. Pelo menos, me fiz entender. O cara, super simpático, arrumou, limpou e turbinou meus óculos sem cobrar um Euro!

Óculos consertado, problema resolvido? Infelizmente não. Uma sujeira entrou no meu olho e me incomodou a tarde inteira. Continuei pseudo-caolho. 😦

Mas isso não impediu o passeio. De forma alguma! E o colírio Torre Eiffel logo curou qualquer problema de visão existente.

De olhos bem estalados, admirei o monumento como uma criança namora um doce na vitrina de uma loja. A Torre é linda e imponente. Na minha percepção, pareceu menor do que nas fotos. E mais larga. Mas ao subir até o topo, pude perceber como o negócio é realmente alto. E a vista… que coisa linda. Paris é toda branca. E o Sena cortando a cidade… maravilhoso!

Mas logo o tempo mudou. O forte calor e o sol a pino foram rapidamente substituídos por uma chuva forte e por um vento que levantou mais poeira que a Ivete Sangalo.

Nesse momento, quem ficou pseudo-caolho foi o Guto, que tomou uma areiada no olho.

Antes de voltarmos ao albergue, já a noite, demos uma rápida passada no Arco do Triunfo. Os guris, que sacudiam uma bandeira do Rio Grande do Sul (bairristas?) em frente ao monumento, levaram uma mijada do guarda por desrespeitarem um lugar de homenagem aos mortos. Engraçado, pra dizer o mínimo.

Éramos 6. Eu, o Guto, o Marcelo, o Klaus, o Bruno e o Caetano. Todos já velhos conhecidos de Pelotas. Os guris estavam mochilando pela Europa. Eu e o Guto, morando em Dublin, viajamos até a França para encontrá-los. E para conhecer Paris, claro.

Os guris que viajavam juntos, ficaram em um mesmo quarto no albergue, o Guto em outro e eu em um terceiro.

Era tarde quando fomos dormir. Eu tava podre. Tomei banho e me deitei. No entanto, dormir não foi uma tarefa fácil! Havia, em meu quarto, três camas, sendo que apenas uma estava ocupada. Mas essa única presença foi suficiente para roncar por um batalhão! Que coisa mais estrondosa! Acordei o cara duas vezes pra então conseguir dormir, lá por umas 3 horas da manhã.

No dia seguinte acordamos cedo para ir à Euro Disney. Primeiro, fomos no Hollywood Tower, um elevador que fica despencando com a gente dentro. Sensação horrível de queda livre. Não me convidem pra uma terceira vez (sim, porque eu já tinha experimentado uma primeira).

Depois, fomos em todas as montanhas russas possíveis. As mais legais foram as montanhas completamente no escuro. É ótimo esperar o inesperado, ainda mais ao se tratar de curvas, quedas e loopings.

E assim foi o dia… Montanha atrás de montanha.

Logo a noite, antes de voltarmos ao albergue, fomos ao Moulin Rouge. Tiramos algumas fotos em frente a casa e partimos 1) porque estávamos com fome, 2) porque estávamos podres e 3) porque entrar no cabaré custa muito caro.

De volta ao albergue, e em um novo quarto, dormi feito um bebê! Sem roncos dessa vez! Acordei cedo novamente, me arrumei e me encontrei com o resto do guris para irmos à Roland Garros.

Não que eu fizesse muita questão. Sei porra nenhuma sobre Tênis. Mas companhia é companhia. E eu não morreria para conhecer o lugar. Bem pelo contrário, achei muito válido.

E o que mais me chamou atenção – logicamente – foi a sala de imprensa pros jornalistas que acompanham o torneio e toda a estrutura que ele abriga. Grande, mesmo.

Aliás, a França é o Itu da Europa. Tudo enorme. São as milhões de linhas de metrô, a Torre Eiffel, o Louvre.

A propósito, uma coisa que achei bizarra, foi o fato de que alguns dos metrôs têm pneus de borracha, tipo os de carro, ao invés das rodas convencionais de… trêm. Imagina se fura? Como troca?

Enfim…

Nossa próxima parada foi o Museu do Louvre e suas Piramides. Descemos da estação de metrô (ou subimos?), caminhamos em pouquinho e voilá! Ao longe avistamos aquele prédio monumental. Que estrutura gigantesca, sério! Não sei se fiquei impressionado porque pensava que o Louvre seria mais humilde, ou porque o negócio é realmente grande.

Pagamos oito Euros (muito bem pagos) para entrar, e partimos em busca de conhecimento. Tá, mentira, essa era pra ser a parte educativa da história.

Escolhemos algumas sessões, porque é impossível conhecer tudo. Fomos na parte das antiguidades egípcias, nas esculturas gregas (ou romanas, sei lá), nas pinturas italianas (Monalisa, parada obrigatória) e nas mobílias de Napoleão.

Tudo gigante, tudo lindo. Salas inteiras douradas. Tetos super altos. Afrescos enormes. Tô dizendo… ITU!

Saimos do Museu depois de umas 3 horas sem ver nem um terço das exposições. De lá caminhamos por toda a Champs-Élysées – a segunda avenida mais cara do mundo -, pra finalizar nossa rápida passagem por Paris. Almoçamos e pegamos o ônibus de volta para o aeroporto. Mais uma hora e meia de estrada.

Terminei minha viagem com um gostinho de quero mais. Até porque faltou muita coisa legal pra conhecer. Por isso, uma das minhas primeiras paradas durante a mochilada será novamente Paris.

Entramos no avião bastante tarde, uma vez que a imigração ficou incomodando todos os passageiros. Sentei num dos últimos lugares que sobravam. Mas dessa vez não dormi na posição bizarra porque esqueci minha jaqueta na ótica, naquele primeiro dia de viagem. Posso até ter passado frio (NOT), mas pelo menos cego não fiquei dessa vez!

E agora, de volta a rotina.

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10 Respostas so far »

  1. 1

    Léli said,

    Com certeza Paris nunca mais será a mesma!!! hahahahaha

    Como sempre, morri de rir… tem coisas que só acontecem ctg Chico! Amooo amoooo!!!

    Saudades imensa!
    Mt bom ver o quanto estás bem e aproveitando!

    Bjinhos

  2. 2

    Hahahahahahaha
    muito engraçada a tua passagem pela França, como sempre engraçados são os teus episódios.
    A Paulinha tem que ler o blog.
    Quando tu acha que acabaram as indiadas, daí no final tu informa que perdeu a jaqueta na ótica hahaha
    Mas o final é sempre feliz.
    É só ter carma que o karma bom sempre prevalecerá.
    Aguardamos mais posts! Abração!!!!!!!!

  3. 3

    Carol said,

    Simplesmente DIVINO!! Apesar de estar me mijando de dar risada da tua cegueira e do arroto na cara, tu estavas em Paris…PARIS!! Só sei que tenho certeza que tu lembrou de mim qdo visse a Monalisa e a pirâmide no Louvre.Não te sentisse no Código, na cena que o véio morre no corredor e o Silas atrás dele??? MEDOOOOOO!!!!
    Falando sério, amei..histórias para viver, contar, recontar e lembrar. Me leva junto???
    AMo-te meu profissão amigo nº 01!
    Beijãooo

  4. 4

    fabih said,

    hahahahaahhhhahaha tbm me matei rindo. E oude ouvir a tua gargalhada depois de levar um arroto na cara.

    que máximooooooooooooo. só tu mesmo para fzer tudo ficar tao divertido!

    te amo. saudadeeeee

  5. 5

    nadya king said,

    hahahahaha Chico! Não disseste que deixaste a jaqueta como pagamento pelo conserto do óculos! Consertos no “domingo” são mais caros! Brincadeirinha…

    Amo ler teus posts e como diz a Léli, tem coisas que só acontecem contigo!

    O “resto” de Paris, vais conhecer com a loira!

    Beijo querido, e continua nos brindando com teu refinado bom-humor!

  6. 6

    Nathalia said,

    bom.. nao preciso dizer que chorei rindo pq tu visse com teus proprios olhos! 😛 o melhor de tudo eh saber que vou viajar ctg e compartilhar momentos como esse hahahahahaha
    beijaaaaaaaaao

  7. 7

    Luísa said,

    chico! serei redundante porque todo mundo já disse o que é óbvio de se dizer: as tuas histórias são fantásticas. quem dera eu fosse uma contadora de histórias tão boa – e não deixasse de fora 497598475 episódios das minhas viagens. é, quem dera eu não fosse tão preguiçosa. o meu relato de paris, por sinal, é um dos poucos bem acurados, detalhados e inflamados que eu escrevi nos últimos meses. mas ai, não tem tanta graça.
    parabéns, meu caro. agora tento retornar ao mundo blogueiro e retomo também as leituras do teu blog. segue escrevendo. faça o que eu digo, não faça o que eu faço. 😉
    saudade, tatamar!

  8. 8

    Marta Gentilini said,

    as coisas contadas por você são sempre ótimas de ler! Certo, que como todas as outras pessoas, me matei rindo! e imaginando sua cara em cada situação!!!muito bom 🙂
    só faltou uma coisa importante nesse dia que você chegou a PARIS! …Vinte e oito de julho de 2008, o dia em que conheci Paris, o dia em que meu karma resolveu se voltar contra mim, e o dia em que tudo, como sempre, terminou bem….
    MEU ANIVERSÁRIO!!! 🙂
    Brincadeira! Mas lembramos de vc!
    Beijossssss

    te cuida
    e conta todas as novidades sempre!

  9. 9

    Annika said,

    Mas é outra coisa ter os óculos maltratados em PARIS, né?? hehe
    Que bom ler tantas histórias, tantas experiências, Chicows darling. Estou feliz por ti. Bjks!

  10. 10

    Taís said,

    Muito bom!!!!! Curioso e divertido! Vou voltar para ler mais das tuas aventuras mundo afora! Bjão!


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