Bocejo dos Vampiros

A vida após a morte não deve ser fácil. Puro marasmo. Matar almas inocentes e sugar seus sangues é um passatempo tão século passado que já deve ter se tornado algo superentediante. E mesmo que o cara goste de ser um típico vampiro, bebericando de um pescocinho uma vez ou outra, sempre tem um CHATO puritano para acabar com a diversão.

Sookie & Bill

Veja o caso da série True Blood. Ser mal se tornou algo tão condenável que até já inventaram o tal do sangue artificial. Depois que os vampiros saíram do armário a política é enturmar. Tanto que os bares e restaurantes comercializam o suposto sangue como qualquer outro prato, oferecendo opções para os diversos tipos de paladares vampirescos – do A positivo ao O negativo.

Os coitados (ou afortunados?) não possuem alma. Não podem comer uma pizza sequer, deve dar desarranjo ou algo do tipo. E não podem sair a luz do dia. Porra, então deixem os caras ao menos confraternizarem bebendo um sanguezinho em paz – contanto que não seja o meu – e serem felizes para sempre no sentido mais literal da palavra.

Possuir poderes sobre-humanos, mas ter de ponderar seu uso deve cansar a imortalidade. O auge da felicidade para um ser póstumo contemporâneo provavelmente seja uma trepadinha aqui, outra acolá. No caso dos vampiros de True Blood fazer sexo é o melhor passatempo (aliás, o nome da protagonista – SOOKIE – é beeeem sugestivo). Nesses momentos tenho a impressão que eles ganham uma corzinha mais alegre sobre suas peles branco-papel.

Angel & Buffy

Já o pobre Angel nem isso faz de bom. Esse é um vampiro com alma, daqueles bem certinhos e irritantes. De vampiros bonzinhos o mundo está cheio. E Angel é tão caxias que opta por não se envolver sexualmente com Buffy, por quem ele tem uma queda, porque daí a casa cai mesmo. Perde a alma que lhe fora dada e sai cometendo matanças por aí.

Por essas e outras o submundo está perdendo a graça. Às vezes tenho a impressão que alguns deles ainda têm esperanças de ir para o céu. Uma vaidade desnecessária. Se grande parte da comunidade não consegue se enxergar no espelho é por alguma razão. Vampiros não deveriam se preocupar com nada a não ser matar para se alimentar. Há coisa mais poética?

Bella & Edward

Vampiros, vampiros… sejam maus. Ou não sejam nada. E não me venham com essa história de brilhar no sol. Em Crepúsculo os sugadores de sangue não pegam fogo e morrem como os demais, mas BRILHAM. Dizem que bicha não morre, vira purpurina. Será então que todos os vampiros da saga são gays?

Não se fazem mais vilões como antigamente. Conde Drácula faz muita falta nos dias de hoje. E a Vampira Cláudia, interpretada por Kirsten Dunst no filme Entrevista com Vampiro, tem mais pulso na pós-vida do que essas novas criaturas repaginadas para o século XXI. Afinal, vampiros são ratos ou morcegos? Até o Batman está perdendo moral por causa deles.

aham, Claudia, senta lá.

Dá para perceber de cara: os caras estão cansados e entediados. E as pessoas estão ficando de saco cheio junto a eles dessa humanização em massa. Crise existencial no ramo não tem cabimento. Vampiro não ama gente, ama sangue. Daqui a pouco a profissão do futuro será analista de vampiro. Fica a dica para quem precisa de orientação profissional. Mas já aviso, quem vai ficar deprimido com tanta asneira vai ser você.

Texto também disponível no site Noite & Cia.

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1 Response so far »

  1. 1

    Nádia said,

    Adoooreeeeeei a crítica! Até em The Vampire Diaries! o mais legal era o Damon que era malvado e, agora ja emboiolaram o coitado.. ¬¬’

    beijos


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