Lei de Murphy

“Se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará.” Uma das leis fundamentais do universo, por mais negativista que seja, é verdade irritantemente absoluta quando precisamos que algo funcione. Contrariando todas as expectativas e apelos ao mais poderoso dos santos, a Lei de Murphy é implacável. E diretamente proporcional a sua pressa.

Você não encontra as chaves caso perceba que está atrasado (e nem São Longuinho ajuda). O ônibus demora a chegar, o trânsito para e as dez pragas do apocalipse descem dos céus e assolam a terra. Não há escapatória. Ao procurar pelas chaves você encontrará aquilo que precisava desesperadamente semana passada. Se pegou um atalho, será o caminho mais longo – ou demorado – para o seu destino. E caso você ainda consiga chegar a tempo, não há dúvidas de que seu compromisso estava marcado para o dia anterior.

Assim como a Lei da Gravidade, a Lei de Murphy é praticamente uma proposição científica. Mas, diferentemente da primeira, ainda não é muito bem explicada. Livros como “O Segredo” incentivam a positividade da mente para driblar o inevitável. Seria o mesmo, em minha opinião, que subverter a gravidade e tentar voar com a força do pensamento.

A origem do nome vem do Capitão Edward Murphy, um engenheiro da Força Aérea Americana, que na década de 40 realizava testes de tolerância à gravidade em seres humanos. Durante a realização de um desses testes todos os aparelhos falharam. Foi então que Murphy genialmente culpou seu assistente, alegando que, se houvesse um meio de o cara cometer um único erro ele o faria.

Ironicamente, a Lei tornou-se conhecida com esse nome porque, no final dos testes, tudo deu certo. A afirmação do capitão de que “aquilo que pode dar errado dará errado” fez com que os cientistas trabalhassem ao máximo para contornar essa possibilidade. O final feliz imortalizou o conceito, mas, desde então, os desfechos não terminaram da mesma forma.

O caso mais comentado no Brasil durante o mês de fevereiro foi uma das sacanagens mais cretinas que o senhor das improbabilidades poderia ter feito com alguém. Justamente um dos bilhetes não computados pela funcionária da lotérica de Novo Hamburgo foi o grande vencedor de um prêmio de R$ 53,3 milhões. Veja bem, 53 MILHÕES de reais. %#$@&*!

A probabilidade de um apostador ganhar na Mega Sena é de uma em 50 milhões. Tudo indica que as chances de alguém ganhar com um bilhete inválido são ainda menores. Exatamente por esse motivo que acontece. A Lei determina a análise de todas as possibilidades porque logo a única opção possível de dar errado é a que vai se desenvolver.

É mais que óbvia a personalidade sádica de Murphy. Nem Freud explica. Mas o importante é não entrar em paranóia. Eu sempre acreditei que o cara me perseguia. Hoje vejo que ninguém neste mundo está a salvo. E a julgar que vivemos em um planeta com quase 7 bilhões de habitantes, então fico mais tranquilo. Afinal, quais as probabilidades?

Texto também disponível no site Noite & Cia.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: