Archive for Julho 25, 2011

Não há vagas

Vamos agradecer ao poder público? Agradecer a segurança pela qual pagamos e nos é de direito, mas que não recebemos direito em momento algum. Poderia aqui citar inúmeras das faltas dos governos e me coçam os dedos para fazer uma enorme lista de todos os problemas. Mas irei descrever um caso específico que, por menor a dimensão, estraga grande parte do bom humor de muitos dos cidadãos de bem.

Não possuímos mais a liberdade de ir e vir com nossos carros pelas ruas das cidades, porque as vagas tornaram-se bens privados. As vias não são mais públicas e os verdadeiros donos desses espaços de circulação têm nome e profissão: flanelinhas. Deixar um veículo ao ar livre e não liberar uma propina pelo direito de estacionar é, com certeza, sinônimo de incomodação. Pode soar uma reclamação elitista, mas acredito que direitos todos têm, inclusive de ir e vir.

Para atender a diferentes compromissos em pontos distantes da cidade, ir à Faculdade, ao trabalho etc; é necessário se carregar um cofrinho. Não em formato de porco, mas de burro, porque é isso que somos ao pagar altos impostos por nada. Fica proibido se esquecer das moedinhas, ou o suposto segurança mostra seu lado vilão e a lataria do carro é que sofre a retaliação. O salário suado transformado em investimento se desvaloriza na extremidade de um objeto pontiagudo e as economias para um próximo sonho de consumo evaporam para minimizar os eventuais danos causados pelo marginal.

Digo marginal e encho a boca para afirmar. Aquele cidadão não tem culpa de o sistema não oferecer oportunidades a todos. A gente também não. Mesmo assim, somos nós que pagamos indiretamente por seu sustento e de sua família. E caro. Se não pagamos com dinheiro, pagamos com a depredação do nosso patrimônio. Triste relembrar que o poder público incentiva a situação, porque já perdeu o controle e não sabe mais o que fazer. E todos, motoristas e flanelinhas, é que sofrem as consequências. Nós em nossos bolsos e eles em estagnação social.

Sabe por que não vejo a atividade “guardador de carro” como profissão? Porque é uma função desnecessária, um serviço de proteção imposto para nos proteger dos próprios profissionais que realizam a função. Irônico, não? Lógico que, como em todas as áreas, existe gente honesta que vê na atividade a única opção de sustento. Mas a maioria que observo não passa de um bando de gente sem o que fazer, extorquindo dinheiro para encher a cara no boteco da esquina. Forte? A realidade é assim mesmo, infelizmente.

E sim, estou revoltado.

Arranhão de ponta a ponta, dos dois lados. Obrigado, Brasil.

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