Idade e tecnologia

A tecnologia avança rapidamente todos os dias. Ontem Pentium II era vanguarda, hoje não funciona para praticamente bosta nenhuma. Uma câmera digital de 2.0 megapixels era equipamento caro, agora é utensílio básico dos celulares mais modernos.

Para quem cresce com esse avanço meteórico, a adaptação é processo facilitado. Os mais jovens nascem rodeados de aparatos tecnológicos e acompanham a evolução e a complexificação das ferramentas todos os dias. Desvendá-las chega a ser entretenimento.

Para as pessoas mais velhas, no entanto, que massacravam seus dedos para datilografar um texto em folha A4, a situação complica um pouco. Há exceções à regra, logicamente. Mas de maneira geral, dentre os familiares os quais acompanho – por exemplo -, a briga é sempre a mesma.

Sou um jovem que convive com uma família sexagenária. Então tenho propriedades para falar sobre esse conflito homem versus máquina. Minha mãe é um exemplo clássico da pessoa que se interessa por computadores e tecnologias, mas que não consegue assimilar certas coisas. É normal. Mas há momentos em que chega a ser engraçado. E irritante.

A máxima acontece quando há associações bizarras do tipo “se ele gira aquele botão para aumentar o som no computador dele, então o mesmo botão vai aumentar o volume no meu.” O problema é que os equipamentos estão em cômodos DIFERENTES sem conexão ALGUMA. No final das contas, quem acaba com o som nas alturas sou eu. Típico, aceitável e, obviamente, cômico.

Mas há vezes que irritam também. Errado porém inevitável, porque é difícil de entender por que as pessoas não conseguem assimilar as coisas. Talvez quando for sexagenário eu entenda. Hoje esse processo empático é muito complexo para mim.

Tenho certeza que muitas outras pessoas se identificam nesse ponto. Esses dias, caminhando pelos corredores da Fenadoce, vi uma cena tão lamentável que segurar a risada foi um exercício intensivo de autocontrole. Uma senhora, de câmera fotográfica em punho, segurou o aparelho ao contrário para bater a foto da neta. Colocou o ZOOM no OLHO e não entendia porque não conseguia bater a bendita foto. A guria, olhando para os lados, meio acanhada, gritava: “não! é do outro lado!”

É triste, eu sei. Mas é impossível negar a graça da situação. Quem convive tanto com tecnologia chega ao ponto de banalizar situações como fotografar, e assim acaba por não entender como uma pessoa com o mínimo de cérebro consegue fazer uma coisa dessas.

Abrir as portas desse novo mundo virtual aos nossos pais e avós é um exercício de paciência. E com halteres bem pesados. Mas precisamos dessa dedicação. Afinal, foram eles que tiveram paciência com NOSSO aprendizado no inicio de tudo. Um aprendizado relâmpago se comparado com esse inverso, claro. Mas que também exigiu paciência. MUITA paciência.

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Pessoas presentes

Já ganhei muitos presentes na vida. Presentes, não no sentido material da palavra. Pessoas as quais fui abençoado com a convivência. Amigos que me ensinam muito, direta e indiretamente.

Talvez eles não saibam, e eu não faço questão de ficar dizendo. Mas vários traços da personalidade de cada um acrescentam na minha. Porque eu tento absorver ao máximo aquilo que admiro. Há quem diga que isso seja falta de personalidade. Eu afirmo ser crescimento pessoal.

Obviamente não pretendo ser igual a ninguém. Mas tento me espelhar em quem admiro para poder ser uma pessoa melhor. Todo mundo de certa forma faz isso.

E é incrível como aprendo. Não só em termos de personalidade, mas sobre assuntos em geral. Os interesses de cada um me completam. E na posição de generalista, nada melhor do que amigos com interesses segmentados, né.

Já aprendi a ser mais sociável. E aprendo até hoje. Aprendo MUITO sobre música. E sobre teimosia. Aprendo sobre determinação. Aprendo sobre personalidade. Aprendo sobre alegria. Aprendo sobre iniciativa. Aprendo sobre intensidade. Aprendo sobre dedicação. Aprendo sobre cinema. E sobre cultura em geral. Aprendo sobre insegurança. Aprendo sobre confiança. Aprendo sobre moda. Aprendo sobre paixão. Aprendo sobre auto-controle. Aprendo sobre calma. Aprendo sobre vídeo-games. Aprendo sobre filosofias de vida. Aprendo sobre união. Aprendo sobre fé. Aprendo sobre internet. Aprendo sobre verdade. Aprendo sobre mim mesmo.

E o mais complexo disso tudo é que outras tantas pessoas incríveis já passaram por minha vida e eu, infelizmente, não tive oportunidade de manter relações mais próximas com elas. Simplesmente é impossível se ter por perto todas as pessoas legais e interessantes desse mundo.

Agradeço, ao menos, por estar rodeado hoje de presenças tão especiais. Isso compensa qualquer outra amizade perdida no tempo.

Sejam novos ou antigos, amigos presentes, sempre. Assim seja.

Uma homenagem a todos os amigos queridos.
Leiam eles este texto ou não.

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Indecisões de um indeciso

Eu não sei se o problema seria minha racionalização extrema sobre as decisões. Mas fazer escolhas sempre foi uma dificuldade para mim. Claro, se me apresentam argumentos plausíveis para determinada posição, não penso duas vezes. O que incomoda é quando não há esses argumentos. Ou quando há, mas em nível de igualdade.

Eis que surge este indeciso compulsivo. No sentido mais fútil da coisa, sou indeciso até na hora de comprar uma peça de roupa. Agora imaginem quando a situação se reflete em uma escolha mais complexa como vida profissional. Fico mais perdido do que cusco em tiroteio. Não sei se vou ou se fico se fico ou se vou.

E o mais incrível é que as escolhas difíceis caem na minha vida constantemente. Provavelmente eu esteja dramatizando, porque isso acontece com todo mundo. E, ao contrário do que possa parecer, não estou reclamando. Até porque é melhor ter opções do que não tê-las. Mas me incomoda ser um cara com opiniões bem formadas e construídas, e ao mesmo tempo, um cara que (ainda) não sabe exatamente o que quer da vida.

Se penso nos prós da opção A, logo me vêm os prós da opção B. Acontece que a equação A+B não tem solução. Então é A ou B. E quando estou mais inclinado a uma delas, me surge a porra de uma opção C. Nesse momento surge a irritação e a vontade súbita de rabiscar esse alfabeto e amassar essa matemática.

Mas não adianta. Não dá para perder o controle. As escolhas surgem e as decisões precisam ser tomadas, por mais difíceis que possam ser. Às vezes gostaria de ser mais emocional e de me jogar mais de cabeça nas coisas, sem refletir muito. Essas impulsividades são boas na vida da gente. Mais inconsequentes, claro. Mas sem dúvida mais fáceis.

Sinceramente, não sei o que fazer com relação a várias tomadas de decisão. Como de costume, ainda não decidi nada. Nem sobre como finalizar este texto.

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Queime depois de assistir.

Queime Depois de LerSou uma pessoa que se interessa bastante por cinema. Mas não sei o suficiente para ser um crítico de qualidade. Mesmo assim, tenho a liberdade para comentar sobre os filmes os quais e vi, e se gostei ou não dos mesmos.

“Queime Depois de Ler” é um filme que deve ter seu nome levado ao pé da letra e, depois da leitura pelo aparelho de DVD, um filme que deve ser queimado. É uma crítica pesada, eu sei. Ainda mais vinda de um crítico superficial. Mas eu não consigo gostar de filmes que não tenham direcionamento algum.

Há quem diga que eu simplesmente não entenda. Talvez seja verdade. Até porque os filmes dos irmãos Coen nunca me agradaram muito. Talvez eu esteja acostumado com um padrão mainstream de se fazer filmes. Pode ser também. Mas se for isso, eu sou muito mais mente fechada do que pensei.

Sim, porque não compreendo como um filme se propõe a contar uma história – oferece elementos de uma narrativa -, mas não termina de contá-la. E dos filmes da dupla que vi, sempre acontece a mesma coisa. São paralelos que se relacionam, nenhum termina pro telespectador e nem os próprios personagens sabem o que aconteceu.

E o que mais me irrita nisso tudo é que a história te prende. O tempo passa voando simplesmente porque queremos saber o que acontece. O enredo é o máximo. O problema é que tu esperas por uma coisa que não acontece. E é isso.

Acho bárbaro quando um filme deixa uma lacuna para quem assiste. “E se?” ou “Ele fez isso por isso. Ficou implícito.” É uma maestria que poucos conseguem. E eu aplaudo quando vejo um filme assim. O problema dos filmes dos Coen os quais assisti é que eles sempre deixam uma lacuna muito maior do que deveriam. A viagem é massa. A simplorice de alguns personagens é o tchan. Mas onde aquilo tudo leva é que fica faltando. “Tá, e aí?”.

Parece que o que os diretores querem retirar um pedaço de uma narrativa qualquer da vida de um cidadão inexistente qualquer e basicamente contá-la. Não importa se ela leva a algum lugar, se ela terá desfecho. Só querem mostrar a complexidade das histórias e dos seus entrelaçamentos e chega. O que, repito, acho inteligente. Mas ainda assim sinto falta de algum direcionamento, de um ponto final, mesmo que subjetivo.

Sempre aprendi que histórias devem ter início, meio e fim. Pode ser um pensamento cabeça-dura. Mas um pensamento do qual eu que eu não consigo abrir mão. Esse é o meu desfecho. Paciência.

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Irritando Francisco Lima

O mundo é uma coisa irritante. Fato! Obviamente existem coisas maravilhosas nele (sei lá, tipo… eu?). Mas com certeza existem também alguns fatos do cotidiano que irritam muito e eu, como sou uma pessoa que adora reclamar, resolvi enumerar algumas situações e ações que ME incomodam e que, tenho certeza, te incomodam também.

Pra começar, nada melhor do que o, tchan tchan tchan tchaaaan, trânsito. Não é a toa que as pessoas se matam no trânsito, né galera. Neguinho sai estressado do trabalho e vê um débil mental fazer zoeira, daí já era. Se alguém discorda que o trânsito não é irritante, essa pessoa é o ser que menos reage a estímulos no universo inteiro. Sim, porque qualquer tipo de reação de um motorista alheio que diga respeito ou interfira no modo como diriges é algo MUITO irritante. Quem gosta de buzina? Só se for pra buzinar, claro.

Comecemos então pela lentidão, quando o motorista da frente anda beeeeeem devagar no sinal verde, daí ele passa voando na amarelo e te deixa esperando no vermelho. Vontade de matar, não? Ou quando és o terceiro da fila esperando o sinal abrir, daí o verde acende e os carros arrancam a MEIO QUILÔMETRO POR HORA. Até o momento que é a tua vez de cruzar… pimba, sinal vermelho de novo. Irrita só de pensar.

Também tem aquela situação em que tás esperando um dilúvio de carros passar pra cruzares aquela avenida movimentada. Daí quando a rua tá quase vazia, vem aquele tio dirigindo BEM devagar. Quando ele passa, todos os carros da humanidade já alcançaram ele, e tu continuas ali, esperando mais meia hora.

Sem contar quando queres estacionar numa vaga e ninguém deixa tu dares ré. “Tchê… SAI!!!!” Mas isso nem se compara quando o cara se mete na tua frente e ROUBA a vaga que estavas esperando há séculos.

Mas o que MAIS me irrita mesmo são os guardadores de carro. Por que RAIOS eu tenho que te pagar por ter ficado estacionado CINCO MINUTOS em um lugar PÚBLICO e, pasmem, com a minha mãe DENTRO do carro? E, cara, é falta de educação contar as moedas que te dei na MINHA FRENTE! E não adianta fazer cara feia porque eu NÃO vou te dar mais, ok? Saco…
Não, e a melhor parte é quando eles estipulam o preço: “amigo, 2 reais aí!” Pra começar que eu NÃO sou teu amigo, nem tio (eu com cara de tio, pode?), nem parceria, nem tenho qualquer outro tipo de vínculo próximo. Segundo, eu pago o quando EU QUISER, tá legal.

Gente, não tô fazendo apologia ao crime no trânsito. Nem quero que as pessoas saiam voando por aí. Mas, pô, lugar de tartaruga é na reserva do Taim, né. O limite máximo é 40, mas o mínimo é 20! É TEM mínimo. Então acordem pra vida porque, senão, uma buzinada minha acorda. 🙂

Mas se vocês quiserem matar um ou dois desses guardadores eu não me importo, viu! Fica aí a dica! 😉

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Jeito Brasileiro

Métodos eficientes de se arrumar espaço em uma cozinha superlotada de equipamentos de… hum… cozinha:

– mãe, me diz uma coisa… por que a torradeira tá no chão? a gata tá cheirando…
– porque não tinha outro lugar pra colocar, oras!
– como assim? hahaha
– ai, não tinha espaço na mesa. é só pra almoçar, depois eu coloco na mesa de novo!
– ahhh! tá bom! hahaha

Se você não tem espaço, já sabe: joga tudo no chão! hahaha
ADOREI!

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Chegadas e Partidas

Em 2008 toda realidade vivida por mim durante 21 anos foi quebrada, não em um passe de mágica, mas em um passe de avião. Saí da minha pacata vida de cidadão pelotense rumo a mais pacata ainda vida de turista irlandês (sim, porque cidadão nunca! credo!).

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Morei “sozinho”. Ou quase isso…

Precisei lavar pratos. Precisei lavar minhas próprias roupas – sempre separando as claras das escuras! Precisei trabalhar arduamente para sustento do estômago e  recheio da carteira.  Precisei dar bronca em marmanjo a fim de ensiná-lo a  seguir a escala de limpeza do banheiro (e assim me tornei o orgulinho da mamãe). Enfim, precisei de muitas novas atitudes.

E como se isso não fosse o suficiente, tive a oportunidade de realizar um grande sonho: coloquei a mochila nas costas, o pé na estrada e parti pro mundo. Estive em lugares os quais nunca imaginei que visitaria. Conheci pessoas incríveis e aprendi muito com elas. Aprendi com as pessoas cretinas também, aliás.

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Não aproveitei tudo que pude, mas realizei tudo aquilo que sempre desejei.

Saí com um saldo super positivo desse ano tão incomum na minha vida. E mesmo assim, não me sinto completamente realizado. Sinto que o mundo tá aí pra ser desbravado, que as pessoas estão aí para serem conhecidas, e as culturas para serem experienciadas.

Quando voltei pro Brasil já estava com muitas saudades de todo aquele pequeno mundo que me cercou durante uma vida inteira. Não via a hora de chegar em casa! Foi dessa forma a qual percebi que não há nada como nosso lar. É sempre bom ter um canto de conforto pra onde sempre se possa voltar.

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Veja bem, VOLTAR! Verbo que pressupõe a partida. Hoje é isso que absorvo: não há nada no mundo melhor que o MEU mundo. Mas não há nada que nos faça perceber isso senão as diferentes realidades de outros mundos.

Os planos para o futuro são variados. Quero partir e aproveitar o que o mundo tem a me oferecer. Mas não quero um pacote fechado. Quero poder voltar e contribuir contando com aquilo que aprendi. Peço muito? Talvez. Mas é isso que eu quero e é disso que vou atrás. Nem que os tiros sejam dados em direção a todos os pontos cardeais.

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